CASO DA SOLDADA QUE TENTOU FAZER PROVA DE TRÂNSITO ARMADA: O que dizem examinadores do Detran e o que afirmam colegas de farda da policial

A soldada Dulcineia Oliveira Santos, lotada no Centro Administrativo da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo, tentou fazer prova de trânsito para obter a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH), mas foi impedida por examinadores do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/ES). Motivo: Dulcineia chegou para realizar a prova armada com uma pistola ponto 40. Ela estava fardada. A prova aconteceria na área próxima ao Ginásio Tartarugão, em Coqueiral de Itaparica, Vila Velha. O fato aconteceu no dia 10 deste mês, numa sexta-feira.

Servidores do Detran afirmam que a soldada teria sido levada ao local por uma viatura da Polícia Militar. Colegas de farda de Dulcinéia, no entanto, negam a informação: garantem que ela foi levada pelo esposo, no carro do casal. Examinadores do Detran que estavam no local da prova dizem que o marido da soldada teria se identificado como “tenente Dantas”, mas colegas de farda da policial afirmam que o tenente Dantas era o oficial responsável pelo CPU naquela manhã e não é  marido de Dulcinéia. O marido, informam policiais, levou a soldada ao local e foi embora. Voltou mais tarde durante a confusão.

De acordo com examinadores do Detran, ao ver a colega sendo barrada por estar armada, o cabo Reis, que conduzia a viatura, atravessou o veículo no meio da rua onde demais candidatos fariam a prova. Na confusão, a examinadora que faria a prova junto com Dulcinéia teria sido ameaçada de morte por um homem, com a seguinte frase: “Ela merecia uma bala na cabeça”. Para seus colegas da farda, cabo Reis nega com veemência que tenha atravessado a viatura no local de prova.

Este falto talvez justifique a decisão do diretor-geral do Detran, delegado de Polícia Fabiano Contarato, em baixar norma que proíbe policiais militares fardados realizarem prova de trânsito, notícia divulgada no Blog do Elimar Côrtes na quarta-feira passada (15/04) com exclusividade. Outra norma já proíbe qualquer pessoa armada realizar a prova de trânsito.

Segundo servidores do Detran, eram pouco mais das 6 horas da manhã de sexta-feira (10/04) quando Dulcinéia chegou ao local. Fardada e armada, ela foi alertada por uma examinadora que teria de guardar a arma em outro local. A soldada reagiu, mas acabou cedendo. Foi  à viatura e tentou entregar a pistola ao cabo Reis, que, por sua vez, teria se alterado.

De acordo com testemunhas, o cabo Reis disse que a colega de farda poderia, sim, fazer a prova mesmo estando armada e voltou à viatura, postando o veículo no meio da rua. Dulcinéia acabou não realizando a prova. A soldada, o marido e o cabo Reis foram embora. Pararam  na Delegacia do Ibes, onde registraram uma ocorrência contra a examinadora. Ainda no mesmo dia, a examinadora e demais colegas do Detran foram à mesma delegacia, mas os policiais civis se recusaram a registrar ocorrência, informando que já havia sido registrado um fato contra a examinadora.

Somente às 21 horas do dia 10 deste mês é que a examinadora conseguiu, enfim, registrar ocorrência e denunciar as ameaças sofridas. Conseguiu o feito na 1ª Regional (antigo DPJ de Vitória), no bairro Horto. Tanto a examinadora quanto a soldada Dulcinéia registraram o caso também na Corregedoria do Detran.

Desde o dia 10 o Blog do Elimar Côrtes vem tentando ouvir a soldada Dulcinéia, assim como cabo Reis, envolvidos no episódio. Um amigo dos dois militares, que se identificou como cabo Luiz, entrou em contato com o Blog, alegando que eles não falariam nada e que Dulcinéia estava bastante abalada com a divulgação da notícia e precisou ser medicada, na quinta-feira (16/04), depois que este Blog deu a informação sobre o fato.

Colegas de farda afirmam que a viatura não levou a soldada Dulcinéia ao local da prova de trânsito. Por ordem do Comando do 4º Batalhão, segundo esses mesmo policiais, a viatura foi buscar a policial para que ela pudesse sair do local da prova e ir direto para o trabalho.

 

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