Novo chefe da Divisão de Homicídios fala da investigação inteligente como forma de valorizar o Inquérito Policial e reduzir a impunidade

Desde que assumiu o comando da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil do Espírito Santo, em 16 de janeiro deste ano, o carioca José Lopes Pereira passou a imprimir um ritmo de valorização ao Inquérito Policial elaborado em cima de uma metodologia elaborada pelos próprios profissionais que atuam sob seu comando: delegados, investigadores, agentes de Polícia e escrivães. Resultado está nas estatísticas: enquanto a média nacional da Polícia Judiciária brasileira é de apenas 8% de Inquéritos Policiais (IPs) concluídos, a DHPP capixaba alcança a marca dos 40%.

De janeiro até março deste ano, a DHHP instaurou 293 inquéritos e concluiu 117. “Tivemos 40% de resolutividade. Quando levamos em conta somente o mês de março, esse índice chega a 54%”, diz o chefe da DPHH, delegado José Lopes.

No mesmo período, a DHPP prendeu 102 pessoas em missão de cumprimento de mandados de prisão expedidos pela Justiça. Também ocorreram 187 prisões em flagrante, incluindo aí suspeitos de homicídios, tráfico de droga e porte ilegal de armas, além de tentativa de assassinato. Dentro da estrutura da DHPP, há um núcleo que atua com investigação de tráfico, pois, atualmente, segundo José Lopes, 70% dos homicídios ocorridos no Estado têm envolvimento com o tráfico. Este índice, porém, já foi maior.

“Estamos sempre procurando entender a importância de um Inquérito Policial como instrumento de produção de provas para se gerar um bom processo criminal na Justiça”, comenta José Lopes.

Para o delegado, um IP bem feito, com prisões de suspeitos, produz, por sua vez, o fim da impunidade. Ao mesmo tempo que provoca a prisão de criminosos, ajuda a reduzir o número de assassinatos.

A DHPP cresceu em tamanho. Hoje, José Lopes é responsável também pela Delegacia de Crimes contra a Vida de Guarapari. Nela, já estão as DP de Crimes contra a Vida de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana, além da DP de Homicídios e Proteção à Mulher.

José Lopes iniciou a carreira policial como soldado da Polícia Militar do Rio de Janeiro e ingressou na Polícia Civil do Espírito Santo em 1999. Nesse tempo, passou pelas delegacias de Iúna, Ibatiba, Irupi e Ibitirama, na Região do Caparaó. Esteve por quatro anos à frente da Delegacia de Crimes contra a Vida de Vila Velha. Antes de entrar na PM fluminense, foi, por dois anos, militar do Exército.

Durante os quatro anos em que trabalhou em Vila Velha  – de 2010 a janeiro deste ano –, José Lopes implantou no município o que chama de “foco no Inquérito Policial com qualidade”. É defensor de um IP bem investigado. Por isso, ao assumir a DHPP, se reuniu com todos os 250 policiais civis – entre delegados, investigadores, escrivães e agentes de Polícia – que atuam sob seu comando para elaborar um documento com 48 itens. São procedimentos que passaram a ser seguidos pelas equipes:

“Fiz uma Ordem de Serviço, com 48 procedimentos, que foram desenvolvidos  pelos próprios policiais. Quando chegam ao local de crime, os policiais levam em conta todos os itens que constam nos procedimentos. Podem, inclusive, inserir novos questionamentos, o que é produtivo. Procuramos, assim, evitar que o inquérito, depois que chega à Justiça, volte para novas diligências. Quando um Inquérito Policial é bem feito, reduzimos a impunidade e fazemos com que o criminoso fique preso”, explicou o delegado José Lopes.

O mesmo método já havia sido adotado em Vila Velha. Serviu de inspiração para delegados de outros estados  brasileiros. “Em 2010, quando participei de um curso sobre relatório de locais de crimes, o instrutor americano, que é do FBI, me pediu uma cópia do nosso manual e levou para os Estados Unidos”, diz, orgulhoso, o delegado-chefe da DHPP capixaba. O curso foi no Paraná.

José Lopes informa ainda que, antes, a média de mortes ligadas ao tráfico de drogas no Espírito Santo chegava a 85%. Todavia, com as prisões de mais traficantes, o índice caiu para 70%. “Nossa Polícia Civil está fazendo aquilo que o governador Renato Casagrande pediu desde que tomou posse, em janeiro de 2011: precisamos realizar prisões com qualidade, com inteligência. Não adianta sair às ruas à caça de bandidos sem um trabalho eficiente de nossos setores de Inteligência”, ensina o delegado.

Durante os quatro anos em que atuou em Vila Velha, José Lopes prendeu cerca de mil criminosos, uma média de 250 prisões por ano. Na Região do Caparaó, onde trabalhou “por oito anos e 18 dias”, ganhou da população o carinhoso apelido de “Marimbondo Caçador”.

“Como responsável pelos municípios de Iúna, Ibatiba, Irupi e Ibitirama, eu era o único delegado e trabalhava com dois escrivães. Realizamos diversas prisões na região. Em 2007, vim para a DHPP, onde, com muito orgulho, trabalhei como adjunto do chefe Cláudio Victor. Depois, fui para Vila Velha e agora voltei à DHPP como sucessor do doutor Cláudio Victor, que passou a ser o nosso superintendente de Ações Estratégicas Operacionais”, diz José Lopes.

“Aqui na DHPP, entre 2007 e 2010, participei  de diversas operações. Primeiro, como responsável pelo setor de Inteligência e Planejamento da Divisão e depois como chefe da equipe de Apoio Tático Operacional. Por ano, realizamos cerca de 540 prisões. Ou seja, prendemos 540 criminosos sem dar sequer um tiro. É o que denominamos de prisões realizadas graças ao trabalho feito com inteligência, com base num Inquérito Policial bem feito”, explica o delegado José Lopes.

“Quando a polícia trabalha com inteligência, não há necessidade de se fazer operações pirotécnicas”, explica o delegado, para acrescentar: “Trabalhar com a ajuda dos setores de Inteligência significa levar um efetivo maior nas operações; significa estudar as possíveis rotas de fuga dos locais levantados (investigados)”.

O delegado explica com bom humor e saudosismo como apreendeu a administrar melhor um Inquérito Policial: “Ora, sou filho de policial. Meu pai foi detetive (investigador) da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Tive um excelente professor dentro de casa”, diz José Lopes, que finaliza:

“Quando minha mãe vê a imprensa escrever meu nome incompleto, ela lembra que eu tive um pai. O Pereira é de meu pai. Portanto, meu nome completo é José Lopes Pereira, com muito orgulho”.


 

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