Delegacia de Tóxicos da Polícia Civil do Espírito Santo prendeu mais de 400 traficantes em 2013

A Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (Deten) da Polícia Civil assumiu papel de destaque na área de segurança pública do Espírito Santo. Mesmo com uma estrutura aquém de sua importância, a Deten prendeu em 2013 mais de 400 traficantes. Um trabalho ininterrupto e incansável de seus três delegados, escrivães, investigadores e agentes de Polícia.

Ainda no ano passado, a Deten, comandada pelo delegado Diego Yamashita, foi responsável pela maior apreensão de crack do Estado – 65 quilos. Ao todo, em 2013, foram apreendidos 139 quilos da droga da morte. Para se ter ideia da importância da apreensão, no mercado cada quilo de crack é vendido a R$ 13 mil. De cada quilo,os traficantes costumam fazer render mais cinco quilos.

No mesmo período, a Deten, além de ter prendido 436 criminoso – entre traficantes e homicidas –, também foi responsável pela apreensão de 126 armas de fogo e 1.933 munições. Os bandidos foram presos em operações da própria Deten.

Já os traficantes presos pela Polícia Militar não são levados para a Deten. Por se tratar de prisão em flagrante, os casos vão direto para uma delegacia distrital ou Departamento de Polícia Judiciária. Por isso, não entram na contabilidade da Deten.

Antes, a Deten funcionava num velho prédio da avenida República, no Centro de Vitória. Agora, está no afastado bairro de Novo Horizonte, na Serra. Longe, as equipes da Deten acabam encontrando dificuldade quando precisam realizar operações em Vila Velha e Cariacica. O melhor local para a instalação da Deten seria Vitória.

As autoridades do governo do Estado, entretanto, ainda não acordaram para a importância de uma unidade mais estruturada de combate ao tráfico de drogas, embora as  estatísticas da Secretaria de Estado da Justiça indicam que 70% da população carcerária do Espírito Santo são formados por traficantes. E mais: dos homicídios registrados no Estado – no ano passado foram 1.565 –, mais de 70% são provocados em decorrência do envolvimento de vítimas e acusados com o tráfico.

Logo, o que hoje é uma delegacia, já deveria ter sido transformada em uma divisão, como já existem as Divisões de Homicídios e Crimes contra o Patrimônio.

À frente da Deten está o delegado Diego Yamashita, 34 anos. Natural de São Paulo, ele está no Espírito Santo há sete anos. Inscreveu-se para o concurso de delegados da Polícia Civil aberto no final de 2005; fez todas as etapas do certame no ano seguinte; e, em 2007, começou a trabalhar. Ficou seis meses atuando nos Plantões dos DPJs e em seguida foi transferido para a Deten.

Profissional devotado, apesar das dificuldades do cotidiano, o delegado Diego Yamashita conversou com o Blog do Elimar Côrtes nesta terça-feira (07/01). Falou de sua paixão pela carreira de delegado de Polícia, do combate ao tráfico de drogas, como é o trabalho da Deten no dia-a-dia e, sobretudo, das angústias que vive no Espírito Santo por causa das dificuldades da profissão, que não é valorizada pelo governo do Estado.

Blog do Elimar Côrtes – Como explicar o grande número de prisão de traficantes com os altos índices de homicídios no Estado, se o tráfico está por trás da maioria dos assassinatos?
Diego Yamashita – Eu costumo dizer que o tráfico, apesar de ilícito, é um comércio; um grande comércio. Enquanto tiver gente disposta a comprar drogas, haverá vendedor, mesmo com as prisões e mortes de traficantes.

A lei brasileira afrouxou o tratamento dado aos usuários, acabou-se a pena de prisão para usuários de drogas. O máximo que existe é uma admoestação – quando o usuário, depois de preso, é levado à presença da Justiça e leva uma advertência verbal do juiz. Ou existe  pena alternativa, com pagamento de prestação de serviço à comunidade.

– Como é hoje o trabalho da Deten?
– Trabalhamos em duas frentes: uma micro e outra macro no combate ao tráfico de drogas. Na micro, trabalhamos basicamente com informações do Disque Denúncia da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). Em 2031, recebemos mais de 5 mil denúncias relacionadas ao tráfico de drogas. Quando recebemos as denúncias, as equipes fazem levantamento, checamos a veracidade e efetuamos as prisões.

Já o trabalho macro tem a finalidade de atacar os fornecedores dos traficantes. Desmantelamos quadrilhas interestaduais, cruzamos investigações e informações com outros órgãos de segurança, como a Polícia Federal. Procuramos, sobretudo, descapitalizar os traficantes, com a apreensão dos produtos, além de carros e outros bens.

– Qual a maior dificuldade de ser delegado de Polícia Civil no Espírito Santo?
– Sem duvida, é a desmotivação por conta do baixo salário. Eu sempre quis ser delegado de Polícia. Desde a idade de colegial meu sonho era ser delegado. Quando fiz vestibular, me inscrevi de primeira para o curso de Direito, na Faculdade Padre Anchieta, de Jundiaí, minha cidade natal, interior de São Paulo, onde me formei. Fiz concursos públicos em varas partes do País e fui aprovado para o cargo de delegado de Polícia Civil nos Estados de São Paulo, Sergipe e Espírito Santo.

– O que motivou o senhor a optar pelo Espírito Santo?
– Aprovado nos três estados, tive que escolher. Preferi a terra capixaba por dois motivos: primeiro é que em 2007, quando fui aprovado, o Espírito Santo pagava o quarto melhor salário do País. Além disso, meus pais sempre visitam este Estado. Ao longo desses quase sete anos, todos os estados da Federação melhoraram o salário de delegado de Polícia, menos o Espírito Santo, que é o penúltimo, e a Paraíba.

O baixo salário, de fato, desmotiva. Não ter o reconhecimento do Estado é muito frustrante. Nós trabalhamos diuturnamente; os traficantes não param. Pelo contrário, os traficantes, que atuam no sistema macro, agem nos finais de semana e nas madrugadas, por acreditar que estão livres do policiamento. Nós, delegados, deixamos de curtir a vida como outras pessoas comuns.

Tem ainda o desgaste emocional, porque lidamos com a pior espécie de criminosos, que são os traficantes. O risco de morte é iminente; temos que estar atentos a tudo e a todos.

– O que faz um delegado a continuar na luta?
– Somos inseridos dentro do sistema de Justiça. No entanto, nosso salário é 30% do que recebe, por exemplo, um promotor de Justiça. Todavia, o que nos motiva a lutar contra o crime é esperar que a sensibilidade atinja quem tem condições de mudar essa situação, que são os governantes. Uma coisa a sociedade pode estar certa: nasci delegado e vou até o fim.

– O senhor está arrependido por ter escolhido ser delegado de Polícia Civil no Espírito Santo?
– Claro que não. Como já disse, amo a profissão de delegado. Amo o Espírito Santo e vou ficar aqui. Porém, ajudando meus colegas na luta por um salário mais digno.



Saiba Mais

Prisões: 436 criminosos (traficantes e homicidas)

Apreensões:
- Crack: 139kg
- Cocaína: 105kg
- Maconha: 913kg
- LSD: 987 micropontos
- Ecstasy: 197 comprimidos
- MDMA/Cristal: 150g
- Haxixe: 1kg
- Armas: 126
- Munições: 1.933


 

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