Polícia Civil expulsa investigadora acusada de ajudar filho a matar vendedor de carros em Ibatiba

Sete meses depois de ser nomeada investigadora da Polícia Civil, Carla Christina Rodrigues de Lima foi presa, por ordem da Justiça, pela acusação de participar do assassinato de um homem em Ibatiba, Região do Caparaó do Espírito Santo. Fechavam-se ali todas as portas para Carla Christina na Polícia Civil, que acaba de ser expulsa da instituição.


É difícil entender o ser humano. Carla Christina é da turma que fez concurso para investigadores em 1993. Ela e centenas de outros candidatos ficaram 18 anos lutando na Justiça para serem nomeados. Quando foi nomeada,  Carla Christina acabou se prejudicando. Ela foi expulsa por decisão do Conselho de Polícia Civil, que se reuniu no dia 14 deste mês.

O advogado do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Espírito Santo (Sindipol), Rafael Roldi de Freitas Ribeiro, que fez a defesa de Carla Christina no Processo Administrativo Disciplinar (PAD), arguiu a tese de prescrição, mas os delegados que compõem o Conselho rejeitaram a preliminar. No mérito,os conselheiros, à unanimidade, consideram a investigadora culpada na acusação de transgressão disciplinar. Eles decidiram ainda que a agora ex-investigadora terá de ficar dois anos sem poder ocupar um novo cargo público.

Carla Christina havia sido presa pela Corregedoria Geral de Polícia Civil no dia 6 de julho de 2012, junto com o filho dela, o vendedor de carros Victor Hugo de Lima Silva. Os dois foram denunciados pelo Ministério Público Estadual de, juntamente com dois menores de idade, participarem do assassinato de Gilberto Liquer Marcelino, morto a pauladas no dia 22 de maio de 2012, em Ibatiba.

A prisão de mãe e filho foi decretada pelo então juiz da Vara Criminal da Comarca de Ibatiba, Vanderlei Ramalho Marques. Carla, Victor e os dois menores ainda são denunciados pelo MP de formarem uma quadrilha para praticar furtos e roubos na cidade de Ibatiba.

Os produtos dos roubos, segundo o Ministério Público, eram vendidos em Vitória, tendo, de acordo com a denúncia, a policial civil a função, no grupo, de não registrar as ocorrências policiais de delitos praticados pelos integrantes do bando, garantindo a impunidade dos membros da quadrilha.

Carla Christina foi presa por uma equipe de delegados e investigadores da Corregedoria da  Polícia Civil em seu local de trabalho, a Delegacia de Polícia de Rio Novo do Sul, para onde pediu transferência, segundo informações do juiz Vanderlei Ramalho Marques, tão logo percebeu que poderia estar sob investigação.

O corpo de Gilberto Liquer foi encontrado fora da cidade no dia 23 de maio. Um telefonema anônimo para o 190 da Polícia Militar informou que ele havia sido espancado por Victor Hugo e os menores em frente ao prédio onde a policial mora com o filho, sob a vista da mãe, que ainda orientou a Victor para se livrar da faca jogando-a em uma lixeira.

Informado pelo Ministério Público, o juiz Vanderlei Ramalho Marques autorizou o monitoramento telefônico dos suspeitos e, em menos de uma semana, foram flagradas várias conversas envolvendo o crime. O processo contra Carla Christina e seu filho tramita na Vara Criminal de Ibatiba.


 

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