Bastidores da exoneração de delegado do Nuroc: Rodolfo Laterza iria investigar mais um esquema de suposto desvio de recursos no sistema sócio educativo

No dia 18 de dezembro de 2012, equipes de policiais, comandadas por delegados do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc),ligado à Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, prenderam pelo menos 30 pessoas – prefeitos e ex-prefeitos, secretários municipais, advogados, empresários e servidores públicos – envolvidos em um suposto esquema de corrupção que extorquia dinheiro de multinacionais instaladas no Espírito Santo, dentro da Operação Derrama.

De lá para cá, o Nuroc não teve mais sossego. O então secretário da Segurança, Henrique Herkenhoff, foi exonerado do cargo pelo governador Renato Casagrande após pressão de deputados estaduais. Afinal, uma das pessoas detidas na Operação Derrama foi a esposa do presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), a ex-prefeita de Itapemirim Norma Ayub.

Nos bastidores os comentários davam conta de que o sucessor de Herkenhoff, André Garcia, poderia promover mudanças no Nuroc, com exoneração de delegados. Garcia, entretanto, não mexeu no time que estava dando certo.

Porém, André Garcia surpreendeu nesta quinta-feira (16/01) quando fez publicar no Diário Oficial do Estado a exoneração do delegado Rodolfo Queiroz Laterza, que integrava o Nuroc com mais quatro delegados.

O secretário André Garcia preferiu não manter contato com Rodolfo Laterza para anunciar sua exoneração, embora o Nuroc faça parte da Sesp. Optou por dar a missão ao chefe de Polícia Civil, delegado Joel Lyrio Júnior, que na terça-feira (14/01) convocou Laterza ao seu gabinete para informar que exoneração seria publicada a qualquer momento.

Rodolfo Laterza é hoje o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Espírito Santo (Sindelpo). Procurado pelo Blog do Elimar Côrtes para falar de sua exoneração do Nuroc, ele preferiu não fazer qualquer comentário. “Falarei no momento certo”, esquivou-se o dirigente do Sindelpo.

Rodolfo Laterza tem seu trabalho respeitado e reconhecido em outros poderes. Já foi publicamente elogiado pelo ex-presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, por conta de sua “inteligência” e “ousadia” em “lutar contra a corrupção” e por colocar na cadeia poderosos da política capixaba.

É respeitado também por membros do Ministério Público Estadual. Segundo fontes ligadas a Rodolfo Laterza, nesta quinta-feira ele recebeu telefonemas de promotores e procuradores de Justiça lamentando sua saída do Nuroc.

Outros delegados ouvidos pelo Blog do Elimar Côrtes comentaram que desde a deflagração da Operação Derrama, “executada com total autonomia funcional e com apoio do Judiciário”, o Nuroc se tornou um “incômodo” para alguns setores do governo do Estado. Segundo as mesmas fontes, desde o governo de Paulo Hartung o Nuroc sempre sofreu “ingerências políticas e indevidas” nas investigações. Seus delegados, geralmente, são obrigados a revelar aos superiores o que e quem estão investigando, para somente depois receber o sinal verde. Contam que a Operação Derrama teria sido realizada à revelia dos mandatários de plantão da Sesp.

Ainda de acordo com delegados, há autoridades do Estado que estão preocupadas com as repercussões da Operação Pixote, realizada em 17 de agosto de 2012 e que descobriu desvio de mais de R$ 32 milhões no Instituto de Atendimento Sócio-Educativo do Espírito Santo (Iases). Isso porque o delegado Rodolfo Laterza teria recebido, recentemente, relatório da direção do Iases revelando mais suposto desvio de recursos financeiros do sistema sócio educativo do Estado. Essas investigações já estavam em andamento também.

Delegados, investigadores a escrivães ligados a Rodolfo Laterza acreditam que as investigações que ele vinha desenvolvendo pelo Nuroc, com a participação de outros colegas e do Ministério Público Estadual, podem ter  também contrariado setores do governo do Estado. As investigações descobriram supostas irregularidades no sistema prisional, com diversas ramificações.

As investigações ficarão prejudicadas, porque outro delegado terá de assumir o caso, podendo, inclusive, voltar à estaca zero nas apurações. “Tal operação, quando deflagrada, iria ter diversas repercussões que incomodariam muita gente”, disse um delegado ouvido pelo Blog.

 

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