Estratégias de luta contra o crime organizado: A história se repete a cada quatro anos no Sudeste

A cada quatro anos, os quatro estados da Região Sudeste repetem o mesmo ritual: seus governadores e secretários de Segurança Pública escolhem um local para se reunir e traçam metas para combater o crime organizado. Tem sido assim ao logo dos últimos 20 anos.

Em janeiro de 1995, pelo lado capixaba o protagonista do ritual foi Vitor Buaiz, então governador do Espírito Santo pelo PT. Foi ao Rio de Janeiro, onde o anfitrião, Marcelo Alencar, então governador fluminense, o recebeu, juntamente com representantes de Minas Gerais e São Paulo. Na ocasião, Vitor sugeriu, inclusive, a legalização do jogo do bicho como forma de “reduzir a criminalidade” e aumentar a arrecadação de impostos para os estados. Não deu em nada.

A história se repete a cada quatro anos. Quando Paulo Hartung assumiu o governo do Estado pela primeira vez, em janeiro de 2003, foi criado o Gabinete Integrado de Segurança Pública da Região Sudeste. Reuniões foram realizadas, mas não se viu nada de prático no dia a dia das pessoas.

No início de janeiro de 2007, quando Hartung iniciou seu segundo mandato, mais reuniões. Desta vez, os quatro estados que integram o Gabinete Integrado de Segurança Pública da Região Sudeste - Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo - começaram a troca de informações sobre os crimes mais relevantes ocorridos nos 109 municípios que fazem a divisa entre os estados. A decisão foi tomada em Vitória, local da reunião.

Os quatro estados ficaram de fazer um intercâmbio das ocorrências de tráfico de drogas, armas e explosivos, furtos e roubos de veículos e cargas, seqüestros e homicídios. Decidiram ainda que informações sobre organizações criminosas, fluxo migratório de quadrilhas e as movimentações nas unidades prisionais dos estados participantes também seriam compartilhadas.

Pelo jeito, o encontro não surtiu nenhum efeito prático porque agora, oito anos depois, os governantes dos quatro estados – tendo Paulo Hartung de novo como um dos protagonistas – voltam a se reunir, em Brasília e com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Traçam metas para redução da criminalidade, com operações nas divisas dos quatro estados e com apoio do Exército.

Desta vez, porém, trazem para a discussão novas sugestões, como o endurecimento das leis criminais, aumentando a pena para menores que cometem crimes graves, como homicídios, estupros e latrocínio (roubo seguido de morte) e mudança na Constituição Federal que permita a União maior interferência e participação na segurança pública dos estados.

Talvez, a reforma do Código Penal Brasileiro e do Estatuto da Criança e do Adolescente seja o melhor caminho. As operações cinematográficas são importantes, mas quando os policiais viram as costas, os bandidos voltam a tomar conta daquilo que consideram como seu terreno.

Vale destacar, no entanto, que o secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo, André Garcia, remanescente do governo de Renato Casagrande, sempre defendeu a integração das forças de segurança não só nos discursos, mas sobretudo na prática. Sob sua responsabilidade, o Estado teve uma atuação excelente durante a Copa do Mundo, em que foi sede de treinamento  das seleções de Camarões e Austrália. Foi o momento em que o Espírito Santo provou ser possível trabalhar com todas as polícias e as Forças Armadas de forma integrada.

 

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