Sindicato dos Delegados vê “colapso operacional na segurança pública” do Espírito Santo e pede a secretário “reflexão humilde e autocrítica” para acabar com a crise

O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado do Espírito Santo (Sindepes), Rodolfo Queiroz Laterza, encaminhou nesta segunda-feira (30/03) ofício ao secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, André de Albuquerque Garcia, em que demonstra a preocupação da categoria com o que denominou de “colapso operacional na segurança pública”. Laterza pede ao secretário que faça uma “reflexão humilde e autocrítica” para o restabelecimento de uma política mais profissional no setor, que é um dos que mais sofrem com os cortes financeiros promovidos pelo governador Paulo Hartung (PMDB).

Rodolfo Laterza enviou também ofício à atual chefe de Polícia Civil, delegado Gracimeri Gaviorno, a quem solicita a imediata ligação da internet nas unidades da instituição – a internet foi cortada há mais de um mês em 62 delegacias de Polícia –, além do restabelecimento das cotas de combustíveis das viaturas.

Ao secretário André Garcia, o delegado Rodolfo Laterza enviou ofício com posicionamentos firmes, ponderados e despersonalizados.  Ele inicia afirmando que “diante de cortes de materiais  e serviços essenciais e até de internet  é de iminente colapso e  de uma crise de proporções inestimáveis neste segmento, já que anos foram desperdiçados em medidas erráticas e que neste cenário de crise institucional e econômica se agravam consideravelmente.”

Rodolfo Laterza diz que a segurança pública enfrenta problemas estruturais de toda ordem, mas reconhece que “são herdados não de agora, mas de anos de descaso e improviso, tais como salários aviltantes, má distribuição do efetivo, sucateamento geral de unidades, falta de cursos de formação básica e continuada”. Para o presidente do Sindepes e da Associação dos Delegados de Polícia do Espírito Santo (Adepol), “os problemas conjunturais atuais criam esta perspectiva de colapso pleno, obviamente não desejado por ninguém, em que pesem advertências feitas por nós em distintas ocasiões e lamentavelmente incompreendidas”.

Laterza afirma ainda que perante a categoria de delegados de Polícia “não funcionam discursos, eufemismos ou retóricas que mascaram a realidade aviltante”. Ele critica o fato de o Estado deixar o delegado de Polícia ou responsável por alguma unidade policial ao “relento” e tendo muitas vezes que buscar junto às prefeituras “o provimento de serviços e materiais básicos para o funcionamento de unidades policiais, os quais seriam de responsabilidade desta Secretaria,  já que delegados de polícia e policiais como um todo não são indigentes nem devem ser tratados como tal. São acima de tudo PESSOAS, que necessitam ser respeitadas em suas dignidades humanas e funcionais.”

Laterza explica ainda que não existem espaços para cobranças extemporâneas, como “excessos de carga horária,  uso de carros particulares em diligências operacionais ou mesmo custeio do próprio salário (baixo) de questões basilares à dignidade de qualquer profissional, como compra de ar condicionado, resmas de papel, munição ou equipamentos que deveriam ser providos por esta Secretaria de Segurança Pública.”

Crítico, porém respeitoso em suas palavras, Rodolfo Laterza diz no ofício endereçado ao secretário André Garcia que “esta realidade lamentável mascarada muitas vezes em mensagens que não se coadunam com o que é real e concreto não pode mais subsistir perante a sociedade e a opinião pública.”

Ao encerrar, o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Espírito Santo ressalta que “os índices de criminalidade já apresentam uma tendência de alta, tal como registrado em fevereiro do corrente ano, o que torna a situação ainda mais crítica, não obstante a dedicação heróica de muitos servidores da segurança pública deste Estado.”

Ao final e em nome de todos os delegados, Rodolfo Laterza diz ao secretário de Segurança, André Garcia, que “pugnamos por uma reflexão humilde e autocrítica de todo este quadro, principalmente com vistas a corrigir estas máculas tão negativas, cujas maiores vítimas são os profissionais de segurança pública e a coletividade de nosso Estado.”

À chefe de Polícia Civil, Sindicato pede intervenção na Superintendência de Tecnologia da Informação

No ofício encaminhado nesta segunda-feira à chefe de Polícia, delegada Gracimeri Gaviorno, o presidente do Sindepes e da Adepol, Rodolfo Laterza, faz as seguintes reivindicações:

1. Intervenção imediata na Superintendência de Tecnologia da Informação, diante dos cortes abruptos do serviço de internet das unidades policiais sem comunicação adequada e providências de mitigação que seriam necessárias para evitar tamanho cenário de colapso;

2. Restabelecimento o mais rápido possível do serviço de internet das unidades policiais, tendo em vista o quadro deplorável atual, com investigações paralisadas e prejudicadas por esta interrupção inaceitável, já que há impossibilidade de uso do Sistema Guardião, pesquisa de investigados, acesso a bancos de dados, bem como outras diligências imprescindíveis que se fazem necessárias para qualquer apuração razoável;

3. Otimização das despesas de custeio, com restabelecimento das cotas de combustíveis anteriormente disponíveis ou ao menos acima do valor mensal de R$ 450,00 atualmente vigente.

Para Laterza, o atendimento dos pleitos não é uma questão puramente “corporativa” ou “tipicamente sindical”. Ele lembra à chefe de Polícia que, conforme é do conhecimento dela, “a demanda é uma medida de interesse público premente e urgente, para que as unidades policiais e os profissionais da Polícia Civil possam ao menos atuar com o mínimo aceitável, já que a realidade estrutural (salários defasados ao extremo, delegacias sucateadas e condenadas) é ainda a prioridade maior de todos que lutam por uma Polícia Civil mais eficiente e decente para a sociedade espírito-santense.”

Gracimeri Gaviorno promete restabelecimento da internet dentro de 15 a 30 dias

Tão logo recebeu o ofício do Sindicato dos Delegados, Gracimeri Gaviorno informou que  dentro de 15 a 30 dias o serviço de internet já estará restabelecido. Uma nova licitação para a contratação da empresa que prestará serviços de internet à Polícia Civil já está em andamento. A interrupção na prestação do serviço decorreu da repactuação do contrato anterior.

O presidente do Sindepes e da Adepol, Rodolfo Laterza, explicou que encaminhou ofício ao secretário de Segurança Pública, André Garcia, para mostrar a “grave crise operacional, estrutural e conjuntural por que sofre nossa instituição, com advertências diversas sobre os desdobramentos deste cenário crítico.”

Segundo ele, “em diferentes momentos já nos pronunciamos na imprensa expondo as mazelas estruturais da segurança pública e cobrando medidas que corrijam estas lacunas geradas por deficiências de gestão, que provém de anos e que agora se agravam.”

 

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