Comandante geral da PM explica porque defende a contratação de soldados por designação temporária

O comandante geral da Polícia Militar, coronel Ronalt Willian, defendeu neste domingo (17/03) projeto de lei do governo do Estado, a ser enviado à Assembleia Legislativa, que prevê a contratação de policiais militares por designação temporária. A ideia do governo é abrir mil vagas, mas, em princípio, serão convocados 300.

O coronel, primeiro, lembra que existe em andamento um concurso público para contratar mil novos soldados. Dos mais de 25 mil inscritos, somente pouco mais de 2 mil avançaram para novas etapas do certame, como a realizada neste final de semana, que foi o Teste de Aptidão Física (TAF), que reprova muita gente.

Outras etapas virão, até que os aprovados iniciem o Curso de Formação de Soldados (CFS), no Centro de Aperfeiçoamento da PM, em Tucum, Cariacica:

“Os novos soldados, do atual concurso, somente estarão preparados para trabalhar em dezembro deste ano. A necessidade para reforçar o policiamento nas ruas é urgente. É para ontem”, exemplificou o comandante Willian. O salário do soldado-DT será igual a de um soldado em início de carreira: R$ 2.421,76.

Segundo ele, para se inscrever em processo seletivo na designação temporária, o candidato precisa ter servido em alguma das Forças Armadas– Exército, Marinha ou Aeronáutica:

“Ganharemos um profissional com grande poder de conhecimento de armas”, ponderou o comandante geral da PM, para, em seguida, garantir:

“Mas os soldados a serem contratados por designação temporária não vão para as ruas. Eles atuarão, eventualmente, em serviço administrativo e na vigilância dos quartéis e outras unidades militares. Vamos liberar os soldados desses setores para reforçar o policiamento nas ruas”.

Aí é que reside o calcanhar de Aquiles do governador Renato Casagrande, do secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, André Garcia, e do comandante Ronalt Willian. Muitos policiais, que hoje atuam em serviço burocrático e ou na vigilância de quartéis, podem achar ruim sair dessa situação.

Por outro lado, a ideia tem causado preocupação em respeitáveis policiais militares. Como demonstra um policial que encaminhou a este Blog um email abordando a situação do soldado contratado por designação temporária depois de encerrar seu contrato:

"Senhor Elimar nos socorra. Veja a brilhante idea do secretário de Segurança (André Garcia) em colocar pessoas em designação temporária para atuar como soldados. Vejamos: iremos colocar pessoas para saber de toda uma logística de horário e armamento interno, onde fica, dentre outras coisas.  Mas depois vence o contrato e esse cidadão vai pro mundo civil de novo sabendo tudo. Peço a gentileza para o senhor passar adiante a nossa preocupação e nos ajudar para que isso não ocorra, pois não só a família militar corre perigo, mas toda uma sociedade. Desde já agradeço."

O comandante geral da PM, coronel Ronalt Willian, entretanto, tranqüiliza a  tropa:

“O soldado a ser contratado por designação temporária não vai fazer serviço de vigilância de nossos setores de logística e nem cuidar de armamento. Ele atuará, eventualmente, em serviços administrativos e na guarda de quartéis”.

Ainda segundo o comandante, em princípio serão chamados 300 soldados-DTs. Novas convocações vão depender da necessidade que surgirem dentro da PM. O coronel Ronalt Willian garantiu ainda que o soldado será submetido ao Regulamento Disciplinar Militar, como qualquer outro:

“Eles (DTs) ficarão sob a égide do Regulamento Militar”, afirmou o comandante Ronalt Willian, que concluiu:

“Este Governo e este Comando jamais medirão esforços para melhorar a segurança. Fazemos de tudo para alcançarmos a redução nos índices de criminalidade”.


Os futuros soldados DTs vão prestar serviço por dois anos, prazo que pode ser prorrogado por igual período, no máximo. Entre os requisitos para participar da seleção estão ter entre 18 e 28 anos, ter ensino médio e ter prestado serviço militar nas Forças Armadas.

O processo seletivo será análise de currículo, e os selecionados passarão por um treinamento antes de começar a trabalhar. “Vamos estabelecer as pontuações e fazer a seleção. Dependendo do período de treinamento, a expectativa é que os policiais temporários já assumam as novas funções em 60 dias”, disse o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, André Garcia, ao jornal A Gazeta.

Maior entidade de classe dos policiais militares, a Associação de Cabos e Soldados da PM e do Corpo de Bombeiros (ACS/ES) se posiciona contra o projeto de lei do governo. Em seu site, a entidade chega a chamar o governo de “despreparado”.

“Estamos mais uma vez após seis anos discutindo o mesmo assunto já amplamente discutido anteriormente e que como bem sabemos não deu certo nos estados onde foi implementado. Querem criar um pseudo soldado e vestir o mesmo com a mesma farda da briosa PMES pagando aos mesmos uma ninharia e deixando os (DTS) sem nenhuma perspectiva de carreira. Nós vamos mostrar para a sociedade o quanto este governo está perdido na Segurança Pública ao trazer uma ideia retrógrada como esta. Se em seis anos não resolveram o problema será que é agora que resolverão? Porque não destinam verbas aos que querem regressar ao serviço ativo pra desempenhar estas funções”, diz no site o presidente da ACS/ES, cabo Flávio Gava.


Opinião do blogueiro:


Gostem ou não as entidades de classe ou boa parte dos policiais militares, a ideia do governo do Estado é oportuna para o momento de dificuldade que a segurança pública do Espírito Santo atravessa.

O momento exige sacrifício de todos: sociedade e operadores da segurança. O sacrifício não deve ser somente dos cidadãos comuns, que diariamente são vítimas de assaltos, latrocínios, assassinatos, balas perdidas e outros tipos de crimes pelas ruas do Espírito Santo.

Aliás, o próprio operador da segurança pública também é vitima da criminalidade, sendo alvo de agressores e assaltantes quase que constantemente. Na semana passada, uma soldada foi agredida por um bandido dentro de um ônibus. E vejam que a moça estava fardada e armada.

O momento é de emergência. E, em toda emergência, o sacrifício tem que ser de todos – inclusive da sociedade. Até porque, se o futuro soldado contratado por designação temporária fizer besteira, nós, cidadãos comuns, também seremos atingidos.

 

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