Hartung é pressionado para levar Rodney Miranda de volta à Secretaria de Segurança Pública, mas deputado Gilsinho Lopes corre por fora

O governador eleito Paulo Hartung (PMDB) está resistindo o quanto pode, mas a pressão de seus aliados do DEM é muito forte. Políticos como Élcio Álvares e o atual presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço, querem que Hartung leve de volta à Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) o atual prefeito de Vila Velha, o delegado federal aposentado Rodney Miranda (DEM).

O próprio Rodney Miranda vem pressionando Paulo Hartung para que o convite lhe seja feito. Rodney foi secretário de Segurança em dois períodos nos dois mandatos de Hartung. Não deixou nenhuma saudade. Ele foi secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo entre 2003 a 2005 e 2007 a 2010, secretário de Defesa Social do Estado de Pernambuco de janeiro a dezembro de 2006 e secretário Municipal de Defesa Comunitária de Caruaru de janeiro a abril de 2007.

Para que Rodney seja “convidado”, está sendo feita a seguinte costura: ele renuncia ao resto de seu mandato de prefeito – mais dois anos – e, em seu lugar, assume o atual presidente da Câmara Municipal, vereador Ivan Carlini (DEM). Essa estratégia é possível porque o vice-prefeito de Rodney, Rafael Favatto (PEN), foi eleito deputado estadual com 23.383 votos. Favatto não tem intenção de assumir a Prefeitura. Uma vez no posto de prefeito, Carlini convoca novas eleições e o nome a ser apoiado por Rodney Miranda e seu grupo seria o do candidato derrotado ao Senado Neucimar Fraga (PV), justamente antecessor do atual prefeito-delegado-aposentado.

Há vários motivos para Rodney Miranda querer sair do cargo de prefeito. Um deles é a sua gestão, considerada desastrosa. O delegado federal aposentado não tem qualquer perfil de bom administrador, o que já havia demonstrado quando foi secretário de Segurança de Hartung. Hoje, Vila Velha está mergulhada numa balbúrdia administrativa.

Saindo da Prefeitura, Rodney acredita que logo será esquecido pelo povo de Vila Velha. Assim, voltando a ocupar um cargo no Executivo Estadual, ele ganha fôlego para que, daqui a quatro anos, dispute nova vaga na Assembleia Legislativa – ele ocupou o cargo de deputado estadual entre 2011 e 2012, quando saiu do Parlamento para ser prefeito.

À frente da Secretaria de Segurança Pública, Rodney Miranda voltaria a ser o “Rambo” da polícia capixaba e ganharia novamente holofotes da imprensa – que adora filmá-lo e fotografá-lo com roupa de policial indo atrás de bandidos comuns nas ruas da periferia da Grande Vitória.

Paulo Hartung procura resistir. Sabe que não pode errar de novo num dos setores mais problemáticos de seus dois governos: a Segurança Pública. Hartung, no fundo, reconhece que seu sucessor, o governador Renato Casagrande (PSB), mudou a área da água para o vinho.  Acertou a mão quando colocou na Sesp o pernambucano André de Albuquerque Garcia, que foi, por sinal, um dos subsecretários de Rodney e trazido por ele de Pernambuco para o Estado capixaba. Só que André Garcia é o antídoto de Rodney quando o assunto é gestão pública: Garcia tem competência e carisma com sua equipe.

A pressão sobre Paulo Hartung, porém, é forte. Parte de seus amigos, como o ainda deputado estadual Élcio Álvares – que perdeu a reeleição – e de Theodorico Ferraço: ambos querem ter Rodney Miranda na Sesp. Só que o governador eleito não é de aceitar muita pressão. Rodney Miranda vai ter que ter muita carta na manga.

Enquanto isso, outros nomes surgem nos bastidores para compor a Secretaria de Segurança Pública: o advogado criminalista Henrique Herkenhoff, ex-procurador Regional da República e ex-desembargador federal; e o deputado estadual e delegado de Polícia licenciado Gilsinho Lopes (PR), que foi reeleito para mais um mandato.

O nome de Herkenhoff aparece por conta de sua estreita ligação com Paulo Hartung – aliás, foi Hartung quem indicou Herkenhoff para ser o primeiro secretário de Segurança Pública de Renato Casagrande. O nome inicialmente analisado por Casagrande na época era o do ex-diretor geral da Polícia Federal e ex-diretor da Interpol para a América do Sul, delegado federal Armando Possa, que foi também superintendente Regional da PF no Espírito Santo. Casagrande chegou a conversar com Armando Possa, falando do convite, mas, na hora “H”, pesou a indicação de Paulo Hartung, de quem, aliás, Casagrande perdeu a reeleição no dia 5 de outubro. Coisas da política.

Delegado experiente, que demonstrou competência pelas delegacias e Superintendências da Polícia Civil por onde passou, o deputado Gilsinho Lopes ganhou força após o senador Magno Malta (PR), que era inimigo público número 1 de Paulo Hartung, se aproximar do futuro governador e declarar a formação de uma nova amizade. Se Gilsinho ganhar a corrida, ele abre brecha para que o também delegado de Polícia Civil Danilo Bahiense, primeiro suplente do PR, assuma sua vaga na Assembleia Legislativa. Dos altos de seus 13.806 votos conquistados na eleição do dia 5, Danilo Bahiense seria um forte aliado de Hartung no Parlamento.

O nome de Gilsinho, hoje, seria um dos poucos a agradar todos os setores da segurança pública: ele tem livre acesso nas Polícias Civil e Militar e dialoga sem arrogância com oficiais da PM, delegados e demais servidores das duas corporações. E é o atual presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa.

 

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