Telefones e correspondências eletrônicas de dirigentes da Federação Nacional dos Policiais Federais são grampeados, denuncia Fenapef

Pelo menos 31 números de telefones pertencentes a diretores da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) são alvo de escuta telefônica feita pelo Setor de Contra Inteligência da Polícia Federal, em Brasília. Também estariam sendo alvo de monitoramento comunicações feitas entre agentes federais, escrivães e papiloscopistas que integram a diretoria da Fenapef por meio da internet, como emails, whatsapp e skype.

A informação foi confirmada na manhã desta segunda-feira (05/05) pelo vice-presidente da Fenapef, Luís Antônio de Araújo Boudens, em entrevista ao Blog do Elimar Côrtes. Segundo o dirigente, a informação chegou à entidade por duas fontes. Uma delas é uma “fonte precisa” e dá conta de que o Setor de Contra Inteligência do Departamento Geral da Polícia Federal foi acionada para investigar as conversas dos sindicalistas:

“Esta fonte nos revelou que os policiais federais que atuam no setor de Contra Inteligência ficaram surpresos e espantados com a forma com que dirigentes da Fenapef estão sendo monitorados”, disse Luís Antônio Boudens.

“Outra forma com que tomamos conhecimento sobre como estamos sendo investigados é que metade da atual diretoria da Federação veio, justamente, do Centro de Inteligência da Polícia Federal. Sabemos, portanto, todos os efeitos gerados durante uma interceptação de grampos telefônicos”, completou o vice-presidente da Fenapef.

A direção da Federação Nacional dos Policiais Federais  acredita que por trás da decisão de monitor os dirigentes da entidade esteja determinação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Segundo Luís Antônio Boudens, o ministro busca enquadrar os policiais federais na mesma legislação usada para prender o vereador Marco Prisco (Salvador-PSDB), líder grevista da Polícia Militar da Bahia:

“O ministro Cardozo tenta nos enquadrar na Lei de Segurança Nacional. Deve passar pela cabeça dele que estaríamos planejando incendiar aeroportos. É um absurdo. Fazemos nosso movimento de reivindicação por melhoria salarial dentro da legalidade, dentro da civilidade, sem prejudicar as pessoas. Sem força dentro do governo da Presidente Dilma Roussef, o ministro da Justiça procura, agora, criminalizar nosso movimento”, protestou Luís Antônio Boudens.

A qualquer momento, a direção da Fenapef vai se reunir com seu Departamento Jurídico para decidir que providências adotará. “Primeiro, precisamos checar que procedimento está sendo aberto pela Polícia Federal”, explicou Boudens.

 

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