“A liberação das drogas causaria uma epidemia nacional”, diz delegado Sebastião Borges, defensor da integração polícia-comunidade

Natural da cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, o delegado Sebastião Borges atua na Polícia Civil do Espírito Santo desde 1992. Tem uma paixão pelo Sul do Estado, de onde sai somente para ir a Niterói visitar parentes e amigos. No Sul capixaba, Sebastião Borges comanda a 6ª Delegacia Regional, localizada em Alegre e que tem circunscrição em outros  sete municípios: Jerônimo Monteiro, Guaçuí, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, São José do Calçado, Bom Jesus de Norte e Apiacá.

O delegado Sebastião Borges sempre trabalha com a participação da comunidade. Possui, inclusive, um programa de rádio, em Alegre, onde busca sempre defender a integração com a Polícia Militar e as comunidades. O delegado tem outra atividade não remunerada, mas que lhe dar prazer e ajuda inúmeras famílias capixabas: faz palestras em escolas e faculdades, levando às crianças e adolescentes e jovens os perigos que representa o uso das drogas. Por isso, com sua experiência em torno do assunto, é enfático quando é instigado a falar sobre a liberação de drogas:

“Sou radicalmente contra a liberação das drogas e sempre defendi em minhas falas que a pena para o usuário deveria ser igual ou maior à aplicada ao traficante, pela razão muito simples: se não tiver o comprador, o vendedor ‘quebra.’ A liberação causaria uma epidemia nacional.”

Blog do Elimar Côrtes – Há quanto tempo o senhor é delegado de Polícia no Espírito Santo?
Sebastião Borges – Estou aqui há 21 anos e sete meses. Entrei na polícia em 7 de agosto de 1992.

– O senhor é do Estado do Rio. Lá, militou em que atividade?
– Advoguei por 15 anos na Comarca de Niterói, onde nasci, e em outros municípios do Rio. Por um período, fui funcionário público estadual do Rio de Janeiro.

– Por quais unidades da Polícia Civil capixaba o senhor já passou desde que chegou ao Estado?
– Iniciei em Apiacá em 1992. Em, 94 acumulei sendo titular de Bom Jesus do Norte e Apiacá. Também respondi durante oito meses por São José do Calçado. Em agosto de 1996 assumi a Delegacia de Guaçuí, onde fiquei até outubro de 2004. Em agosto de 2006, fui transferido para a Delegacia de Alegre, hoje transformada  na 6ª Delegacia Regional.

– A 6ª Delegacia Regional (Alegre) é responsável por quais outros municípios da região?
– Jerônimo Monteiro, Guaçuí, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, São José do Calçado, Bom Jesus de Norte e Apiacá.

– O senhor já atuou em Guaçuí e está em Alegre, municípios que são o berço da Polícia Interativa no Espírito Santo. Como está atualmente a interatividade da Polícia Judiciária com a sociedade local?
– Sempre nas delegacias onde trabalhei procurei a total integração com a Polícia Militar e participação direta com os seguimentos sociais constituídos e clubes de serviço, como Lions, Rotary e outras instituições. Quando assumi Guaçuí a Polícia interativa tinha sido extinta pelo novo governo municipal instalado.

– Como é o programa de rádio “Segurança Pra Você” que o senhor apresentou na região? 
– Era um programa de informações sobre leis novas para o público e com a participação dos ouvintes pelo telefone e internet tirando as dúvidas existentes e comentando outras situações que envolvessem a segurança do município. Tinha a participação do Comando do 3º Batalhão da Polícia Militar (Alegre), que passava informações sobre a atuação dos policiais militares e informações tirando dúvidas da sociedade;

Além das atividades desenvolvidas, realizei várias entrevistas para os jornais locais, falando sobre a minha interação com a sociedade.

– O programa ficou no ar quanto tempo? Quando vai voltar ao ar?
– O programa “Segurança Pra Você” ficou no ar na emissora local, com grande abrangência pelos municípios da região, por  quase cinco anos. Em uma determinada época o comandante da PM em Alegre deixou de participar e fiquei por um ano e quatro meses fazendo sozinho. O programa tinha a duração de 30 minutos, dependendo do assunto era prolongado pelo tempo necessário e era apresentado quinzenalmente. Acabou,  obedecendo a lei eleitoral, já que fui candidato a cargo político e tive que parar.

Vários convites já foram feitos pela emissora radiofônica, estou aguardando o entrosamento com o novo comandante do 3º Batalhão para recomeçar. São muitas cobranças nas ruas por pessoas que ouviam a rádio e clamam pela volta do programa, principalmente pessoas da zona rural em razão dos esclarecimentos prestados.

– Como é o programa de prevenção ao uso de drogas que o senhor desenvolve na região? Suas palestras são feitas em que instituições?
– No tocante às drogas,  apesar de atuar em um órgão de repressão, sempre tive como norte a prevenção. Comecei a desenvolver este trabalho desde  l998, em escolas de Guaçuí,  no centro da cidade e nas zonas rurais; ia também a outras cidades sempre nas escolas falar para os jovens e adolescentes sobre a conscientização para não usarem drogas e os malefícios do uso. Fiz várias palestras na Faculdade de Filosofia de Alegre e outros colégios. Fiz este trabalho e faço ainda sempre que convidado para outras instituições, pois não vejo outra solução , somente a prevenção com muita informação vai tirar os jovens deste mundo maldito que são as drogas.

– Além da prevenção, a salvação da juventude passa por quais outras tomadas de decisões?
– Acredito que a formação familiar é muito importante a obrigação é de todos.

– O senhor acredita que a epidemia das drogas é o maior fator da violência em nosso Estado.
– As drogas, em geral, e principalmente o álcool, contra o qual faço um programa mensal na emissora local como membro da irmandade “Alcoólicos Anônimos”, a que pertenço desde 98. Levando mensagens para aqueles que sofrem da doença do alcoolismo.
Sou radicalmente contra a liberação das drogas e sempre defendi em minhas falas que a pena para o usuário deveria ser igual ou maior à aplicada ao traficante, pela razão muito simples: se não tiver o comprador, o vendedor “quebra”. A liberação causaria uma epidemia nacional.

– Quais são as maiores dificuldades para se desempenhar hoje a função de delegado de Polícia Civil no Espírito Santo?
– Sempre foi a falta de efetivo policial para atender a demanda; a falta de estrutura física nas delegacias, por onde trabalhei sempre fiz reformas para melhorar o ambiente. Hoje a situação está melhorando com o programa do governo em reformar  ou construir delegacias, principalmente no interior.

– Apesar dos baixos salários pagos aos delegados em nosso Estado, observamos que o senhor é um profissional que está sempre motivado. Mais importante: está sempre tentando motivar seus colegas. Como é manter essa motivação?
– É uma missão árdua, porém nós temos responsabilidades e como tal não podemos perder a motivação, sempre com a esperança de ter um dia “a polícia que desejamos”. Somente com  obediência às leis e a nossa consciência jurídica, alçaremos o objetivo único que é o de reduzir a violência.

 

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