Trabalho da DP de Homicídios e Proteção à Mulher do Espírito Santo surte mais um efeito positivo: Justiça manda a júri popular os acusados de planejar e assassinar dançarina por inveja

O trabalho bem feito do delegado Adroaldo Lopes, da Delegacia de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) do Espírito Santo, acaba de surtir mais um efeito positivo. A Justiça decidiu pronunciar – mandar a júri popular – as três pessoas acusadas de arquitetar e matar a dançarina Alini Gama de Oliveira. Na época, o delegado e sua equipe receberam elogios da Chefia de Polícia Civil e Adroaldo Lopes chegou a ser um dos destaques do programa Fantástico, da TV Globo.

A moça foi morta no dia 21 de setembro de 2012, por volta das 9h30, na altura do quilômetro 4,5 da BR 262, em Campo Grande, Cariacica. Em menos de uma semana, a equipe de Adroaldo Lopes prendeu os acusados e os entregou à Justiça. Eles foram denunciados pelo Ministério Público e agora vão ser submetidos ao Conselho do Tribunal do Júri da Comarca de Cariacica.

Considerando a provas dos autos, o juiz Alexandre Pacheco Carreira, da 4ª Vara Criminal de Cariacica (Privativa do Tribunal do Júri), decidiu mandar a julgamento os três acusados de matar a dançarina: Deivid Correa de Souza, Adayane Matias de Aguiar e Juliemerson Bastos Vieira.

Segundo a sentença de pronúncia, nos autos do processo número  0025893-41.2012.8.08.0012, os três denunciados Deivid, Adayane e Juliemerson, “agindo de forma livre e conscientes, imbuídos com vontade de matar, previamente ajustados e utilizando-se de arma de fogo a qual portava ilegalmente, mataram a vítima Alini Gama de Oliveira”.

Consta dos autos que Alini era dançarina e estava contratada pela “Banda Trio Chapahalls” para ser dançarina da banda e participar da gravação de um DVD da banda que aconteceria no dia 22 de setembro de 2012 em São Mateus. Relata ainda o Ministério Público que os denunciados também são dançarinos e que no início do mês de setembro de 2012 tinham participado como dançarinos de alguns shows da banda no Norte do Estado e em Aimorés (Minas).

Ocorre que como os acusados Adayane e Juliemerson não faziam o perfil da banda, foram dispensados, fato este que desagradou, pois desejavam continuar como dançarinos da banda e inclusive participar da gravação do DVD. Ainda segundo com que investigou a equipe do delegado Adroaldo Lopes, Adayane, após ser dispensada, “ficou ligando insistentemente para todos os integrantes da banda pedindo para ser contratada. Como não obteve êxito, a denunciada Adayane juntamente com o denunciado Juliemerson planejaram matar a vítima Alini, pensando que assim, com Alini morta, a banda os contrataria como dançarinos e participariam da gravação do DVD que ocorreria em 22 de setembro de 2012 em São Mateus/ES.”

Para executar Alini, Adayane pediu para que o denunciado Deivid, seu namorado, matasse a moça, pois assim “ela ficaria feliz” e poderia participar da gravação do DVD, o que foi prontamente aceito por Deivid. “Dessa forma, como o denunciado Juliemerson era amigo da vítima Alini numa rede social, conseguiu seu telefone e endereço e passou para o denunciado Deivid, namorado da denunciada Adayane, dando detalhes de como Deivid deveria falar com Alini para convencê-la de ir ao seu encontro”, diz o juiz Alexandre Carreira na sentença de pronúcia.

Assim, Deivid ligou para Alini no dia anterior aos fatos dizendo ser um empresário e que queria contratá-la para um evento de dança, marcando de encontrá-la na frente do Posto Valentim, em Campo Grande. Na manhã seguinte, dia 21 de setembro de 2012, Deivid pegou uma moto emprestada com o tio de Adayane e, armado, foi ao encontro da vítima, ligando antes para Alini para saber com qual roupa ela estava vestida.

Conforme Inquérito Policial, Deivid ao avistar Alini, aproximou-se dela, tomou seu celular de suas mãos e efetuou dois disparos de arma de fogo que atingiram as costas da vítima, não permitindo a dançarina qualquer chance de se defender.

Em seguida, Deivid saiu do local em alta velocidade, quase atropelando o frentista. Efetuadas diligências, Deivid foi preso em flagrante e após foram presos os denunciados Juliemerson e Adayane. Alini chegou a ser socorrida por uma viatura da Polícia Militar, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Logo após a morte de Alini, Adayane e Juliemerson ainda entraram em contato com os integrantes da banda para comunicar a morte de Alini, acreditando que seriam chamados para gravação do DVD que aconteceria no dia seguinte.

“O crime foi praticado por motivo fútil, pois consta dos autos que todos os acusados desejavam, planejaram e concorreram para a morte da vítima Alini pelo simples fato dela ser dançarina da “Banda Trio Chapahalls” e porque participaria da gravação de um DVD da banda, fato este que desagradou aos denunciados e causou inveja nos mesmos, pois queriam que quem participasse do DVD fossem Adayane e Juliemerson no lugar de Alini. Na mesma esteira, verifica-se que o crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima Alini, pois os três denunciados simularam um encontro de trabalho com a vítima para levá-la até o local em que seria friamente assassinada, sem lhe permitir qualquer chance de defesa, estando desprevenida e desarmada”, descreve o juiz Alexandre Carreira, reproduzindo na sentença de pronúncia o teor da denúncia do Ministério Público Estadual.

A denúncia foi recebida no dia 16 de outubro de 2012  e se fez acompanhar dos autos do respectivo Inquérito Policial. Citados, os acusados Adayane Matias de Aguiar, Juliemerson Bastos Vieira e Deivid Correa de Souza apresentaram resposta.

Durante a instrução processual foram ouvidas nove testemunhas arroladas pelo Ministério Público. Interrogada, a acusada Adayane negou a autoria ou qualquer participação nos fatos retratados na denúncia.

Interrogado, o acusado Juliemerson sustentou que teria participado do crime apenas com intenção de “dar um susto” na vítima, negando que teria participado com vontade de matar.

Por sua vez, Deivid confessou a autoria do crime, apontando os acusados Adayane e  Juliemerson como cúmplices. Na mesma sentença de pronúncia, o juiz Alexandre Carreira decidiu manter a prisão preventiva dos três acusados.

 

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