Morte de jovem dentro da Prefeitura de Vila Velha e descoberta de ameaças a Rodney Miranda: Quatro anos depois, o medo volta a desafiar o Estado

É preocupante mais uma vez para a sociedade capixaba a descoberta de uma nova trama para matar o prefeito de Vila Velha, o delegado federal aposentado Rodney Miranda. O caso surge logo agora, no início de mais uma gestão do governador Paulo Hartung. O Espírito Santo passou os últimos quatros anos – 2011/2014 – sem conviver com ameaças vindas do que se chama de crime organizado.


O mesmo não ocorreu nos oito anos anteriores, de 2003 a 2010, diante os dois primeiros mandatos de Hartung. Logo no terceiro mês da gestão Hartung, o juiz Alexandre Martins de Castro Filho,que integrava o grupo de magistrados, promotores de Justiça e procuradores da República que ajudava a Missão Especial da Polícia Federal no combate ao crime organizado no Espírito Santo, foi executado a tiros, em Vila Velha.

A morte do jovem Diego Biasutti, de 28 anos, que invadiu a Prefeitura Municipal de Vila Velha, na manhã desta sexta-feira (23/01), foi inevitável: o rapaz agrediu, com golpes parecidos com os de artes marciais, o vigilante Jhonatan Souza dos Santos e acabou morto com um tiro na cabeça. O vigilante agiu em  legítima defesa. Diego invadiu a sede da prefeitura e foi até o gabinete do prefeito, gritando que iria matar Rodney Miranda. Se ele cumpriria a ameaça, é outra coisa. Ainda bem que o prefeito estava em agenda externa, não dando chance para o agressor tentar algo de errado.

Para o prefeito Rodney Miranda, Diego Biasutte, que era técnico em Informática, pode ter ligação com alguma organização criminosa. O prefeito revelou que recebeu uma informação do Serviço de Inteligência da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) de que o traficante Fernando de Oliveira Reis, Fernando Cabeção, que está preso por ter sido condenado como um dos intermediários do assassinato do juiz Alexandre Martins, ocorrido em março de 2003, estaria recrutando pistoleiros para matá-lo.

"Não havia nada específico contra mim, mas como essa pessoa está envolvida na morte do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, eu e outras autoridades fomos alertados. Como esse traficante é daqui de Vila Velha, do bairro Guaranhuns, não descartamos a possibilidade desse indivíduo [o Diego] ter sido motivado a vir para a prefeitura por alguém ligado a essa pessoa", ressaltou Rodney Miranda, em entrevista coletiva.

Fernando Cabeção sempre foi acusado de comandar o tráfico em Vila Velha, onde teria criado o Primeiro Comando de Guaranhus. Ele está preso pela morte do juiz e por outros crimes. Chegou a ser transferido para um presídio federal, fora do Espírito Santo, mas retornou ao Estado por ordem judicial.

O prefeito tem motivos para se preocupar. Ele foi secretário de Segurança Pública do governo Paulo Hartung por dois períodos e desagradou a vários seguimentos do chamado crime organizado capixaba. Colocou na cadeia diversos traficantes e outros acusados de chefiar parte do crime organizado.

Quando Rodney era secretário, foi interceptada uma carta escrita por um chefão do tráfico preso na antiga Penitenciária de Pedra D’Água, em Vila Velha, para criminosos do morro Jesus de Nazareth, em Vitória, que fica exatamente em frente à sede da Secretária de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, onde Rodney Miranda despachava.

Na carta, o traficante dava ordens para seus “soldados” prepararem atentados contra Rodney. Cópia da carta chegou até a redação da TV Tribuna por pessoas do bem, mas ligadas por laços familiares aos bandidos do morro. A empresa jornalística entregou a carta a um dos oficiais responsáveis pela segurança de Rodney Miranda.

Pode ser que outras mensagens tenham sido entregues diretamente aos bandidos de Jesus de Nazareth. Porém, o serviço prestado pela empresa de comunicação ajudou Rodney Miranda e sua equipe a montarem uma melhor estrutura de segurança para o então secretário.

O que espanta, no entanto, é que durante os quatro anos do governo de Renato Casagrande – de janeiro de 2011 a dezembro de 2014 – o Estado perseguiu e colocou na cadeia diversos integrantes do crime organizado. Abriu, inclusive, inúmeras investigações, por meio do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc), contra políticos, empresários e servidores públicos acusados de corrupção em dezenas de prefeituras e em órgãos públicos estaduais.

Nesta toada, entraram operações importantes como a Lee Oswald (esta feita pela Polícia Federal), que desarticulou um esquema de desvio de mais de R$ 100 milhões dos cofres da Prefeitura de Presidente Kennedy. Teve ainda a Operação Pixote, que mandou para a cadeia mais de 20 servidores públicos acusados de desviar R$ 35 milhões do Instituto de Atendimento Sócio-Educativo do Espírito Santo (Iases).

O escândalo derrubou, inclusive, a então presidente do Iases, Silvana Gallina, e o secretário de Estado de Justiça, Ângelo Roncalli, que, assim como Silvana, era remanescente do governo Paulo Hartung. Aliás, o desvio de recursos apurados na Operação Pixote ocorreu na segunda parte do governo Hartung, quando Silvana Gallina já dirigia o Iases. As investigações, no entanto, ocorreram somente no governo de Renato Casagrande. Teve ainda a Operação Derrama, que pôs atrás das grades dezenas de ex-prefeitos.

Como se vê, assim como fizera Paulo Hartung em seus oito anos, o governo passado de Renato Casagrande também combateu o que se chama de crime organizado e nem por isso foi ameaçado por alguns de seus integrantes.

O crime organizado, para agir, observa as ações dos governos na área de segurança pública e a diferença entre Paulo Hartung e Renato Casagrande foi enorme. Casagrande deu muito mais valor à segurança em quatro anos do que Paulo Hartung em oito.

Em seus quatro anos, Casagrande investiu R$ 423.927.333.58 no setor, enquanto  Hartung, de 2013 a 20110, investiu R$ 310.368.064,33. E Hartung começa sua terceira gestão promovendo cortes em todos os setores, inclusive na delicada área de segurança pública.

Com o foco voltado, especialmente para o setor de segurança pública, Renato Casagrande conseguiu fazer com que em seus quatro anos de governo, o Estado não registrasse nenhum assassinato com característica de crime de mando em que os alvos foram políticos ou autoridades policiais e do Judiciário. Esse feito se deve à redução da impunidade.

Que as ameaças feitas agora contra o prefeito Rodney Miranda sejam logo investigadas e desvendadas pela Polícia Civil e que o medo que tomou conta e apavorou o Espírito Santo em tempos recentes fique tão somente no passado.

E que a morte do jovem Diego Biasutti seja só uma coincidência e provocada por um “louco” e “viajante” usuário de drogas.

 

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