Casagrande dispara: “A transparência é o melhor remédio para combater a corrupção. As pessoas não veem denúncia de corrupção no meu governo”

Ao participar na manhã desta segunda-feira (11/08) da sabatina promovida pela Rádio CBN Vitória, o governador Renato Casagrande, candidato à reeleição pela coligação “Pra Frente Espírito Santo”, lembrou que, ao assumir o governo em janeiro de 2011, encontrou a segurança pública desorganizada. No entanto, conseguiu a reviravolta e espera chegar ao final do ano com mais redução de homicídios.

Casagrande ressaltou ainda que em sua gestão não houve denúncia de corrupção no governo. Pelo contrário,  foi em seu governo que a polícia, efetivamente, passou a investigar desvio de dinheiro público e a colocar na prisão políticos, empresários e servidores acusados de corrupção.

Casagrande não mencionou nomes ou fatos específicos. Porém, destacou os investimentos feitos em transparência em seu governo. “A transparência é o melhor remédio para combater a corrupção. Estou dando essa informação à sociedade capixaba. O meu governo conquistou a honra de ser considerado o mais transparente do Brasil. As pessoas não veem denúncia de corrupção no meu governo. Minha família me honrou com esses ensinamentos para não tolerar desvios. A população que avalie, qual governo tem denúncia de corrupção?”, disparou o governador.


Renato Casagrande enumerou os investimentos na política de enfrentamento à criminalidade, como a contratação de quase 5 mil policiais e aquisição de 2.700 viaturas, além da ampliação dos gastos em outras áreas:

“Lógico que tive de ampliar os gastos com custeio, mas justamente para pagar esse passivo social. Para melhorar a segurança pública, eu preciso de policiais. Quando assumimos o governo, a segurança exigia um choque de gestão para reduzir a impunidade. É lógico que eu precisava recuperar a rede física estadual de ensino, tanto que fizemos obras em 288 escolas”, comentou Casagrande ao responder pergunta de um dos entrevistadores.


Ao falar de investimento na área de segurança pública, Renato Casagrande recordou a desorganização encontrada ao assumir o governo: “Não havia no Estado um programa de enfrentamento à criminalidade; não havia nada. Estava tudo desorganizado. Iniciamos um plano de recomposição do efetivo policial. Assim, abrimos concursos públicos e contratamos quase 5 mil policiais militares e civis. Criamos o Estado Presente. Em 2009, o Espírito Santo registrou o maior índice de assassinato de sua história, que foi de 2.034 mortes. Em nosso governo, os números estão em queda. Em 2013, foram registrados 1.564 assassinatos, o menor número em 18 anos”, ressaltou o governador.

Casagrande iniciou 2011 com repressão às organizações criminosas que já estavam instaladas nos poderes estaduais e municipais do Espírito Santo. Foi assim que, em maio de 2011, cinco meses após a posse de Renato Casagrande, o Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção da Polícia Civil (Nuroc) deflagrou operação contra fraudes em licitações e desvio de dinheiro público, agora no município de Fundão.

Foram cumpridos 12 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão. Entre os detidos, seis secretários municipais, dois vereadores, além de servidores municipais e empresários. Todos estão respondendo a processos na Justiça Estadual pela acusação de fraudes em contratos firmados em metade das secretarias daquele município, com forte suspeita de que os desvios ocorriam com parte das verbas oriundas dos royalties da exploração de petróleo.

No prosseguimento das investigações de fraudes em contratações públicas das prefeituras municipais do Espírito Santo, o Nuroc, com base em um relatório produzido pela Controladoria Técnica do Tribunal de Contas do Estado, abriu investigação para apurar irregularidades diversas praticadas no âmbito de contratação da pessoa jurídica CMS Assessoria e Consultoria Ltda para consultoria e assessoria na execução de serviços de "recuperação de créditos tributários" por diversas prefeituras do Espírito Santo (Aracruz, Anchieta, Itapemirim, Marataízes, Guarapari, Piúma e Linhares).

A chamada Operação Derrama, realizada em dezembro de 2012, prendeu mais de 30 prisões, dentre elas a de sete ex-prefeitos de cidades capixabas: Guerino Zanon (PMDB), ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-prefeito de Linhares; Edson Magalhães (Guarapari); Adernar Devens (Aracruz); Edival Petri e Moacyr Carone (Anchieta); Ananias Vieira (Marataízes); e Norma Ayub, esposa do presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico de Assis Ferraço (DEM) e ex-prefeita de Itapemirim.

Os desdobramentos da operação geraram intensa movimentação política no Espírito Santo. As investigações policiais mencionaram que a negociação da contratação da CMS no município de Itapemirim envolveu Theodorico Ferraço, que à época dos fatos era secretário de Planejamento da Prefeitura comandada por sua esposa, presa pela Operação Derrama.

No entanto, o Ministério Público, contrariando o relatório final da Polícia Civil e as decisões cautelares até então prolatadas, pediu o arquivamento do inquérito contra o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Theodorico Ferraço, além da soltura de todos os ex-prefeitos envolvidos nas suspeitas de fraudes na arrecadação de créditos tributários em prefeituras capixabas. A ação contra os acusados tramita agora nas Promotorias Naturais, ou seja, nos municípios onde teriam ocorrido as supostas fraudes.

Em 2011, Renato Casagrande já havia tomado conhecimento de irregularidades no Instituto de Atendimento Sócio Educativo do Espírito Santo (Iases) e criou uma Força Tarefa, coordenada pelo delegado Rodolfo Queiroz Laterza, para investigar desvio de mais de R$ 32 milhões do órgão.

O desvio dos recursos teria ocorrido, segundo as investigações, entre 2008 e 2010, no segundo mandato do governo de Paulo Hartung. O delegado Laterza entrou em ação e, em agosto de 2012, realizou a Operação Pixote, em que prendeu 13 pessoas – entre dirigentes de autarquia do Estado, advogados, servidores públicos e empresários – acusadas de envolvimento num esquema de corrupção que teria desviado mais de R$ 32 milhões dos cofres públicos, dinheiro este que deveria ser usado na ressocialização de adolescentes em conflito com a lei.



 

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