Polícia Militar esquece de fazer exame toxicológico em candidatos a concurso para soldados e formatura dos novos 104 militares é cancelada

A formatura dos 104 novos soldados da Polícia Militar do Espírito Santo, que aconteceria na sexta-feira (25/01), foi suspensa ainda pouco, conforme comunicado dado aos alunos soldados pela direção de Centro de Formação e Aperfeiçoamento (CFA), ligado à Diretoria de Ensino e Instrução da PMES.

O motivo alegado pelo comando do CFA, conforme informaram alguns alunos soldados, é que a organização do concurso, da qual a própria Polícia Militar faz parte, esqueceu de realizar exame toxicológico nos futuros soldados.

O exame serve para detectar se o candidato ao cargo de soldado faz ou já fez uso de substâncias entorpecentes (drogas ilícitas) em algum momento de sua vida. O teste deveria ter sido realizado antes do ingresso do candidato no CFA, durante os exames médicos.

O adiamento da formatura frustrou os 104 alunos soldados e seus familiares. Os futuros soldados gastaram mais de R$ 100 mil com a festa que iriam promover para comemorar seu ingresso na Polícia Militar.

Ressalte-se que o atual Curso de Formação de Soldados começou equivocado. Ele previa mil vagas. No dia da prova, houve tumulto, com candidatos irresponsáveis promovendo quebra- quebra no local dos exames.

Em seguida, o governo do Estado cancelou o concurso. Reabriu logo depois, com os mesmos candidatos, mas à medida em que as provas iam acontecendo, a maioria esmagadora foi sendo eliminada.

Restaram, enfim, apenas 104 guerreiros, que abandonaram família, trabalho, estudos para se dedicar tão somente ao sonho de se tornar policiais militares, com o firme propósito de defender e salvar vidas.

A formatura de novos soldados é algo tão importante para a Corporação, à família do militar, para a sociedade e, sobretudo, para o Estado, que geralmente é presidida pelo próprio governador do Estado do Espírito Santo. Em 2011, o governador Renato Casagrande participou de cerimônia de formatura de soldados, no Ginásio do Álvares Cabral, em que estavam presentes mais de 5 mil pessoas.

Lamentável, portanto,o que a PM faz agora com os jovens futuros soldados, com seus familiares, com a sociedade (que precisa de mais proteção nas ruas), com a própria Corporação e com Renato Casagrande, que sempre prestigiou a tropa e é o governador que mais investe na segurança pública do Estado.


Depoimentos de três alunos soldados entrevistados pelo Blog do Elimar Côrtes

“Nosso sonho foi por água abaixo”


“Prefiro não me identificar, pois você sabe como funciona o sistema, e parafraseando o personagem Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite: "O sistema é foda." ...Nós,  104 alunos soldados, formariámos amanha, dia 25/01, data essa marcada há mais de cinco meses. O verbo foi conjugado no tempo certo, formaríamos.

Fomos informados hoje, há praticamente 15 horas no tradicional fora de forma, que não formaríamos mais. Motivo: Erro alheio. É sempre os mesmos motivos, erros alheios.

Digo-lhe que foram sete meses e meio de dificuldades e privações, onde muito de meus amigos estão devendo muito dinheiro a bancos devido a empréstimos, contando com o salário de soldado que viria no mês de fevereiro.

Foram gastos aproximadamente R$ 100 mil ao todo com as cerimônias, tanto militar, quanto a festa (a PM sequer bancou R$ 1,00 da formatura militar, evento esse obrigatório aos formandos).

Estava tudo pronto: tendas, palco, decoração, cerimonial, buffet, equipe de seguranças, e até fogos de artifício. E agora lhe pergunto: pra que? Será que servidores do Estado, como nós, merecíamos ser humilhados dessa forma? Será que merecíamos passar por determinada situação mediante erro de outrem?

Nós, nas ultimas duas semanas, repetimos treinamentos para solenidade de 6 da manhã até 22 horas, boa parte dele em um sol exaustivamente quente, às vezes atrasando lanches e almoço, para no final isso...

Gostaria de dizer que apenas estamos frustrados, mas o desrespeito foi muito maior que isso, foi descaso total, com esses 104 que eram para estar supostamente animados e prontos para servir a população na rua, e que agora passam a simplesmente começar a abrir mão de qualquer esforço.

Nosso sonho foi por água abaixo...Acabou a motivação, acabou a vontade.

Venho até esse Blog pedir apoio, um socorro de alguém desesperado por ver amigos de longe se afundarem em dívidas para trazer parentes, muitas vezes em microônibus alugados, morando a mais de 200 km, somente para o ver não realizar mais o sonho por qual tanto lutaram.”

Falta de respeito, diz futuro soldado


Os alunos do CFSD 2012 e a sociedade capixaba foram totalmente desrespeitados hoje (24/01/2013). Até 12 horas, amanhã (sexta-feira) seria a cerimônia de formatura, e somente agora há pouco fomos informados de que não formaríamos mais, pois por motivo de o Estado não ter os submetido ao exame toxicológico!!!

Total descaso e falta de respeito tanto para os alunos como para a sociedade capixaba em geral. Familiares de alunos vieram do interior do Estado e até mesmo de outros estados para prestigiar um momento solene para a vida dos alunos e acabaram de dividir esta enorme tristeza. Fizeram dívidas, planos, convidaram parentes, treinaram arduamente, e agora nos vêm com essa?”



“Não temos motivos para comemorar”



“Hoje, dia 24 de janeiro, às vésperas da formatura do Curso de Formação de Soldados 2012 da PMES (que estava marcada para este dia 25, nós, alunos soldados, recebemos a notícia por parte de nosso comandante, por volta das 16h40,  que nós não seríamos promovidos porque não haviam completadas todas as etapas do concurso, que ainda faltava o exame toxicológico (que deveria ser feito durante alguma etapa do concurso) a ser executado.

Por  erro da administração (DP) não foi realizado, fazendo assim com que nossa formatura fosse cancelada (no lugar da formatura haverá um desfile de encerramento das atividades escolares no CFA) até que façam uma licitação para a contratação de uma empresa para fazer a coleta do material para o exame. Segundo o Comandante do CFA o erro será apurado.

Sendo assim continuaremos como alunos soldados, recebendo salário de aluno, fazendo um estágio estendido (provavelmente desarmados, correndo risco de vida tanto o próprio militar como a família, em serviço e fora de serviço, apesar de já termos concluído todo o curso com êxito ) até a resolução do problema, por algo que poderia ser feito desde a etapa de exame de saúde.

Também gostaria de salientar que nós gastamos mais de R$ 100 mil para a realização de uma festa de formatura que será realizada (pois não há como cancelar já que está tudo pago e tudo pronto), porém não teremos nenhum motivo para comemorar.”




 

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