QUINZE ANOS COMO INSTRUTOR DA SWAT: Marcos Do Val vê polícia brasileira muito melhor preparada e fala do programa ‘Heróis Reais’

O criador do Centro Avançado em  Técnicas de Imobilização (CAT), o capixaba Marcos Do Val, embarca nesta segunda-feira (06/04) novamente para os Estados Unidos. Desta vez, ele vai ministrar treinamento da técnica que criou no Espírito Santo para equipes da SWAT, na conferência denominada  ‘Texas Tactical Police Officers Association (TTPOA)’. Depois, Marcos Do Val viaja para a Europa, onde dará cursos para policiais em Portugal e na França.

Antes de viajar, Marcos Do Val concedeu entrevista ao Blog do Elimar Côrtes. Falou dos 15 anos de carreira como  instrutor da SWAT; de como driblou o ceticismo e o preconceito de algumas pessoas, por ser instrutor da Polícia sem nunca ter sido policial. Marcos Do Val fala de como venceu na carreira e dar detalhe de seu novo projeto, que é o ‘Programa Heróis Reais’, que ele criou em  sua página  no faceboock: já tem mais de 1 milhão  de seguidores em todo o Planeta.

“O projeto ‘Heróis Reais’ surgiu com a experiência com que eu tive e, aliás, ainda tenho de ver a imprensa americana sempre enaltecendo o policial, sempre colocando ele na posição de herói. Os filmes de Hollywood vão na mesma direção, mas no Brasil é o contrário. No Brasil, a imprensa fala muito mal da polícia, também porque a sociedade gosta de consumir esse tipo de matéria, porque se não gostasse a imprensa não iria postar, não iria fazer, divulgar. Então já está na hora de começar a ter essa mudança na sociedade, da sociedade entender que dentro das corporações policiais nós temos uma minoria de policiais que cometem excessos, cometem seus crimes, mas a grande maioria são de pessoas muito honestas, muito honradas, dedicadas com a profissão e que é a única profissão em que você dá a sua própria vida em prol de desconhecidos”, diz Marcos Do Val.

O instrutor acredita que hoje o Brasil tem uma polícia muito melhor preparada do que há 15 anos atrás, justam,ente por causa das oportunidades de cursos e treinamentos: “No início não se tinha essa cultura de se fazer treinamento nas empresas, era sempre nas Academias de Polícia. Então foi muita mudança, muita evolução e a gente tem visto assim, como faz uma comparação de 15 anos atrás, realmente a gente fala que existiu uma outra polícia, hoje existe uma outra polícia extremamente mais preparada do que 15 anos atrás”, afirma Marcos Do Val.

Blog do Elimar Côrtes – Que avaliação o senhor faz desses 15 anos de CATI?
Marcos Do Val – Faço uma avaliação de muita transformação na área policial, na área da segurança pública. Na época em que iniciamos não se tinha valorização do treinamento, era só focado em equipamento, em efetivo e a gente viu isso mudando muito, depois de muitas ocorrências, como o ônibus 174 no Rio de Janeiro (o caso, ocorrido em 12 de junho de 2000, no Rio de Janeiro, ficou conhecido como o ‘Sequestro do ônibus 174’. Na época, 10 pessoas foram feitas reféns. Depois de quatro horas de negociações, um policial disparou contra o sequestrador, Sandro Nascimento, mas acabou atingindo a refém, Geiza Gonçalves. Ela ainda foi baleada pelo sequestrador e morreu a caminho do hospital. As investigações mostraram que Sandro Morreu asfixiado por PMs dentro do carro da polícia, depois de rendido), depois o caso da Eloá em São Paulo (em 13 de outubro de 2008, Lindemberg Fernandes Alves invadiu o domicílio de sua ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, no bairro de Jardim Santo André, em Santo André (Grande São Paulo), onde ela e colegas realizavam trabalhos escolares. Inicialmente dois reféns foram liberados, restando no interior do apartamento, em poder do sequestrador, Eloá e sua amiga Nayara Silva. No dia 14, Nayara Rodrigues, 15 anos, amiga de Eloá, foi libertada, mas no dia 15 voltou para continuar as negociações. Após mais de 100 horas de cárcere privado, policiais do GATE e da Tropa de Choque da Polícia Militar de São Paulo explodiram a porta - alegando, posteriormente, ter ouvido um disparo de arma de fogo no interior do apartamento - e entraram em luta corporal com Lindemberg, que teve tempo de atirar em direção às reféns. A adolescente Nayara deixou o apartamento andando, ferida com um tiro no rosto, enquanto Eloá, carregada em uma maca, foi levada inconsciente para o Centro Hospitalar de Santo André, onde morreu. O sequestrador, sem ferimentos, foi levado para a delegacia e, depois, para a cadeia pública da cidade). Foram grandes ocorrências que fizeram com que os policiais passassem a buscar mais treinamento, não só nas suas instituições, mas como também nas empresas que eram especializadas nisso.

E no início não se tinha essa cultura de se fazer treinamento nas empresas, era sempre nas Academias de Polícia. Então foi muita mudança, muita evolução e a gente tem visto assim, como faz uma comparação de 15 anos atrás, realmente a gente fala que existiu uma outra polícia, hoje existe uma outra polícia extremamente mais preparada do que 15 anos atrás.

– Como foram para o senhor esses 15 anos com instrutor SWAT?
– Muita história, muita experiência. A primeira vez que estive lá (SWAT, nos EUA) foi em 2000, tinha o preconceito de eu ser brasileiro. Primeiro eu tive o preconceito aqui no Brasil e depois tive preconceito de ser brasileiro lá, né?! Porque o brasileiro não valoriza as coisas daqui e os americanos não valorizam as coisas de fora, então eu passei o preconceito aqui e lá. Mas o americano, depois que ele gosta e sente que a técnica ou o serviço é muito bem executado, então eles dão uma força muito grande. Fizeram questão de tirar esse visto O1, que é um visto de um grande reconhecimento. Prepararam toda a minha carreira nos Estados Unidos.

Me convidaram para morar, morei lá durante muitos anos. Só voltei porque eu me divorciei, tive que voltar ao Brasil para ficar próxima à minha filha, mas foi...Foi não, ainda está sendo uma experiência muito grande, porque eles têm realmente o que há de melhor, tanto em equipamento, como em táticas policiais. E como brasileiro, como capixaba, que desenvolveu táticas policiais novas e  está ensinando isso para a SWAT, foi um sonho que viro realidade. São momentos realmente marcantes assim na minha carreira e de todas as polícias que eu já dei aula em vários países, em mais de 40 países. A SWAT realmente é o maior ícone, né?! Porque realmente eles são muito bem preparados, muito bem treinados, algo assim que eu nunca vi em outro país.

– Nesse mesmo período, o senhor passou a dar curso para policiais brasileiros. O que mudou no conceito de nossas polícias, em termos de instrução e treinamento, nesses 15 anos?
– Como já falei, muita coisa mudou. É como eu falei: tivemos dois momentos marcantes assim na trajetória da polícia brasileira que foi o ônibus 174 e depois o caso Eloá em São Paulo. Então foram dois casos marcantes que fizeram com que a polícia brasileira se aperfeiçoasse cada vez mais numa situação crítica. Uma situação com refém é uma situação mais crítica que um policial pode enfrentar.

Tivemos também depois manifestações em 2013, que foram outros momentos ápices do trabalho policial, da Polícia de Choque, o aperfeiçoamento, o desenvolvimento de novas técnicas, de lidar com uma situação nova. Então eu vi um crescimento muito grande, hoje eu vejo a polícia brasileira como uma das polícias mais bem preparadas do mundo. Ela é referência em vários outros países, como uma polícia que tem uma maior experiência prática em situações de crise, pelo nível de ocorrência, pela quantidade de ocorrência que tem aqui no Brasil.

A polícia brasileira passou a ser referência de estudo de casos, de ocorrências e resultados. Tem muita coisa a avançar ainda, é lógico, ninguém pode achar que já estamos no fim, mas o que é mais importante é que se deu a partir desses anos a importância ao treinamento, ao aperfeiçoamento.

– Como é nesses 15 anos de carreira ter que provar a cada dia que o senhor é capacitado, “mesmo sendo um cidadão paisano, como se diz nos quartéis”, para dar curso e instrução para policiais?
– Isso eu sofri muito no início né, como eu falei, o preconceito de não ser policial ensinando para a polícia. Mas eu fui me especializando, fui buscando conhecimento, fui estudando, fui praticando. Hoje eu acredito que sou um especialista, um estudioso na área da Segurança Pública. Não é porque um soldado do Exército brasileiro que nunca foi pra guerra, ele não tenha os créditos e os conhecimentos adquiridos, então é importante deixar sempre claro isso. E eu aprendi também, quando tive a oportunidade de dar aula na NASA, que quem ensinava os astronautas a irem pra Lua não eram os outros astronautas que já estiveram lá, era uma equipe de cientistas, pesquisadores, engenheiros, pessoas que nunca pisaram na Lua. Então cai por terra essa questão de que tem que ser polícia para ensinar pra polícia.

O que você tem que ser é um conhecedor de técnicas que realmente vão facilitar o trabalho da polícia. Isso que é importante, são técnicas que realmente no trabalho deles vão dar resultado. E ao longo desses 15 anos muitos policiais, diversos, eu já treinei mais de 50 mil, 55 mil policiais no Brasil e a grande maioria, se não a maioria, já utilizou a técnica em trabalho, em serviço e sempre davam a comprovação da eficiência dela né?! Então isso fez com que eu me mantivesse nessa posição de instrutor da polícia no mundo inteiro e  na polícia brasileira.

Lembrando também que em 2003 eu fui agraciado com o título de Membro Honorário  da SWAT e esse título me deu a oportunidade de ficar durante cinco anos trabalhando em operações como policial americano, junto com a equipe da SWAT e com certeza essa experiência me fez desenvolver muito mais técnicas para a polícia do mundo inteiro, especialmente para a polícia brasileira.

– Como o senhor avalia o treinamento que é dado às tropas especializadas das Polícias Militares Estaduais brasileiras e, em especial, no caso do nosso Espírito Santo?
A única coisa que eu coloco, assim, é existiu como eu disse um avanço muito grande, mas ainda em comparação aos países que eu vejo, em outros países, a nossa ainda segue um treinamento militar, e como eu já disse, o treinamento militar, Forças Armadas, o objetivos delas é matar e destruir, objetivo de qualquer militar que está em guerra. Só que o policial tem um outro foco, o objetivo dele é servir e proteger.

Então se a gente acaba treinando com outro foco, outra visão, a gente acaba colocando policiais que estão nas ruas caçando bandidos e policiais que estão na rua protegendo a sociedade. Isso, para a maioria dos leigos, pode ser uma coisa sem muita importância, mas para nós que trabalhamos com treinamento vemos isso com um diferença muito grande na ação  da policia nas ruas. E nesse afastamento da sociedade com a polícia. A gente tem que entender que agora é o momento de virar o jogo e fazer com que a sociedade apoie o trabalho da polícia, tenha o policial como herói. Então se der continuidade a alguns treinamentos que estão dando a alguns Estados de mudar o foco para o treinamento de servir e proteger, de forma ainda mais rápida nós vamos ver uma unificação da sociedade com o trabalho da polícia.

– A polícia ostensiva brasileira está, em sua avaliação, em que patamar em relação às principais polícias do mundo?
– Sobre que patamar a polícia brasileira está em relação aos policiais de outro mundo, depende de qual unidade. Nós temos unidades no Brasil que têm uma experiência que nem outra polícia no mundo tem, como por exemplo, o BOPE do Rio. Para progredir, pra avançar numa área de alto risco, seja favela, seja qualquer outro local, o BOPE desenvolveu técnicas que são hoje referências no mundo inteiro, tanto é que a gente leva estruturas do BOPE para os países para dar aula, assim como estou indo agora em maio, dia 06 de Maio, para Portugal e depois para a França, onde darei uma série de treinamentos lá. Então a polícia brasileira é muito referente em algumas técnicas, em algumas especialidades, assim como a ROTA de São Paulo em patrulhamento urbano, quer dizer, uma cidade gigante como São Paulo, uma legislação que favorece a questão da impunidade, a dificuldade de ser polícia.

Em outros países, se o sujeito atenta contra a vida de um policial, pode pegar prisão perpétua ou a pena de morte e aqui não tem isso. Então o policial é muito vulnerável aqui; ele ainda se obriga pela proteção da própria vida a desenvolver técnicas que nenhum outro país alguém pensou nessa possibilidade. Então nós temos realmente unidades policiais no Brasil que estão não só ao mesmo nível, mas estão acima do nível de outras policias do mundo.

– Como é sua trajetória nos Estados Unidos?
A minha trajetória eu falo que é uma trajetória de muito trabalho e de muito reconhecimento. O americano, quando ele gosta, ele ‘avalisa’ seu trabalho e as portas se abrem de formas impressionantes, diferente do Brasil que a gente tem a sensação de estar incomodando e tem sempre pessoas sentindo incomodadas e querem puxar o tapete, passar a rasteira ou te desqualificar. Nos EUA, o americano é diferente, ele cria mitos, cria admirações e o desejo de conhecimento é muito grande.

Eles têm uma sede de conhecimento muito grande e a relação que eu tenho com os americanos é muito grande, eu tenho pais americanos, tenho irmãos americanos que foram ao longo desses 15 anos se transformando membros da minha família. Um é comandante da SWAT, foi comandante da SWAT durante 10 anos, e outro é líder do time da SWAT durante muitos anos, mas a relação que eu tenho com eles é de família. Em momentos muito difíceis da minha carreira , da minha vida pessoal, como houve o meu divórcio, eles estiveram muito próximos comigo, me dando apoio, me dando aquele carinho que todo o ser humano precisa. Então eu tenho uma admiração muito grande por eles; e um carinho muito grande pelo americano, pela forma educada que eles são e pelo desejo e a sede de conhecimento.

– O senhor se prepara para mais um curso nos EUA. Como vai ser dessa vez?
– Então, estou embarcando dia 6 de abril, numa segunda-feira, para Dallas. Vou estar dando um treinamento da minha técnica que foi  criada aqui no Espírito Santo para equipes da SWAT nos EUA, numa grande conferência chamada TTPOA (Texas Tactical Police Officers Association), uma das maiores Conferências da SWAT nos EUA. Eu vou estar como Instrutor Sênior, porque já estou há 15 anos dando aula nessa Conferência e é um prazer muito grande, porque a gente sempre conhece novos policiais da SWAT, novos membros da equipe e é um evento que tem tudo o que há de moderno no mundo em táticas e técnicas, e é mostrado ali.

Está assim, realmente, na vanguarda do treinamento policial até hoje para mim, isso é muito gratificante. Depois dessa etapa eu vou estar recebendo 30 policiais brasileiros, que nós estamos levando para lá, para treinar técnicas com a polícia americana. Então eles vão treinar salto em aeronave, tiro de fuzil, tiro de pistola, regastes de reféns, arrombamento, uma série de técnicas que eles, os americanos, têm uma especialidade ainda maior. Vamos ficar lá durante quase 20 dias. Depois  continuo, vou ensinar  para uma outra equipe da SWAT, a SWAT do Texas, a técnica de imobilização e encerro. No final do mês eu volto ao Brasil, fico apenas uma semana aqui e sigo então para uma turnê também na Europa. Vou estar dando uma aula em Portugal;  saio daqui dia 4 de maio e vou a Portugal e fico até dia 11. Depois, dia 11 de maio, u sigo para a França, vou dar um treinamento na polícia francesa e fico até o dia 16. Aí eu volto para o Espírito Santo de novo.

– Como a família entende essa sua profissão? Seus filhos acham que o senhor é policial? E os amiguinhos deles de escola, o que dizem?
– A minha primeira família, com quem eu fui casado e desfeito por conta da profissão...É um preço que a gente paga muito grande, pela dedicação. Mas como a gente vê que a gente acaba...O que a gente ensina, o que a gente repassa acaba fazendo com que o policial volte vivo para casa e os agradecimentos que eles têm por isso, de estar no seio familiar, de prestar um serviço melhor para a sociedade, isso é uma gratificação muito grande e não tem preço que pague.

Se eles me confundem como policial? Muitos sim. Mas eu sempre deixei bem claro que eu não sou polícia, que eu sou instrutor de Polícia. Em nenhum momento da minha carreira, em qualquer outro local, eu me identifiquei ou me identifico como policial, porque eu não sou um policial. É... Eu sempre me identifiquei como instrutor de Polícia e o que eu sou há 15 anos oficialmente, mais de 17, com dois anos a mais pela Academia da Polícia Civil no Espírito Santo. Mas então eu sempre me identifiquei, a minha família, a minha filha sabe que eu sou instrutor de Polícia, os amigos próximos também, todos sabem que sou instrutor, não sou um policial.

– Como foi virar personagem principal de um livro?
– Virar um personagem principal do livro foi uma coisa assim pra mim que no início me incomodou muito, de expor a minha vida, os meus desafios pessoais, os meus assuntos familiares, não me trouxe conforto. E a escritora, Ana Ligia Lyra, insistiu bastante. Ela tinha escrito alguns livros na Europa, me pressionou muito para escrever essa história, que ela achou interessante, de um brasileiro, um capixaba indo até aos EUA ensinar a melhor polícia do mundo e rodar o mundo. Mas ela fez uma pesquisa, entrevistou minha família, entrevistou os policiais da SWAT que foram meus alunos, enfim, me mandou o livro pré-pronto para que eu pudesse avaliar, e ficou guardado na minha gaveta durante anos até que quando eu me casei novamente e, fazendo a mudança para nova casa, a minha atual mulher leu, pegou o esboço do livro, leu, se emocionou, falou que era uma história incrível e que eu tinha que publicar isso. Ele me disse: “E e as pessoas tinham que ter esse conhecimento.”

E uma fala da escritora que foi um gancho muito forte e eu abri então essa possibilidade foi quando ela disse que era importante a minha filha conhecer a minha história, então aí daí eu autorizei para que pudesse publicar o livro, mas eu confesso que ao mesmo tempo que eu me senti muito honrado, eu me sinto desconfortável porque têm histórias bem pessoais, de desafios pessoais, de momentos íntimos que eu passei e que hoje todo mundo que ler tem acesso a essas informações. Uma biografia tem coisas que a gente acha legal falar e tem coisas que a gente gostaria que não falasse, mas é importante que todo mundo tenha conhecimento que a minha vida não foi fácil, foi muito desafio, com muita superação que eu consegui conquistar as coisas que eu conquistei até hoje e que ainda continuo com os desafios, porque quando você atinge o topo da carreira, você acaba incomodando muita gente, tirando muita gente da zona de conforto e, infelizmente, cria-se inimigos. Nunca foi minha intenção, mas naturalmente isso é do ser humano, naturalmente isso acontece.

– Fale um pouco de seu novo projeto, que é o ‘Heróis Reais’. Como surgiu a ideia e como vem sendo desenvolvido?
– O projeto ‘Heróis Reais’ surgiu com a experiência com que eu tive e, aliás, ainda tenho de ver a imprensa americana sempre enaltecendo o policial, sempre colocando ele na posição de herói. Os filmes de Hollywood vão na mesma direção, mas no Brasil é o contrário. No Brasil, a imprensa fala muito mal da polícia, também porque a sociedade gosta de consumir esse tipo de matéria, porque se não gostasse a imprensa não iria postar, não iria fazer, divulgar. Então já está na hora de começar a ter essa mudança na sociedade, da sociedade entender que dentro das corporações policiais nós temos uma minoria de policiais que cometem excessos, cometem seus crimes, mas a grande maioria são de pessoas muito honestas, muito honradas, dedicadas com a profissão e que é a única profissão em que você dá a sua própria vida em prol de desconhecidos.

Então isso é visto em outros países com muita honra, posição de herói assim mesmo, por abdicar da sua vida, do seu seio familiar, por pessoas que você não conhece. E aí esse programa eu tinha a oportunidade de iniciar ele dentro da Record News, através de um grande amigo e admirador que eu tenho nessa profissão jornalística, que é o Carlos Tourinho, que me deu essa oportunidade de iniciar esse projeto lá e eu vi que a polícia é muito carente disso, de reconhecimento, do apoio da sociedade. A gente tem visto alguns casos assim de aproximação e minha página no facebook  está sendo um grande termômetro disso, porque eu ultrapassei 1 milhão, estamos com 1 milhão e 60 mil seguidores que estão gostando de ver reportagens positivas de polícia, de assuntos positivos de polícia, do trabalho heroico.

Faço questão de mostrar vídeos de operações arriscadas, de operações heroicas da polícia, então tenho percebido que a sociedade brasileira está se deslocando e eu fico muito feliz em saber que eu estou contribuindo para isso. Eu admiro muito os policiais, que eu trabalho há mais de 15 anos , há 17 anos. Tenho muitos amigos, pessoas que eu sei que dariam a vida por mim ou pela minha família, então essa gratidão que eu tenho por eles é importante que a sociedade também enxergue dessa mesma forma.

Portanto, o programa ‘Heróis Reais’ a gente deu início e foi um sucesso e agora a gente está migrando para as redes sociais, para a mídia, pra gente ter mais liberdade de pauta, mais tempo e a sociedade consumir isso. Estamos buscando agora novos parceiros, anunciantes que possam tornar esse projeto viável. Nós temos uma grande parceira minha, que está sempre caminhando comigo, que é a Taurus, fabricante de armas, e também a empresa VSG, aqui do Espírito Santo.

São empresas que já assinalaram de forma positiva de apoiar esse projeto e entenderam que é importante para o reconhecimento do policial, a aproximação com a sociedade, porque assim a gente vai tirar aquele jovem, aquela criança, adolescente do crime e tem como o seu ídolo um traficante ou um chefe do tráfico da sua comunidade e vai querer fazer com que, ele vai querer virar um herói, um policial. Então isso vai ajudar o lado social, o lado da segurança pública.

Esse programa também ajuda porque vai ter mais candidatos a policiais, então tendo mais candidatos, a seleção é mais criteriosa, mais rigorosa, então vão entrar pessoas ainda mais capacitadas a cada momento. As suas unidades de corregedorias vão ser mais rígidas, porque para fazer parte de uma unidade policial têm de ser pessoas de honra. Por isso, as instituições vão ser mais rígidos, mais intolerantes na questão da punição. Enfim todo mundo ganha, ganha a sociedade, ganha o policial, ganha a segurança pública, com um simples projeto de fazer  com que a sociedade vê nos policiais do Brasil esses heróis.

– No mais, fique a vontade para outras colocações.
Para finalizar, agradecer a oportunidade de estar aqui falando para você, nesse blog mais acessado do Estado, mais reconhecido. Você, como repórter investigativo, com matérias sempre de muita credibilidade, abre essa possibilidade de eu fazer, explicar o meu trabalho melhor e dizer para todo mundo que eu estou aqui para ajudar, agregar, para fazer o meu papel como cidadão, ajudando a sociedade na questão da Segurança Pública, ajudando os policiais com mais treinamentos, com técnicas que vão salvar a vida deles, que vão fazer garantia deles voltarem vivos pra casa. Temos que nos unir a todos, deixar as vaidades de lado e entender que cada um tem um papel importante nesse contexto, e que eu tenho muito orgulho de ser capixaba, muito orgulho de ser brasileiro e para todos os países onde eu estou eu faço questão de falar da minha cidade, do meu País. Obrigado e um grande abraço!


 

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