Fabiano Contarato joga a toalha mais uma vez e pede para sair da Delegacia de Delitos de Trânsito

O delegado Fabiano Contarato acaba de pedir  transferência da Delegacia de Delitos de Trânsito da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo. O delegado enviou ofício ao secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, André Garcia, e ao chefe de Polícia Civil, delegado Joel Lyrio Júnior, expondo os motivos da remoção, que, segundo ele, é em caráter  irrevogável e irretratável”.

Em sua página no facebook, Fabiano Contarato, que já havia desistido de disputar vaga ao Senado Federal pelo Partido Republicano – ele chegou a lançar candidatura, mas depois recuou –, publica parte do ofício encaminhado à sua chefia.

O delegado deixa claro que sai da DP de Delitos de Trânsito por conta de divergências com o diretor geral do Detran, Carlos Lopes – mas sem citar o nome de Lopes –, por conta do episódio em que o Detran se recusou a fornecer a Contarato nomes e endereços de motoristas com CNH suspensa ou cassada. Fabiano Contarato também cita outros motivos pelos quais deixa o cargo.

Explicações do delegado Fabiano Contarato no facebook

 “Durante todo o período em que estive à frente da Delegacia de Delitos de Trânsito, sempre observei os princípios da Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência.

Ocorre que os últimos acontecimentos – dentre eles:  Direção do Detran em negar o fornecimento de nomes e endereços de motoristas com CNH suspensa ou cassada, CETRAN cancelar Auto de Infração de motorista flagrado em “Lei Seca”, Deputado, Senador, Policiais (em nível nacional) se recusando a fazer o teste do Etilômetro – não me deixam outra alternativa senão colocar meu cargo à disposição e desde já solicito remoção da Delegacia a qual trabalho.

É lamentável, mas o Poder Público banaliza a vida humana em detrimento do poder econômico, financeiro e patrimonial.

Eu sou uma pessoa de ação, me oponho às injustiças e aos erros seja de quem for, e continuarei cobrando do Poder Público que cumpra o seu dever em preservar o principal bem jurídico, que é a vida. Não posso ignorar os crimes praticados por qualquer cidadão, mesmo que ele seja ele de alto cargo ou poder aquisitivo. Não posso ficar refém daqueles que usufruem de privilégios e muito menos temer o impacto de uma declaração ou denúncia para preservar a imagem de qualquer pessoa ou instituição, tendo em vista que venho cumprindo a máxima de que “TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI”. Como servidor público, meu trabalho deve ser regido por princípios como a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade e a eficiência.

Vale dizer que a liberdade de exercer minha profissão é meu direito como cidadão, cuja restrição somente se justifica quando prevalecem os interesses da coletividade sobre os individuais. Caso contrário, estaria obedecendo à “lei da mordaça”.

Vale frisar que no exercício de nosso múnus público não iremos temer abusos, ameaças e qualquer discriminação atentatória a direitos e garantias fundamentais a vida, bem como não iremos nos intimidar, pelo contrário, iremos buscar junto as Autoridades Competentes, no caso Tribunal de Justiça, Procuradoria do Ministério Público e Governo do Estado do Espírito Santo, respostas eficazes no combate a violência, o que assegurará a Sociedade a certeza de um mundo melhor.

Um mundo melhor e sem violência, no qual os governantes e todos nós almejamos, só irá florir se tivermos um pouco mais de bom-senso e pudor. Se começarmos querermos ser produtivos, úteis, solidários dentro do nosso círculo de trabalho, família e comunidade, agir com comprometimento com a causa maior, sem temor e receio, sempre em total obediência à Lei.

Como Autoridade Pública, poderemos ajudar se não tivermos receio de criticas e não desviarmos o rosto e os olhos e fecharmos a boca, bem como se não aceitarmos fatos ruins como coisa natural. Se cumprirmos com excelência nosso dever de cada dia, ajudaremos a mudar as coisas que podem ser mudadas. O que tornaria possível mudarmos o mundo, mudando por pouco que seja os princípios e valores de cada um de nós, o desejo do bem do outro, e uma convivência menos truculenta

Diante de todo exposto, conforme entendimento verbal mantido com Vossa Excelência, solicito minha REMOÇÃO imediata da Delegacia de Delitos de Trânsito, o que faço em caráter IRREVOGÁVEL e IRRETRATÁVEL.”

Nota do Blogueiro: Fabiano Contarato é um excelente delegado. Espera-se que a sociedade não perca referência na Delegacia de Delitos de Trânsito e que a unidade continue trabalhando para a população (vítimas) e não para os poderosos, que dão carteirada quando são abordados em blitz de trânsito. Espera-se que um dia a direção do Detran entenda que o órgão deve trabalhar em conjunto com as demais forças de segurança pública e deixe de lado a burocracia. Para o bem da sociedade.
 

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