Chefões do crime que estão presos usavam agenda de advogada para ordenar quem ia morrer na Grande Vitória

A descoberta de uma organização criminosa atuando dentro e fora dos presídios do Espírito Santo poderá levar as autoridades a desvendarem uma série de outros crimes. Agentes da Diretoria de Inteligência da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) e promotores de Justiça apreenderam com uma advogada uma agenda com importantes anotações, como ordem para assassinatos, compra e venda de drogas e armas e número de contas correntes em instituições financeiras onde dinheiro do crime organizado teria que ser depositado.

A agenda está sendo agora minuciosamente analisada e periciada por promotores de Justiça do Grupo Especial de Trabalho em Execução Penal (Getep) e do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A advogada foi uma das 14 pessoas presas esta semana por agentes da Inteligência da Sejus e  policiais militares, dentro da Operação Mouro, que desarticulou um grupo, formado por agentes penitenciários, ex-agentes penitenciários – já expulsos da Sejus – e traficantes que estão presos e soltos. Na mesma operação foi presa uma advogada – que cumpre prisão domiciliar –, sob acusação de ajudar a quadrilha.

De acordo com o secretário de Estado da Justiça, Sérgio Alves Pereira – que é um capitão reformado da Polícia Militar e promotor de Justiça licenciado –, a agenda apreendida com a advogada contém informações que poderão levar a Polícia Civil e o Ministério Público a desvendar outros crimes, principalmente assassinatos:

"Outras operações estão sendo programadas. Para tanto, contamos com parceria da Polícia Civil e do Ministério Público nas investigações. A Sejus e as forças policiais, além do MP, estão sempre monitorando o sistema prisional para impedir a prática criminosa dentro dos presídios", disse o secretário.

Sérgio Alves Pereira acrescentou que a agenda apreendida era sempre levada pela advogada para as cadeias, principalmente nos Complexos de Viana e Xuri. Lá, durante visita a clientes, ela sempre se reunia com o preso responsável pela transmissão das ordens dadas por outros chefões do crime.

"A advogada anotava todos os recados que eram, posteriormente, repassados a outras lideranças do crime organizado que estão soltos. Nas anotações há, principalmente,  apelidos de rivais dos traficantes que deveriam ser assassinados e locais onde residiam, além de ordens sobre movimentação financeira em contas bancárias", disse o secretário Sérgio Alves Pereira ao Blog do Elimar Côrtes.

O Ministério Público está, agora, fazendo levantamento de assassinatos já registrados pela polícia para observar quais coincidem com as ordens descritas na agenda apreendida. Checando os apelidos das pessoas marcadas para morrer com quem foi assassinado nos locais apontadas na agenda, a polícia capixaba terá condições de saber, efetivamente, se o crime praticado foi encomendado dentro dos presídios.


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