Polícia Federal no Espírito Santo prende mais de 50 acusados de fraudar vestibulares em faculdades de Medicina

A Superintendência Regional da Polícia Federal no Espírito Santo está de parabéns. Realizou, no decorrer da semana, a Operação Calouro, em que prendeu mais de 50 pessoas acusadas de fraudar vestibulares em faculdades particulares de Medicina em todo o Brasil.

A Polícia Federal no Estado do Espírito Santo centralizou a Operação Calouro por ter iniciado as investigações há um ano e meio, com a identificação de sete grupos: dois grupos atuavam há mais de 15 anos; outros se aproximam de 10 anos; e, os  outros, mais novos devem estar agindo há menos de cinco anos.

A PF não tem ainda como precisar quantas pessoas foram beneficiadas durante esse tempo de forma concisa, pois está analisando todo material apreendido. Além disso, a primeira fase das investigações foi voltada aos membros permanentes da quadrilha e só na segunda fase que o foco será nos alunos beneficiados pelo esquema.

Os que forem identificados serão indiciados e posteriormente responderão ao Processo Criminal pelo ato que cometeram  e tão logo os dados possam ser compartilhados, com autorização Judicial e com as faculdades, os alunos podem ser excluídos administrativamente ou judicialmente.

Cada quadrilha tinha uma forma de cobrança, mas no geral o recebimento era apenas após a aprovação. Registre-se, entretanto, que algumas quadrilhas cobravam algum valor (em torno de R$ 2 a R$ 5 mil reais) adiantados.

Das investigações efetuadas até o momento cerca de 40 instituições de ensino superior foram alvo da atuação das quadrilhas.

A quantificação do lucro das quadrilhas é difícil de precisar, visto que cada uma delas cobra preços variados conforme o tipo de fraude que pratica. Os líderes das quadrilhas que agem primordialmente por meio de transmissão eletrônica dos gabaritos, recebem em média R$ 15 mil por aluno. Já os corretores dessas quadrilhas ficam com a diferença (entre R$ 10 e R$ 30 mil) por aluno.

Nessas quadrilhas, os pilotos recebem em média de R$ 5 a R$ 10 mil por gabarito, já os líderes das gangues que agem por meio de substituição, recebem valores maiores por aluno (entre R$ 45 e R$ 80 mil).

Os principais pilotos eram estudantes de medicina, mas também havia Engenheiros e estudantes de "cursinhos" preparatórios para vestibular.

As quadrilhas se concentravam no Estado de Goiás e Minas Gerais e visavam as Faculdades particulares, pois as Universidades Federais possuem grande segurança em seus processos seletivos, bem como representam grandes repercussões em caso de prisão.

Há que se destacar também que o ingresso nas instituições de ensino de medicina é relativamente concorrido nas instituições privadas, visto que há muita demanda para pouca vaga em instituições públicas. Além disso, pelo status do curso de medicina, acaba atraindo muitos jovens de famílias ricas, mas com pouquíssimo interesse em estudar ou em alcançar alguma coisa na vida com seu próprio mérito. Nesses casos, fica muito claro o apoio ou mesmo incentivo das famílias para que os alunos utilizem esse esquema para passarem no vestibular.

 

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