‘Novo’ Nuroc recupera mais de R$ 91 milhões para os cofres públicos e indicia 415 por corrupção e ligação com o crime organizado no Espírito Santo



O Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc), ligado diretamente ao gabinete do secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo, Henrique Herkenhoff, tem se tornado uma das mais poderosas armas do governo do Espírito Santo no combate ao desvio de dinheiro dos cofres públicos nos últimos dois anos.

De janeiro de 2011 – quando o atual governador, Renato Casagrande (PSB), tomou posse no Palácio Anchieta – até a última sexta-feira (28/12) de 2012,  as equipes de policiais civis e militares que integram o Nuroc recuperaram mais de R$ 91 milhões desviados dos cofres públicos.

Há ainda mais dinheiro a ser recuperado, mas o Nuroc, ao longo de 2012, rastreou fraudes tributárias na quantia de R$ 103 milhões. Em dois anos, os delegados que compõem o Nuroc já indiciaram mais de 400 pessoas envolvidas com fraudes milionárias e ligadas ao crime organizado.

O Nuroc é chefiado pelo delegado Jordano Bruno Leite, que coordena um grupo de outros delegados, investigadores, peritos e escrivães da Polícia Civil, além de policiais militares, com experiência no Serviço de Inteligência, cedidos à Núcleo. São militares que trabalham à paisana (sem farda), devido à característica de suas atividades no Nuroc, que são praticamente secretas.

Quando convocado para liderar o Nuroc, o delegado Jordano Leite teve a garantia do secretário Henrique Herkenhoff de que teria autonomia para trabalhar. Por sua vez, o secretário da Segurança teve do governador Renato Casagrande a certeza de que o Nuroc, a partir de janeiro de 2011, voltaria a ser uma instituição policial a serviço do  Estado e não do governo.

A diferença é que, quando uma instituição policial atua em nome do Estado, seus profissionais conduzem investigações independentemente da vontade do governador. Eles têm que seguir o que manda a lei.

Sendo assim, logo nos primeiros meses de atuação o ‘novo’ Nuroc desmantelou um esquema de corrupção em Fundão, município ao Norte de Vitória, e prendeu vereadores, secretários municipais e empresários. Até o prefeito perdeu o mandato.

Mais recentemente, o Nuroc fez algo mais ousado para a polícia capixaba: combateu e prendeu os chefões do jogo do bicho da Grande Vitória e do interior. Em 2003, o delegado André Cunha “fugiu do script” e chegou a indiciar mais de 100 pessoas ligadas ao jogo do bicho no Estado, mas até hoje o Ministério Público não ofereceu denúncia contra os acusados.

Na operação feita agora pelo Nuroc, entretanto, pessoas indiciadas há quase 10 anos por André Cunha foram presas e de novo indiciadas.

O ‘novo’ Nuroc realizou nos dois últimos anos 44 operações, que resultaram no indiciamento de 415 pessoas. Neste período, em parceria com o Ministério Público Estadual, o Nuroc cumpriu 300 mandados de busca e apreensão expedidos – em sua maioria – pela Vara Central de Inquéritos do Judiciário do Espírito Santo.

O Nuroc realizou operações também em outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Roraima e Santa Catarina. Nesses sete estados, prendeu 38 pessoas.

Em dois anos, recuperou para os cofres públicos R$ 91 milhões, entre dinheiro,  imóveis, veículos e valores depositados em outras contas.

Para o delegado Jordano Leite, destaque para a Operação Capone, em que o Nuroc recuperou de uma só vez R$ 71,5 milhões. A Operação Capone foi a que mandou para a cadeia os chefões do jogo do bicho e da máfia dos caça níqueis do Estado.

Nela, o Nuroc cumpriu 98 mandados de busca e apreensão; fechou 150 pontos de jogos; fechou 138 imóveis de bicheiros; apreendeu 82 veículos e 146 motos; identificou 240 imóveis suspeitos de serem usados na ocultação de dinheiro; apreendeu sete armas; além de três caminhões carregados de matérias usados no jogo do bicho e centena de máquinas caça níqueis.

O delegado Jordano Leite ressalta também a importância que foi para os sistemas de segurança e de Justiça a Operação Bavária, que desmantelou um esquema de sonegação que gerava um prejuízo mensal ao Espírito Santo de R$ 750 mil, e, anual, de R$ 9  milhões. Este esquema de roubo  funcionava há cerca de dois anos, segundo o Nuroc.

A Operação Bavária foi realizada em março deste ano. Segundo investigações, o Espírito Santo deixou de arrecadar mais de R$ 27 milhões em impostos por causa da quadrilha que utiliza meios ilegais para comercializar cerveja.

Onze empresários, donos de supermercados e distribuidoras de bebidas, foram presos na 'Operação Bavária', desencadeada em São Mateus e em Nova Venécia, além de municípios do Sul da Bahia, por policiais capixabas do  Nuroc.

O esquema da quadrilha consistia em comprar cerveja com alíquota de impostos em valor menor na Bahia e revender o produto sem a emissão de nota no Espírito Santo.

O inquéritos concluídos em 2012 pelo Nuroc, que rastrearam fraudes tributárias na quantia de R$ 103 milhões, com a identificação das pessoas físicas e jurídicas que se beneficiaram com as fraudes, permitiram a Secretaria de Estado da Fazenda a direcionar suas ações fiscais.

Segundo o delegado Jordano Leite, com a sentença condenatória dos réus, declara-se a perda do bem e, consequentemente, o  retorno aos cofres públicos.

 

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