Coronel da reserva da Polícia Militar de Minas Gerais fala, em artigo, o que pensa do relatório final da Comissão Nacional da Verdade

Um dia depois da apresentação do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, criada há pouco mais de dois anos pelo governo federal para trazer à tona denúncias de tortura no período da ditadura militar, o coronel da reserva da Polícia Militar de Minas Gerais e escritor Klinger Sobreira de Almeida escreveu artigo para o Blog do Elimar Côrtes em que relembra o passado, fala do presente e aborda o futuro: “Na verdade, a clã dos insensatos, acolhida pelos ingênuos ou de má-fé, nos ofereceu um apoteótico espetáculo de cinismo, que a história guardará no baú dos dejetos”, diz o autor.


APOTEOSE  DA  RAZÃO  CÍNICA
(Klinger Sobreira de Almeida*)

Século passado, de 64 a 79, desenrola-se um capítulo da história do Brasil. No meio de notável desenvolvimento econômico-social, um drama pincelado em sangue de brasileiros.

De um lado, jovens atraídos pelo proselitismo de revolucionários comunistas treinados, na maioria, em Cuba ou China, pegam em armas e, em tresloucadas ações, criam focos guerrilheiros urbanos e rurais, na tentativa ilusória de estabelecer uma situação caótica que ensejasse a implantação de uma ditadura modelo maoista, ou fidelista, ou stalinista. Assaltam, explodem bombas, sequestram e matam. Fanatizados ideologicamente, suas ações extrapolam limites.

Do lado institucional, as Forças Armadas, apoiadas pela nação, combatem até exterminar o poder dos insurgentes. Nessa luta sem quartel, há, de ambas as partes, atrocidades isoladas. Ao final, vencedores, os militares dão fim, em 1979,  ao AI-5, instrumento que lhes deu respaldo para enfrentar a guerra suja imposta pelos comunistas e outros desviados ideológicos, e permitem o retorno e trânsito livre dos exilados, grande parte eleita para cargos executivos e legislativos em 1982. Ainda em 1979, por exigência pública e insistente dos vencidos, o Congresso Nacional concedeu  anistia ampla, geral e irrestrita a todos os contendores.

Passaram-se os anos. A esquerda e os pseudo-arrependidos galgam o poder. Distorcem a história, distribuem benesses aos terroristas e guerrilheiros do ontem  e querem esmagar os vencedores que, em 1979, foram magnânimos.  Eles assoalham aos quatro ventos que pegaram em armas para derrubar a ditadura militar. Não! Não é verdade. Pegaram em armas, como a jovem Dilma Roussef, e todos intoxicados por ideologias exóticas, para impingir em nossa pátria o modelo da ditadura do proletariado. E o pior: os ingênuos, ou os jovens que não viveram os anos avoengos, acreditam, por força do massacre de uma mídia manipulada, na mentira repetida insidiosamente.

O tempo passou. Sem ditadura da direita ou da esquerda, ambas condenáveis e indesejáveis, a nação caminhou pelas décadas de 80 e 90, ingressando no século XXI em plena e vicejante democracia. Vivemos problemas terríveis – estagnação econômica a ameaçar conquistas sociais, corrupção vergonhosa e desenfreada que precisa ser erradicada – mas impõe-se que o Brasil, coeso e unido em ideal e esperança, siga em frente, num rumo ascensional, construindo no presente os alicerces do futuro. Porém um grupo de políticos e intelectuais – vencidos de ontem, mas  magnânima e devidamente perdoados, ou seus herdeiros ideológicos – não enxerga o porvir, só olha pelo retrovisor, baba por uma vingança.

Ontem (quarta-feira), 10 de dezembro de 2014, assistimos essa ficção denominada Comissão da Verdade (uma comissão do engodo) entregar à  Sra Dilma Roussef – Presidente da República – e antiga terrorista comunista (mas acolhida pela democracia, e perdoada!), um relatório infamante, que investe  contra a memória de estadistas e cidadãos íntegros. Lemos, perplexos um relatório que, escrito por mentes sincopadas, pretende reescrever a história vista por lentes de trevas; pretende, num passe de ilusionismo, espancar qualquer sinal de luz do passado. São, como diria o poeta Drumond, se vivo fosse: Maniqueus  cegos; onde há o mal enxergam o bem, e onde reside o bem, veem o mal.   Além da pretensão de assassinato moral de cidadãos de bem, a falaciosa comissão extrapola e sugere destruir instituições como as Polícias Militares, algumas bisseculares, autênticas barreiras de proteção social e preservação de valores.

Diante de tanta falcatrua em relação à história, não podemos silenciar.

Na verdade, a clã dos insensatos, acolhida pelos ingênuos ou de má-fé, nos ofereceu um apoteótico espetáculo de cinismo, que a história guardará no baú dos dejetos.

(O autor, Klinger Sobreira de Almeida, é militar estadual da reserva, escritor, membro da Academia de Letras João Guimarães Rosa/PMMG)

 

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