Nova Delegacia de Delitos de Trânsito: Os bastidores da operação policial que desmantelou a Máfia dos Táxis de Cariacica

Madrugada do dia 23 de setembro de 2014. Mais de 80 policiais civis, entre delegados, investigadores e escrivães já estavam apostos no pátio do Detran do Espírito Santo, onde funciona a Delegacia de Delitos de Trânsito da Polícia, na avenida Nossa Senhora da Penha, em Vitória, para cumprir uma missão inédita daquela unidade policial: a realização de uma operação, que culminou na prisão de pessoas acusadas de integrar a Máfia dos Táxis de Cariacica e que age em toda a Grande Vitória.

“Foi uma operação realizada com muito sucesso. Estão de parabéns a todos que participaram da operação, que teve apoio da Superintendência de Polícia Especializada (SPE) e do GOT (Grupo de Operações Táticas)”, resumiu o secretário de Segurança Pública e Defesa Social Municipal de Cariacica, o delegado de Polícia Civil Fabrício Dutra, que também participou da ação.

A Operação Trânsito S/A foi comandada pelo novo titular da DP de Delitos de Trânsito, delegado Maurício Gonçalves da Rocha. Ele teve o apoio de seu adjunto, delegado Alberto Roque Peres, e do chefe do GOT, delegado Eduardo Carvalho Khaddour.

A partir das 6 horas, quando o dia clareou e conforme determina a Constituição Federal, os delegados e demais policiais saíram nas viaturas com destino aos endereços dos acusados. Foram a bairros de Cariacica, Vitória, Vila Velha e Serra, onde prenderam 16 acusados da prática de diversos delitos, como corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, estelionato e crimes previstos no Código Nacional de Trânsito.

“Investigamos irregularidades da permissão de placas de táxis no âmbito do município de Cariacica, mas os acusados residem em vários locais da Grande Vitória”, informou o delegado Maurício Gonçalves da Rocha.

Os táxis de Cariacica, legalizados e clandestinos – ambos têm as mesmas características, inclusive placas, adesivos da Prefeitura, taxímetro e o aparelho em cima do veículo com a identificação de “táxi” –, circulam por toda a Grande Vitória. Os táxis clandestinos recebiam as mesmas características  dadas aos legalizados de maneira fraudulenta. Cada placa clandestina custava de R$ 60 mil a R$ 200 mil. O preço variava de acordo com a praça do táxi.

As investigações foram concluídas pela nova equipe da Delegacia de Delitos de Trânsito porque os carros clandestinos obtiveram permissão para circular como táxis por meio de corrupção e não estão cadastrados nem na Prefeitura de Cariacica e nem no Detran.

Por isso, sempre que veem a presença da Polícia Militar ou de agentes de trânsito numa ação de fiscalização, os taxistas clandestinos fogem das abordagens, pois estão dirigindo um veículo ilegal e inseguro. Dessa forma, colocam em risco a vida dos passageiros e de pedestres. Por isso, os delegados Maurício Gonçalves da Rocha e Alberto Peres, ao mesmo tempo em que investigaram a ação de uma organização criminosa, estão também evitando futuros crimes previstos no Código Nacional de Trânsito.

Na operação desta terça-feira, a polícia prendeu 16 pessoas. Um dos alvos, o 17º suspeito, já se encontrava preso pela acusação de assalto. Na ação, a polícia aprendeu armas e veículos.


Secretário revela como agia o ex-chefe do setor de liberação das placas de táxis

Ao assumir a recém criada Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social de Cariacica, o delegado de Polícia Fabrício Dutra recebeu em sua Pasta a Gerência de Trânsito, que antes era ligada à Secretaria de Serviços Urbanos. Logo de cara, ele  detectou “algumas condutas inadequadas” por parte do então coordenador de Trânsito da Prefeitura, Mário Rogeli, que também foi preso nesta terça-feira.

Rogeli era, então, o coordenador do setor que autorizava concessão de táxi em Cariacica. Fabrício Dutra conversou com o prefeito Juninho e ambos entenderam, para o bem das investigações – que na ocasião já vinham sendo desenvolvidas pelo Ministério Público Estadual –, transferir Mário Rogeli para outro setor, para não levantar suspeita de que o servidor era alvo de investigação policial.

Porém, foi aberta uma investigação administrativa sumária, que concluiu que Rogeli tinha uma conduta ilícita. O Diário Oficial traz nesta terça-feira a publicação da exoneração do servidor.

Ex-prefeito Helder Salomão liberava placas sem licitação, diz secretário

Segundo o secretário Fabrício Dutra, quando Juninho assumiu a Prefeitura, em janeiro de 2013, encontrou o setor de liberação de placas de táxi em situação irregular. A administração anterior de oito anos – o prefeito era o petista Helder Salomão – concedia placas de táxi sem licitação.

“Ao assumir o cargo, o prefeito Juninho suspendeu todos os tipos de permissão para novos táxis. Mas, infelizmente, o ex-coordenador Mário Rogeli continuou liberando placas, adotando outro modus operandi: ele fazia, junto com os demais integrantes da máfia, a clonagem de placas e ainda não recolhia tributos para o Município”, informa Fabrício Dutra. “Antes da posse do Juninho, havia pelo menos pagamento de taxas por parte dos novos donos de placas, que eram liberadas sem licitação pública”, completou o secretário.

Em reuniões com Juninho, Fabrício Dutra recebeu carta branca para agir contra a Máfia dos Táxis. “O prefeito mandou cortar reto e na própria carne. Ele me deu a seguinte ordem: procurar os dados de todas as permissões”, disse Dutra.

Foi aí que o secretário descobriu mais uma irregularidade: o número de placas de táxis oficiais – ou seja, legalizadas pelo poder público municipal – era incompatível com a quantidade de carros e de pessoas que exploram o serviço: “Detectamos que há em Cariacica 557 placas legalizadas, mas o número de táxis com slogan do município e com placas é muito maior. Pode ser até quatro vezes maior”, acredita o secretário Fabrício Dutra.

A partir da Operação Trânsito S/A, a Prefeitura de Cariacica vai fazer mudanças na legislação que estabelece regras para permissão para táxis no município: “Cariacica está crescendo. Temos o novo estádio Kleber Andrade, que vai receber, em novembro, o show de Paul McCartney. Em breve, virão mais atrações. O prefeito Juninho quer um serviço de táxi decente e regularizado dentro das normas legais, sem existência de clandestinos. O prefeito já decretou: tolerância zero com qualquer tipo de corrupção”, disse Fabrício Dutra.

“A administração passada concedia permissão para táxis sem licitação. O prefeito Juninho cortou tudo isso”, disse o secretário Fabrício Dutra.

Ele acrescentou que o município vai criar uma nova lei. Para isso, promoverá reuniões com o Sindicato dos Taxistas, a sociedade em geral e o Conselho Municipal de Trânsito para elaborar uma legislação específica e publicação de edital para licitação. Para conseguirem placas de táxi, no futuro, as pessoas terão de participar de concurso público.

Crédito de fotos: Leandro Nossa/Gazeta Online.

 

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