Novo chefe da Superintendência da Polícia Federal fala com exclusividade sobre como pretende combater as organizações criminosas no Espírito Santo

O goiano Valdson José Rabelo assumiu o comando da Superintendência Regional da Polícia Federal no Espírito Santo na última terça-feira (18/02). Na manhã seguinte, se reuniu com o governador Renato Casagrande (PSB), no Palácio Anchieta, a quem garantiu que vai trabalhar de forma integrada com as polícias Civil e Militar capixabas. O delegadoo, no entanto, tem outras missões mais desafiadoras em terras capixabas.

Uma delas é reverter a atual situação da Polícia Federal no Estado, que teve, no ano passado, o pior rendimento entre todas as demais 27 superintendências espalhadas em 26 estados e no Distrito Federal, de acordo com Índice de Produtividade Operacional (IPO) divulgado esta semana pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dcor) do Departamento de Polícia Federal.

A divulgação dos índices nesta sexta-feira (21/02) pelo jornal O Globo não é nenhuma novidade. No dia 8 de janeiro deste ano, o Blog do Elimar Côrtes informou com exclusividade que a Polícia Federal não realizou nenhuma operação de combate ao tráfico de drogas no Estado em 2013.

Nesta entrevista exclusiva ao Blog do Elimar Côrtes, o delegado Valdson Rabelo fala como pretende colocar a Polícia Federal à disposição dos capixabas, como sempre for de praxe da instituição: “Na conversa com o governador Renato Casagrande, falei com que minha intenção é trabalhar em parceria com as polícias locais e ele demonstrou satisfação. Portanto, por meio de parcerias, podemos sim realizar ações conjuntas”, afirmou Rabelo, que iniciou a carreira de policial como agente de Polícia Civil de Goiás e delegado da mesma instituição.

Ele informa ainda que pretende instalar no Espírito Santo o Grupo de Investigações Sensíveis e Especiais (GISE), que é supervisionado pelo Grupo de Combate às Organizações Criminosas (Gnococ) do DPF.  “Vamos também buscar recursos materiais e humanos junto ao governo federal para a melhoria de nosso Centro de Inteligência”, antecipa Valdson Rabelo, que dará prioridade também ao combate ao crime contra o patrimônio porque, segundo ele, quando combatidos pela polícia, os traficantes migram para os assaltos. .

Blog do Elimar Côrtes – Observa-se no seu currículo um destaque para o combate ao tráfico de drogas. Esse vai ser o foco de sua gestão?
Valdson José Rabelo – O tráfico de drogas é uma das prioridades de um dos programas do Ministério da Justiça e da Presidência da República, que visa a redução da oferta e da demanda de drogas. Porém, o foco de nossa gestão vai ser o de identificar e combater quaisquer tipos de organizações criminosos.

Para tanto, vamos fomentar parceria com as polícias Civil e Militar para intensificação de combate a outras atividades criminosas ligadas ao tráfico de drogas, como os crimes contra o patrimônio. É notório que os traficantes migram para outras atividades quando a polícia combate especificamente o tráfico.

– A Polícia Federal vai combater assaltos, por exemplo?
– A Federal tem atribuição constitucional de combater crimes contra o patrimônio em que são alvos empresas federais, como Correios, Caixa Econômica. Porém, nada impede que troquemos informações, sobre quadrilhas que praticam assaltos a outros órgãos e empresas, com as polícias Civil e Militar.

Para isso, estamos buscando recursos materiais e humanos junto ao governo federal para a melhoria de nosso Centro de Inteligência aqui no Espírito Santo. Sem falar do próximo leilão de veículos apreendidos pela Polícia Federal no Estado, que vai acontecer em breve. São pelo menos 40 veículos que vão a leilão a ser o promovido pelo Senad. Por lei, 40% do que é arrecadado nos leilões de produtos apreendidos são destinados às unidades responsáveis pela apreensão. Esses recursos, no entanto, demoram chegar ao seu destino final. Por isso, vamos solicitar ao  Funpen (Fundo Penitenciário Nacional) que ibere, de imediato, pelo menos parte desses 40% para a nossa Superintendência. E parte desses recursos também é destinada às polícias Civil e Militar.

– Com o senhor pretende melhorar o Centro de Inteligência?
– Já nos reunimos ontem (quinta-feira) com membros da equipe. Queremos concentrar toda a Inteligência da Superintendência Regional da Polícia Federal no Espírito Santo em um único espaço, num local mais adequado. Pensamos em criar aqui o Grupo de Investigações Sensíveis e Especiais (GISE), para ser coordenado pela Superintendência e supervisionado pelo Grupo de Combate às Organizações Criminosas (Gnococ), que atua em todas grandes investigações pelo País afora.

Levaremos a Brasília projeto para a instalação do GESI no Espírito Santo. Instalado aqui, a possibilidade de obtermos mais agentes federais e delegados atuando em nossa Superintendência será bem maior. Assim, teremos mais condições de combater outros tipos de crimes, como desvio de recursos financeiros em órgãos públicos. Embora necessitemos de reforçar nosso efetivo, posso garantir que os policiais federais que trabalham no Espírito Santo são excelentes. Encontrei aqui um grupo maravilhoso.

– Significa que a Polícia Federal vai reestruturar no Espírito Santo sua Delegacia de Prevenção e Repressão a Entorpecentes?
– Sim. Vamos receber novos agentes para a unidade. Além disso, já cotamos com o Grupo de Prevenção do Uso Indevido de Drogas, que é ligado diretamente ao gabinete do superintendente. O Grupo (coordenado pelo agente federal Expedito Jorge Tavares de Souza) já realiza um excelente trabalho no Estado com muitas demandas, pois entendemos que a prevenção e a educação são as melhores formas de se inibir a criminalidade. O menino ou o adolescente que passa tempo integral numa escola vai ter menos tempo para ficar na rua.

– Como está a preparação da Polícia Federal com a segurança das seleções de Camarões e Austrália, que farão aqui sua preparação para a Copa do Mundo?
– Numa Copa do Mundo de futebol, uma seleção representa seu país. Seus membros são tratados como chefes de Estado. Todos os órgãos de segurança pública estão conscientes e prontos para garantir a segurança das duas seleções aqui no Espírito Santo. Sabemos que, qualquer arranhãozinho durante a presença de Camarões e Austrália aqui, quem sairá perdendo são as polícias, o Espírito Santo e o Brasil.

Daí a importância de um trabalho integrado e prévio de Inteligência e de fiscalização. Estão sendo feitos levantamentos em todos os locais e rotas onde as duas seleções vão passar durante período de treinamento.

– Por falar em Copa do Mundo, a repressão policial a criminosos em outros estados, principalmente os vizinhos ao Espírito Santo, tem aumentado. O senhor acredita que criminosos de Minas Gerais, Rio de Janeiro ou São Paulo possam fugir para o nosso Estado?
– Não tenho essa informação, mas a situação está sendo monitorada. Se for detectada movimentação de criminosos para o nosso Estado e que possa impactar, teremos tempo para agir.

– O senhor falou em combate ao desvio de dinheiro público...
– Também daremos uma atenção toda especial a esse tipo de crime. É uma das prioridades do Ministério da Justiça. Para atuarmos de forma melhor, vamos conversar com os demais órgãos de controle e de fiscalização da União, como a Advocacia Geral da União e o Tribunal de Contas. Já estamos alinhados com esses órgãos e vamos nos alinhar muito mais para que as investigações sejam feitas de forma integrada. O objetivo é termos qualidade de provas a serem levadas ao Ministério Público Federal e à Justiça.

– Em alguns momentos do passado, a Polícia Federal ia mais às ruas aqui no Espírito Santo. O senhor pretende reativar esse tipo de atividade?
– Quando fui superintendente no Pará, fizemos operações em Santarém, onde o tráfico estava incomodando a população. Foi feita uma ação em que prendemos os chamados pequenos traficantes, que estavam incomodando a comunidade. Essa, porém, não é uma praxe da Federal. Cabe às polícias estaduais (Civil e Militar) esse tipo de procedimento e no Espírito Santo elas já fazem muito bem. Mas, se for preciso, atuaremos também nas ruas, sempre em conjunto com as polícias locais.

Para reforçar essa união, já estive reunido, um dia após minha posse, com o governador Renato Casagrande. Ele me convidou e fui ao Palácio Anchieta na quarta-feira (19/02) de manhã. Falei com ele que minha intenção é trabalhar em parceria com as polícias locais e ele demonstrou satisfação. Portanto, por meio de parcerias, podemos sim realizar ações conjuntas.

Aliás, a Polícia Federal já participa de discussões sobre segurança no Estado, pois fazemos parte dos Gabinetes de Gestão Integrada Estadual e Municipais, além dos Conselhos de Segurança Pública.

– Dois dias depois que o senhor assumiu a Superintendência Regional da Polícia Federal no Espírito Santo, a Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dcor) do DPF publicou o Índice de Produtividade Operacional (IPO) das superintendências de todo o País no período de janeiro a dezembro do ano passado. O Espírito Santo ocupa a última posição entre todos os estados, com índice de 1,527. O que fazer para reverter essa situação e motivar o efetivo policial – delegados, agentes, escrivães, peritos e outros servidores – a melhorar o índice?
– Quando assumi a Superintendência da Polícia Federal do Pará, em maio de 2012, aquele Estado ocupava a penúltima posição no Índice de Produtividade Operacional. Quando deixei o cargo, agora em janeiro de 2014, a Superintendência do Pará passou para a nona posição. Se levarmos em conta as diferenças entre os dois estados – Pará e Espírito Santo –, vamos verificar que a situação de lá é muito complicada: lá existem as questões indígenas, cuja proteção é de atribuição da Polícia Federal; a pobreza no Estado do Pará é muito maior do que em terras capixabas. E tem ainda tamanho territorial do Pará.

Aqui no Espírito Santo tenho, portanto, um grande desafio, que é o de fazer uma motivação interna. Trabalharei para convencer os colegas e quero sentir o envolvimento de todos com a segurança pública. Tentarei fazer com que todos se sintam parte da sociedade e pensem na sua responsabilidade como policiais, apesar das perdas salariais.

O desafio é fazer aumentar a produtividade. Para tanto, vamos usar a questão motivacional. Fazer com que os policiais trabalhem não para o superintendente, mas para a sociedade capixaba, que paga nossos salários. É dessa forma que vamos combater o desvio do dinheiro público, tráfico de drogas, roubos, lavagem de dinheiro e outros crimes.

 

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