“Comunidade, reaja antes que seja tarde demais!”, alerta coronel Klinger a respeito do sequestro coletivo de estudantes no México

Em 26 de setembro de 2014, 43 estudantes desapareceram após terem sido atacados a tiros pela polícia em Iguala, no estado de Guerrero, México. Os jovens estudavam em uma Escola Normal Rural, em Guerrero, e tinham viajado para Iguala para participar de um protesto relacionado à situação da educação no país. No caminho de volta, a polícia abriu fogo contra os ônibus que levavam os estudantes.

Seis pessoas foram mortas e 20 ficaram feridas. Cerca de 20 estudantes foram presos pela polícia. Outros 43 foram sequestrados e permanecem desaparecidos. Este caso não é único no México, onde os sequestros e desaparecimentos são uma prática comum em um contexto em que as autoridades muitas vezes se mostram coniventes com gangues criminosas.

Nesta sexta-feira (14/11), o coronel da reserva da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais e escritor  Klinger Sobreira de Almeida publica no Blog do Elimar Côrtes artigo em que retrata como foi o sequestro coletivo no México e faz um apelo para que as autoridades brasileiras não permitam que tal método do crime organizado mexicano não chegue ao Brasil. Aliás, como revela o coronel Klinger, o governo brasileiro está mudo em relação ao episódio no México. Abaixo, o artigo do coronel Klinger

SINAL VERMELHO


Acostumamo-nos ao noticiário quase diário dos massacres coletivos e sequestro de grupo de adolescentes, com fundo em fanatismo religioso, em países da África e Ásia: Nigéria, Iraque, Síria, Afeganistão, Paquistão etc. Assusta-nos, porém, quando essa prática bárbara, agora fundada e lastreada no império do tráfico doméstico e internacional do tóxico – entrelaçada aos segmentos podres da política, polícia, justiça, empresa e outros – chega ao ocidente.

26Set14. México. Estado de Guerrero. Estudantes da escola de Ayotzinapa protestam na cidade de Iguala.

A mando do Pref. J L Abarca e sua mulher Maria de los Ángeles, visando exemplar contra futuras pretensões a protestos, a polícia desceu o cacete nos estudantes e prendeu 43 deles, entregando-os aos traficantes que dominam o nefando, mas altamente rentável comércio.

Faz quase 50 dias. As famílias  desesperadas. O clamor levanta-se nas cidades do México, América Latina (menos Brasil!), EEUU e Europa. O Prefeito, já cassado, e sua mulher, presos. Traficantes detidos revelam que a polícia lhes entregou os jovens que teriam sido trucidados. No entanto, os cadáveres não são localizados. Segundo o Procurador Geral da República, há indícios de que os estudantes foram queimados vivos em um lixão. Enquanto isto, os familiares, educadores, colegas e amigos mantêm acesa a chama da esperança.

Eis, em síntese, o acontecimento terrível, monstruoso... E até inacreditável!

Não obstante o Brasil esteja silente – Onde se escondeu a voz dos estudantes?! E os líderes comunitários e políticos?! – o ocorrido no México nos é um grave sinal de alerta. Passou da fase amarela e nos acena com a vermelha. A delinquência de toda ordem – furto, roubo, latrocínio, sequestro, estupro etc. – tem como pano de fundo, ou mais apropriadamente, força motriz, o tráfico de entorpecentes. Há certas grandes cidades em que esse segmento matriz – permeando a parte podre de órgãos vitais: polícia, justiça, empresariado, administração pública, poder político...- domina literalmente: obriga comércio e escola a fechar, impede acesso de agentes do poder público, inclusive polícia, estabelece leis particulares, administra os presídios... Quem  os alimenta e dá-lhes vitalidade? Os clientes. Quem são eles e onde estão? Na classe-média. Na juventude insensata. No meio artístico. São esses clientes os provedores do imenso acervo de recursos financeiros que oferecem suporte econômico ao tráfico.

Vamos permitir que esse desenho de um porvir que nos levará à submissão total  ao tráfico de drogas se expanda, enriqueça em conteúdo e densidade?!

Se a resposta é não; se o sinal vermelho foi percebido, passemos, então, à reflexão seguida de ação. Pais, deem exemplo e assumam seus filhos. Representantes políticos, voltem o olhar para a nação. Polícia, seja vigorosa na extinção da banda podre. Educadores, coragem! Não tergiversem no sublime papel! Comunidade, reaja antes que seja tarde demais.

(Klinger Sobreira de Almeida é militar  QOR PMMG, Escritor membro Academia de Letras JGR)



 

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