Carta de um delegado de Polícia para um bandido


Em 30 de abril de 2009, o delegado de Polícia Civil Wilson Ronaldo Monteiro, do Pará, escreveu uma carta em que demonstra a sua vontade de dizer à população que policiais também têm direito às políticas adotadas pelos defensores dos “direitos humanos”.

No Brasil, já se rotulou que direitos humanos existem somente para bandidos. Raramente – eu, pelo menos, nunca vi – integrantes de Conselhos dos Direitos Humanos procuram vítimas de assaltantes, latrocidas, assassinos, estupradores, pedófilos, corruptos, para levar-lhes uma palavra de conforto.

Nunca vamos ver algum integrante de Conselhos de Direitos Humanos indo à casa do familiar de um policial – seja ele militar, civil, federal ou agente penitenciário – vítima de assassinato levar sua solidariedade. É como se, matar um policial, desse ao assassino o título de herói.

Aliás, é em herói que se transforma o matador de policial. Pelo menos no mundo da marginalidade. Porém, devido à omissão dos integrantes de conselhos de direitos humanos, fica a impressão que para esses grupos a morte de um agente da segurança pública é simplesmente um troféu para seus clientes – bandidos que exigem ter seus direitos respeitados. Que direitos bandidos possuem? Somente um: o de ficarem presos, enjaulados. E, no Brasil, com direito à visita íntima (sexo livre na cadeia).

É melhor parar por aqui, porque a carta do delegado do Pará é muito mais singela, carinhosa e importante para este momento que a segurança pública do Brasil atravessa – com assassinatos covardes de policias em São Paulo – do que minha opinião sobre as contradições dos grupos de direitos humanos no Brasil. Direitos humanos são para todas as pessoas; e não somente para os "coitadinhos" dos assassinos,estupradores, latrocidas, assaltantes, traficantes e outras feras desumanas.


CARTA DE UM POLICIAL PARA UM BANDIDO:



“Senhor Bandido,

Esse termo de senhor que estou usando é para evitar que macule sua imagem ao lhe chamar de bandido, marginal, delinquente ou outro atributo que possa ferir sua dignidade, conforme orientações de entidades de defesa dos Direitos Humanos.

Durante vinte e quatro anos anos de atividade policial, tenho acompanhado suas “conquistas” quanto a preservação de seus direitos, pois os cidadãos e especialmente nós policiais estamos atrelados às suas vitórias, ou seja, quanto mais direito você adquire, maior é nossa obrigação de lhe dar segurança e de lhe encaminhar para um julgamento justo, apesar de muitas vezes você não dar esse direito as suas vítimas. Todavia, não cabe a mim contrariar a lei, pois ensinaram-me que o Direito Penal é a ciência que protege o criminoso, assim como o Direito do Trabalho protege o trabalhador, e assim por diante.

Questiono que hoje em dia você tem mais atenção do que muitos cidadãos e policiais. Antigamente você se escondia quando avistava um carro da polícia; hoje, você atira, porque sabe que numa troca de tiros o policial sempre será irresponsável em revidar. Não existe bala perdida, pois a mesma sempre é encontrada na arma de um policial ou pelo menos sua arma é a primeira a ser suspeita.

Sei que você é um pobre coitado. Quando encarcerado, reclama que não possuímos dependência digna para você se ressocializar. Porém, quero que saiba que construímos mais penitenciárias do que escolas ou espaço social, ou seja, gastamos mais dinheiro para você voltar ao seio da sociedade de forma digna do que com a segurança pública para que a sociedade possa viver com dignidade.

Quando você mantém um refém, são tantas suas exigências que deixam qualquer grevista envergonhado. Presença de advogados, imprensa, colete à prova de balas, parentes, até juízes e promotores você consegue que saiam de seus gabinetes para protegê-los. Mas se isso é seu direito, vamos respeitá-lo.

Enfim, espero que seus direitos de marginal não se ampliem, pois n ossa obrigação também aumentará. Precisamos nos proteger. Ter nossos direitos, não de lhe matar, mas sim de viver sem medo de ser um policial.

Dois colegas de vocês morreram, assim como dois de nossos policiais sucumbiram devido ao excesso de proteção aos seus direitos. Rogo para que o inquérito policial instaurado, o qual certamente será acompanhado por um membro do Ministério Público e outro da Ordem dos Advogados do Brasil, não seja encerrado com a conclusão de que houve execução, ou melhor, violação aos Direitos Humanos, afinal, vocês morreram em pleno exercício de seus direitos.”

Autor: Wilson Ronaldo Monteiro - Delegado da Polícia Civil do Pará.

 

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