Massacre da Rede Gazeta contra policial rodoviário federal: Até onde vai o limite da imprensa?

A Rede Gazeta de Comunicação pode estar extrapolando seus limites como um órgão sério de comunicação ao fazer uma campanha sensacionalista contra o policial rodoviário federal que teria jogado spray de pimenta contra profissionais daquele órgão de comunicação, na segunda-feira (04/08), durante manifestação de moradores da Serra que fecharam a rodovia BR-101 Norte em protesto contra a instalação de uma empresa na região.

O policial pode ter cometido erro de procedimento, o que vai ser avaliado por seus superiores e pela Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal no Espírito Santo. São eles os responsáveis pela avaliação, pois têm competência para isso.

Fica, porém, a pergunta: qual profissional de qualquer atividade nunca cometeu falha de procedimento? Nós, jornalistas, cometemos nossos erros. Quantas pessoas a própria Rede Gazeta já acusou e condenou injustamente?

Quem não se lembra do período de José Ignácio Ferreira, que A Gazeta acusou de tomar empréstimo irregular junto ao Banestes e que anos mais tarde foi absolvido pelo Superior Tribunal de Justiça, em última instância?

Quem não se lembra do massacre que a Rede Gazeta fez sobre o coronel da reserva da Polícia Militar Júlio Cezar Costa, por ter dado ordem a um capitão do Ciodes para enviar um oficial a um local de ocorrência de trânsito, onde um advogado estava sendo abordado? A Gazeta “indiciou, denunciou e condenou” o coronel, que foi absolvido – repita-se – em todas as instâncias pela Justiça, que, em nosso País, tem a atribuição de julgar as pessoas e seus delitos e não um órgão de comunicação.

E nem por isso – pelos dois fatos acima – os jornalistas da Rede Gazeta foram “expulsos”, como a empresa quer que aconteça agora com o policial rodoviário federal.

Sou, portanto, radicalmente contra a campanha que a Rede Gazeta vem fazendo contra o policial rodoviário federal, que teria, num momento de trabalho tenso, para ajudar seus parceiros a desocupar uma rodovia federal que estava fechada por agressivos e intolerantes manifestantes por mais de sete horas, na Serra, atingido jornalistas (desta mesma Rede) com spray de pimenta.

Claro que deve ter uma investigação, porque os jornalistas também estavam lá trabalhando. Porém, mesmo em trabalho, os jornalistas devem respeitar as autoridades e os limites impostos pelas autoridades. Foi constrangedor ver pela TV Gazeta o superintendente Regional da Polícia Rodoviária Federal no Estado, inspetor Argeu Rangel, tendo que explicar para um inexperiente repórter porque não poderia revelar o nome do policial envolvido no incidente. Como se o nome fosse mais importante do que o próprio gesto, tão criticado e massacrado pela Rede Gazeta.

O policial rodoviário estava em nome do Estado, da Ordem e da Lei. Ao desobedecerem a ordem do policial, os jornalistas, naquele momento, faziam parte do problema. Nós, jornalistas, também temos que aprender. Não é só porque estamos com câmeras, caneta e papel nas mãos que podemos sair por aí falando que agimos em nome da democracia. Democracia também é respeitar as leis e as autoridades.

 

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