Classe política derrubou secretário de Segurança Pública: Henrique Herkenhoff caiu por falta de fé e raça

A levar em conta as palavras atribuídas ao governador Renato Casagrande para justificar a demissão do secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Henrique Herkenhoff – de que ele tinha problemas com a sociedade e mostrava certa “indiferença” com os problemas da segurança –, pode-se constatar que faltava um pouco mais de um “T” grande a Herkenhoff para exercer sua missão.


A história, todavia, não é bem assim. Essa é a versão  que o governo quer passar para a sociedade, por meio de notas publicadas neste sábado (02/03) em A Gazeta.

À frente da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) por dois anos, Henrique Herkenhoff pode ter errado no atacado. Afinal, a criminalidade em geral (principalmente crimes contra a vida) não caiu tanto quanto o governo esperava.

Os chefes das Polícias Militar e Civil não conseguem adotar a tal sonhada integração física e institucional desejada pelo governador Renato Casagrande. Talvez, tenha faltado pulso forte por parte do ex-secretário Herkenhoff para impor a política de governo, embora Casagrande tenha construído unidades onde policiais militares e civis trabalham num mesmo prédio.

Henrique Herkenhoff adotou algumas posturas e citou frases de efeito que fogem ao lugar-comum quando o assunto é segurança pública. Mas ele acertou no varejo.

Reconheceu que as Polícias Civil e Militar são carentes de efetivo e, por isso, reativou a política de concursos nas duas instituições. Valorizou os profissionais da segurança pública, colocando em prática a política de promoções de policiais civis e militares.

Numa só tacada, permitiu, com sua opinião favorável, que o governador sancionasse a lei que promoveu mais de 3 mil militares entre praças e oficiais.

Com seu aval, Renato Casagrande fez justiça a mais de 500 pessoas aprovadas no concurso para investigador de Polícia Civil em 1996 e que ainda não tinham sido nomeadas. Todos já estão trabalhando.

Neste link, o leitor terá a dimensão do que a Sesp fez em prol dos policiais civis e militares e de toda a segurança na gestão de Henrique Herkenhoff: https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=7244166926030098340#editor/target=post;postID=6659139679676078964

Henrique Herkenhoff errou também no varejo. E errou feio, como da vez em que mandou injustamente para o Conselho de Justificação da Polícia Miliar o mais laureado coronel da corporação, o agora professor Júlio Cezar de Oliveira. O motivo foi uma frase que o agora coronel da reserva falou, ao dar uma ordem a um capitão do Ciodes.

Embora criado por meio de portaria, o Conselho de Justificação nunca foi istalado, o que comprova o seu absurdo. Herkenhoff talvez tenha sido instigado pela turma do mal, que não queria ver o coronel Júlio Cezar assumir o posto de comandante geral da Polícia Militar.
 
O acerto maior de Henrique Herkenhoff, entretanto, foi a de ter a coragem de enfrentar a classe política, além de servidores e empresários acusados por supostas práticas de corrupção, ao dar ao Núcleo de Repressões às Organizações Criminosas (Nuroc), da Polícia Civil, autoridade e estrutura suficiente para investigar crimes contra o Poder Público.

Ele acertou na visão da sociedade, mas errou na visão mesquinha e corporativa dos políticos capixabas. Por conta do apoio moral e político de Herkenhoff, a Polícia Civil criou  uma Força Tarefa que desvendou um esquema de desvio de recursos que vinha imperando no Instituto de Atendimento Sócio Educativo (Iases) desde 2008.

A Operação Pixote, desencadeada pela Força Tarefa, colocou na cadeia a presidente do Iases, Silvana Gallina, e obrigou o governador Renato Casagrande a demitir seu então secretário de Justiça, Ângelo Roncalli, também foi indiciado criminalmente pela Polícia Civil e denunciado pelo Ministério Público Estadual. Suposto esquema de irregularidades no Iases atinge políticos, empresários e até um magistrado.

Herkenhoff mexeu com gente do poder, mas nunca se intimidou. Logo nos primeiros meses de sua gestão, o Nuroc desvendou esquema de corrupção na Prefeitura de Fundão. Prefeitos, vice, secretários municipais e vereadores foram presos. Algo inédito, que o “Novo Espírito Santo” não teve competência e nem "T" grande para fazer.

Por fim, Henrique Herkenhoff sangrou mais ainda quando o Nuroc desencadeou a Operação Derrama, que pôs na cadeia 10 ex-prefeitos acusados de corrupção. Dentre eles, Norma Ayub, mulher do presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM).

Ele, que é pai do senador Ricardo Ferraço – que foi vice-governador de Paulo Hartung –, também foi indiciado pelo Nuroc.

Entretanto, surgiu uma coincidência mirabolante no final da tarde de sexta-feira (01/03), horas depois de Henrique Herkenhoff anunciar sua saída da Sesp. O procurador geral de Justiça, Eder Pontes, anunciou também que estava arquivando o inquérito feito pelo Nuroc em relação a cinco importantes investigados na Operação Derrama. Dentre eles, o próprio Theodorico Ferraço.

Atitude prepotente e arrogante de quem, efetivamente, parece demonstrar desrespeito ao trabalho de uma outra instituição séria e importante para a sociedade, que é a Polícia Civil do Espírito Santo. Tão séria e importante quanto é o próprio Ministério Público Estadual.

Henrique Herkenhoff vem sangrando desde os primeiros momentos em que seu nome foi anunciado como secretário de Segurança, logo após as eleições de outubro de 2010.

Basta lembrar as investidas da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa, dominada por interesses pessoais, corporativos e eleitoreiros.

O sucessor de Henrique Herkenhoff tem tudo para fazer uma boa gestão. André Garcia, que deixa a Secretária de Justiça, deu provas de sua eficiência quando, por menos de um ano em 2010, administrou a Sesp e iniciou a redução nos índices de criminalidade.

Provou sua competência ao ajudar o governo a criar e implantar o Estado Presente. Deu, novamente, exemplo de competência ao assumir a Sejus em plena crise no lugar de Ângelo Roncalli e iniciar no sistema prisional o tão desejado tratamento humanitário agora dispensado aos presidiários.

Engana-se, porém,quem imagina que por trás do ar fraternal de André Garcia residem as palavras impunidade e covardia. Ele não comunga com desvios e nem irregularidades. Ele vai agir com energia e rigor contra qualquer tipo de corrupção. Vai, portanto, melhorar os programas de combate à criminalidade, sem esquecer, todavia, do alvo principal que é a guerra ao crime organizado, uma das bandeiras do governo Casagrande.

Pelo que se percebe agora pelas palavras atribuídas por parte da imprensa ao governador  Renato Casagrande, Henrique Herkenhoff caiu por pressão da classe política, que não gosta de ser incomodada e acreditar sair vitoriosa com a decisão do Ministério Público Estadual em arquivar parte do inquérito da Operação Derrama.

Logo, apesar de ser um homem de grandes virtudes, Henrique Herkenhoff não tem fé e raça.

 

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