quarta-feira, 20 de março de 2013

Laudo da Polícia Civil confirma que carro da esposa de coronel foi alvo de sabotagem


Cumprindo prisão domiciliar pela acusação de suposta prática de assédio sexual contra uma cabo, o coronel Carlos Rogério Gonçalves de Oliveira revelou que o veículo de sua esposa teria sido alvo de sabotagem. A conclusão da sabotagem estaria no Laudo Pericial número 2079/2012, assinado por dois peritos da Superintendência de Polícia Técnico-Científica da Polícia Civil do Espírito Santo.


Diante da informação, este Blog conversou com oficiais de altas patentes da Polícia Militar do Espírito Santo, que confirmaram a veracidade do fato, que teria ocorrido em 2012, onde o coronel Gonçalves reside e cumpre prisão domiciliar.

Preocupados com o desdobramento do fato – que foi tratado com certo desdém pelo Comando Geral da PM à época –, oficiais informaram que o temor pela segurança de Gonçalves e de seus familiares é procedente, “pois o carro do coronel já foi sabotado em Nova Venécia em maio do ano passado”, conforme falou um tenente-coronel.

O caso começou a ser apurado pelo então delegado de Polícia Civil de Nova Venécia, Vitor Manoel, que, inclusive, requisitou uma perícia no veículo. O Laudo Pericial n.º 2079/2012, assinado por dois peritos da SPTC,  constatou “marcas de alicate no cabo do freio de mão, no magote de freio e no sensor do ABS” e concluiu “vestígios e avarias externas e intencionais de terceiro, em tentativa de eliminar a capacidade de frenagem do veículo. A intenção do autor era provocar a ausência total da capacidade de frear do veículo”.

A Polícia Civil, na ocasião, concluiu “por possível autoria praticada por militar contra militar, e pela forte suspeita de que a intenção do agente era matar a vítima, ou no mínimo assumindo tal risco pelo dolo eventual”. A conclusão foi encaminhada ao Comando Geral da Polícia Militar “para apuração minuciosa dos fatos.”

A informação sobre a sabotagem foi descoberta por este Blog no final de semana. Desde então, oficiais vêm sendo ouvidos e na terça-feira (19/03) o Blog do Elimar Côrtes teve acesso ao resultado do laudo pericial, passado por uma fonte ligada às investigações. Entretanto, os mesmos oficiais desconhecem se houve apuração e qual a conclusão.

Na manhã desta quarta-feira (20/03), o Blog do Elimar Côrtes ouviu o coronel Gonçalves, por meio de seu celular particular. Ele afirmou que realmente ocorreu a sabotagem e que mais uma vez ficou preocupado com a demora e pouca importância demonstrada por setores da PM. Gonçalves explicou como foi descoberta a tentativa de exterminar com ele e sua família:

“A sabotagem foi constatada na tarde de 16 de maio do ano passado. Usei o carro de minha esposa (Hyundai IX 35 prata) para ir ao Fórum de Nova Venécia onde tinha uma audiência. Ao parar na ladeira de acesso, senti que o freio estava muito baixo. Encostei o carro no meio fio e fui ao Fórum. Após a audiência fui até a Oficina do Marcão para dar uma regulada, pois viajaríamos para Vitória no dia seguinte. Quando o mecânico olhou o reservatório do fluído de freio viu que estava totalmente seco. Ao levantar o carro na rampa, constatamos que o magote do freio estava cortado. O dono da oficina me orientou a ligar para a autorizada (concessionária), pois o carro estava na garantia e aquela peça era de difícil aquisição em Nova Venécia”, disse o oficial.

Gonçalves entrou em contato com a concessionária: “Após o diálogo com a concessionária, ficou decidido que o carro seria guinchado para Linhares, que era a revendedora mais próxima. Ainda não sabíamos os motivos daquele problema. O atendente da Hyundai em Linhares ligou dizendo que o freio foi cortado e o sensor do ABS também, orientando a fazer uma perícia para comprovação”.

O coronel disse mais: “Em contato com o Delegado de Polícia Civil de Linhares, através do tenente-coronel Douglas (ex-comandante do Batalhão de Linhares e amigo do delegado Fabrício Lucindo), fui prontamente atendido e o perito foi até a concessionária. Após a constatação da sabotagem, inclusive por fotos, me ligaram de retorno afirmando que a intenção do sabotador era causar um grande acidente com o veículo e era para tomarmos muito cuidado. Ficamos muito abalados e preocupados. Fomos para Vitória no meu carro particular, somente na sexta-feira, indo direto ao Comandante Geral e à Diretoria de Inteligência comunicar o fato e solicitar providencias. Não tivemos a atenção e atendimento que esperávamos, mesmo sendo eu um coronel da ativa. Fomos orientados a procurar a Delegacia de Polícia Civil de Nova Venécia para registrar uma ocorrência e depois encaminhar cópia à Dint, como foi feito na segunda-feira seguinte”, disse Gonçalves.

O coronel disse ter solicitado segurança pessoal para a família dele em Nova Venécia, por policiais do 2.º Batalhão, “pois eu trabalhava em Vitória e não tinha como estar nos dois locais ao mesmo tempo. Após uns dois meses a segurança pessoal foi suspensa, pois as policiais que trabalhavam na escolta não recebiam nem as diárias pelas viagens que faziam a serviço”, lamentou Gonçalves.

O ex-delegado de  Nova Venécia, Vitor Manoel, encaminhou os autos ao Comando Geral da Polícia Militar em 3 de agosto de 2012 – ou seja, dois meses após a descoberta da sabotagem:

“Em 5 de novembro de 2012 solicitei formalmente ao comandante geral (coronel Ronalt Willian) informações sobre quais providências foram adotadas desde 22 de maio do ano passado, quando havia comunicado o fato à Diretoria de Inteligência. Para minha surpresa, somente em 18 de fevereiro de 2013 recebi uma documentação do Diretor de Inteligência, concluindo que não se detectou qualquer evidência que pudesse corroborar a suspeita de sabotagem do veículo e não havia elementos suficientes que pudessem caracterizar eventual responsabilização por ilícito penal praticado em área da administração militar”.

Na segunda-feira (18/03), o coronel Gonçalves fez, neste Blog, uma série de denúncias de crimes que estariam acontecendo dentro da Polícia Militar sem que o Comando Geral mande apurar. Dentre os crimes, estaria pagamento irregular de diárias, compras desnecessárias de viaturas e até orgias sexuais praticadas no Centro de Formação e Aperfeiçoamento da PM e dentro de viatura.

Diante agora da descoberta da sabotagem feita no carro de sua esposa, o coronel Gonçalves, mesmo cumprindo prisão domiciliar, afirma estar tomando providências para garantir pelo menos a segurança de sua família:

“Antes de tudo, confio em Deus e que existem pessoas de bem que estão orando por mim e pelo esclarecimento de mais essa covardia e tentativa de desprestigiar meu trabalho e nome. Ttenho uma grande preocupação com a segurança de meus familiares, pois estou preso em Nova Venécia, minha arma da PM foi recolhida e a rotina de minha família tem que prosseguir. Minha esposa é médica e atende em outros municípios também, deslocando-se sozinha. A criança (6 anos) precisa freqüentar as aulas, o inglês e a natação. Nossa preocupação dobrou após esses fatos. Ainda bem que tenho uma mulher forte e corajosa do meu lado e alguns amigos verdadeiros, pois a PMES virou as costa para mim, não tive direito a defesa, fui preso sem ser ouvido, os coronéis não se manifestaram em meu apoio. A rotina no QCG continua...”

Quando foi comandante do 2º BPM (Nova Venécia), o coronel Gonçalves fez diversas operações em que colocou na cadeia vários traficantes da região Norte do Estado. Eram traficantes ligados com quadrilhas de assaltantes e crimes de pistolagem.

 

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