Da Aeronáutica para a Polícia Civil, delegado José Virgílio fala do trabalho em equipe

Para o novo chefe da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV) do Espírito santo, delegado Santo José Virgílio Melo Barcellos, 52 anos, “missão dada é missão cumprida”. Carrega o lema desde que serviu à Aeronáutica, como sargento especializado, onde  ficou por 21 anos. A paixão pela carreira jurídica, porém, o fez deixar para trás a caserna, mas trouxe para as delegacias por onde passou o aprendizado militar: respeito à disciplina e à hierarquia, também comuns na Polícia Civil.


Natural de Vitória, José Virgílio entrou na Polícia Civil em 2001, depois de ser aprovado em concurso público. Outro ensinamento que trouxe da Aeronáutica foi o respeito ao trabalho em equipe: “Visito diariamente todos os setores (de uma delegacia), converso com os policiais e me interesso pelo seu trabalho e estou sempre disposto a colaborar com eles. Recentemente fiz um curso de investigação em Brasília ministrado pelo FBI. O que me chamou a atenção foi que, apesar de existirem centenas de polícias diferentes nos Estados Unidos, elas conseguem trabalhar juntas usando o modelo de força-tarefa, enquanto aqui setores de uma mesma delegacia às vezes não se comunicam devidamente. Aqui está o maior desafio no meu entender: trabalhar em equipe com  metas definidas.”

Blog do Elimar Côrtes – Unidades  por quais atuou? 
José Virgilio Melo Barcellos – Atuei em várias unidades do interior. A primeira  foi a Delegacia de Nova Venécia e já respondendo pela DP de  Boa Esperança, depois as delegacias de Marataízes, Itapemirim, Crimes Contra a Vida de Cachoeiro de Itapemirim, São José do Calçado e várias outras que respondia em razão da falta de delegados.

Em Vitória, minha primeira delegacia foi a de Roubo a Bancos em 2007, depois Cariacica-Sede e nos plantões de Vila Velha e Serra. Por último voltei à Divisão de Crimes Contra o Patrimônio, de onde saí no mês passado para a DFRV .

– Conte um pouco de sua carreira como militar da Aeronáutica.
– Ingressei na Escola Preparatória de Cadetes do Exército em 1980, ocasião em que fui o único aqui aprovado aqui do Espírito Santo.  Depois de três anos de curso, cheguei a ir para a Academia Militar de Agulhas Negras, mas decidi não continuar, pois desejava seguir carreira jurídica.

Meses depois acabei retornando mediante concurso público para as Forças Armadas como sargento especialista da Aeronáutica para poder continuar os estudos e me formei na Faculdade de Direito de Sorocaba, em São Paulo. Permaneci ao todo 21 anos como militar e saí quando, depois de aprovado no concurso, ingressei na Polícia Civil do Espírito Santo em 2001, indo, então, para a reserva não remunerada da Aeronáutica.

– A experiência na carreira militar é usada de que forma agora na Polícia Civil? 
– Minha experiência como militar contribui de diversas formas, como o respeito à hierarquia e disciplina, também exigidas na Polícia Civil, mas principalmente no meu senso de dever. Na caserna tínhamos um lema: “missão dada é missão cumprida”.

– Em 2011, o senhor foi designado chefe da Divisão de Crimes contra o Patrimônio, que passava por uma crise. No entanto, o senhor promoveu mudanças na unidade e ela voltou a ser uma das referências na Polícia Civil. Como foi esse trabalho de transformação administrativa? 
– As mudanças que fiz foram, basicamente, um diagnóstico criando indicadores de produtividade. Em seguida começamos a conhecer os servidores de cada setor e verificar suas necessidades. A partir daí, nosso trabalho teve como foco o ser humano (policiais, vítimas, etc) que é nosso bem mais precioso. Seguimos os princípios do líder servidor e por isso reconhecemos que qualquer avanço depende da motivação dos colaboradores e do apoio dos superiores, pois seria praticamente impossível melhorar a Divisão Patrimonial sem os investimentos que foram feitos em prédio, viaturas, localização de policiais e muitos outros.

– Hoje, na DP de Furtos e Roubos de Veículos, o senhor é responsável também pela transição: transferir a unidade para outro local. Como já está sendo esse trabalho? Para onde vai a delegacia?
– O processo de aquisição de novo prédio está em andamento e, em princípio, deverá ser nas imediações da sede atual, na Ilha de Santa Maria, próximo à avenida Vitória. Observamos que a atual estrutura física dificulta muito qualquer medida visando melhorar o funcionamento e o atendimento, mas tenho esperança que em breve iniciaremos  a mudança. Da mesma forma que fizemos em outras unidades iniciamos um levantamento das potencialidades e dificuldades da delegacia visando melhorar o que já dispomos ou criar novos modelos quando necessário.

– O senhor tem um perfil de administrador.  Como foi essa conquista?
– Creio que minha maneira de trabalhar me levou naturalmente a isto. Não gosto de ficar atrás de uma mesa dando ordens. Visito diariamente todos os setores, converso com os policiais e me interesso pelo seu trabalho e estou sempre disposto a colaborar com eles. Recentemente fiz um curso de investigação em Brasília ministrado pelo FBI. O que me chamou a atenção foi que, apesar de existirem centenas de polícias diferentes nos Estados Unidos, elas conseguem trabalhar juntas usando o modelo de força-tarefa, enquanto aqui setores de uma mesma delegacia às vezes não se comunicam devidamente. Aqui está o maior desafio no meu entender: trabalhar em equipe com  metas definidas.

– Qual é o índice de resolutividade de inquéritos da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos?
– O número de veículos recuperados é alta, em torno de 70%, sendo maior no caso de automóveis e menor no caso de motocicletas, caminhonetes e caminhões. As investigações da DFRV se concentram nos crimes em que o objetivo é o veículo, pois, na maioria das vezes, o veículo é roubado como meio ou no contexto de outros crimes.

As prisões em flagrante por furto e roubo são feitas em outras delegacias do Estado e não são contabilizadas como nossas, ficando registradas aqui  apenas as recuperações.

Desenvolvemos um trabalho de fiscalização e de Inteligência para identificar quadrilhas especializadas em desmanche e adulteração, que envolvem diversas pessoas que vão desde a pessoa que rouba ou furta , os que produzem documentos falsos (despachantes e funcionários públicos) até a pessoa que vende. Trata-se de investigações complexas.

Boa parte dos veículos roubados vão para outros estados onde não há tanto controle como aqui. Este controle será cada vez maior com a fiscalização dos estabelecimentos que comercializam peças usadas, plicando-se a nova lei.

– Como o senhor analisa a participação cada vez mais de jovens, principalmente de classe média, com roubos de carros? Recentemente, sua Delegacia desarticulou quadrilhas de jovens ricos com esse tipo de crime.
– Além de todos os fatores que são comumente citados como drogas e falta de controle dos pais, eu percebo que há entre eles uma supervalorização do ter em detrimento do ser. Normalmente as pessoas estudam, trabalham, acumulam riqueza e só então usufruem, que é o tempo de  semear e tempo de colher. Com esses jovens essa regra básica não é observada, para eles “eu quero, eu tomo” mesmo se isso for crime.

 

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