Fundador do Sindipol/ES, delegado Ferrari prega união das lideranças de todas as entidades de policiais civis e condena a fogueira das vaidades

Um dos fundadores do Sindicato dos Servidores Policiais Civis do Estado do Espírito Santo (Sindipol), o delegado de Polícia Celso Felipe Ferrari, um dos profissionais mais respeitados da instituição, escreve artigo em que defende a união das lideranças de todas as entidades de policiais civis para conquistar o respeito do governo.

 “A Classe Policial como um todo tem que ser respeitada. Ninguém, nenhum representante, seja Agente, Investigador, Perito, Escrivão, Delegado ou ocupante de qualquer Cargo, tem o direito de inviabilizar a união da Classe em busca dos objetivos comuns, que tragam benefícios para todos os Policiais e seus dependentes. Tem que haver humildade e respeito aos colegas e à Instituição que integramos. O desejo de um não pode se sobrepor à vontade de todos, ou pelo menos da maioria. Há que se buscar, a todo custo, o consenso em torno de questões vitais para a Classe. Temos que esgotar todas as tentativas de entendimento entre as lideranças, tendo sempre como norte os interesses da nossa Classe. Temos que apagar de vez a fogueira das vaidades e substituí-la por um corporativismo saudável, sem permitir que os vícios próprios da política partidária contaminem a nossa Classe, até para não nos equipararmos aos políticos de nosso país, em sua maioria esmagadora totalmente desacreditados pelo povo”, pontua o delegado Celso Felipe Ferrari, uma das lideranças mais respeitadas  da Polícia Civil.

Paz e União

Aproxima-se a época de eleição para o SINDIPOL e o que podemos constatar pela movimentação existente, e até pelas redes sociais, é o recrudescimento de uma disputa insana, uma verdadeira guerra fratricida, travada entre os diversos líderes das entidades de classe representativas dos Policiais Civis e outros postulantes à Direção da Entidade.

A mim, na condição de sócio-fundador do SINDIPOL e contribuinte desde o tempo em que a entidade ainda era uma associação, causa profunda tristeza esse quadro de acusações mútuas e desunião de nossa Classe. Aos Policiais, tenho certeza que essa situação crítica também incomoda bastante, pois todos sabem que “a união faz a força” e que essa contenda só traz prejuízos a todos.

Os Policiais mais antigos podem testemunhar o que vou dizer: na época em que a classe era unida em torno de apenas uma entidade, a APCEES, havia muito mais respeito do Governo e inúmeras conquistas foram obtidas por conta disso. O salário, que era de fome, alcançou o patamar razoável, em que se encontra até hoje, e várias Gratificações, extintas pelo subsídio, foram conquistadas; Realização de concursos públicos para preenchimento dos cargos; Aquisição da área em que está instalada a sede social do SINDIPOL e a criação da cantina, além de muitos outros avanços, foram, com a união, empenho e luta de todos, alcançados.

Atualmente, mesmo reconhecendo o esforço de alguns dos nossos representantes, o que se nota é que a maior luta da Classe é interna. Em vez de brigarmos para fora, estamos brigando pra dentro. E, pior, percebe-se que essa situação de conflito generalizado não se dá somente em torno de ideais, restando claro que, não raramente, as vaidades e os interesses pessoais acabam obstaculizando o entendimento entre as lideranças e se sobrepondo aos interesses da Classe.

O pior é que alguns dos novos Policiais, que ingressaram na Instituição mais recentemente, já demonstram que assimilaram bem as lições de personalismo, intolerância e falta de respeito com os colegas. Já ouvi diversas vezes: “com fulano eu não sento”, “com beltrano eu não converso” “sicrano é isso ou aquilo”. Esquecem que fulano, beltrano e sicrano também são policiais como eles e, principalmente, foram eleitos por parcela significativa da Classe para serem representantes.

Isso tem que acabar, sob pena de imergirmos cada vez mais nesse abismo cego, escuro e ilimitado do caos, com prejuízos de toda ordem para todos nós. A Classe Policial como um todo tem que ser respeitada. Ninguém, nenhum representante, seja Agente, Investigador, Perito, Escrivão, Delegado ou ocupante de qualquer Cargo, tem o direito de inviabilizar a união da Classe em busca dos objetivos comuns, que tragam benefícios para todos os Policiais e seus dependentes. Tem que haver humildade e respeito aos colegas e à Instituição que integramos. O desejo de um não pode se sobrepor à vontade de todos, ou pelo menos da maioria. Há que se buscar, a todo custo, o consenso em torno de questões vitais para a Classe. Temos que esgotar todas as tentativas de entendimento entre as lideranças, tendo sempre como norte os interesses da nossa Classe. Temos que apagar de vez a fogueira das vaidades e substituí-la por um corporativismo saudável, sem permitir que os vícios próprios da política partidária contaminem a nossa Classe, até para não nos equipararmos aos políticos de nosso país, em sua maioria esmagadora totalmente desacreditados pelo povo.

Ao meu ver, diante do lamentável quadro que se apresenta, já passou da hora de buscarmos uma solução que devolva a paz e a união à nossa Classe, já consideradas por alguns como utopia. O que vislumbro é um projeto que  já é defendido por grande parte dos Policiais: O SINDIPOL deve ser despersonalizado e passar a ser dirigido por um colegiado integrado por representantes eleitos de todas as categorias. Eu ainda acredito que isso é possível e esse é o momento propício para construir isso. A hora é de diálogo e não de guerra. As lideranças de todas as categorias devem desarmar os espíritos e, em respeito à Classe, exercitar a capacidade de ouvir, dialogar/discutir, negociar, ceder, conciliar e compor, visando a união de todos os Policiais na luta por dignidade e valorização, em busca de melhores salários e condições de trabalho, que é o que realmente interessa à Classe e o que certamente reverterá em benefícios para a sociedade a que servimos. Fui Investigador por dezenove anos e sou Delegado há quinze. Em ambos os Cargos, nunca deixei de ser um Policial ativo e, durante esse tempo todo, aprendi uma lição inquestionável: Polícia só se faz com amor à causa. Ninguém trabalha enfrentando tiros e o risco de morte somente por obrigação. Por isso, temos que criar as condições para que todos possam trabalhar em equipe, irmanados, com idealismo e abnegação, que exigem como contrapartida a valorização, o respeito, o estímulo e reconhecimento, que, naturalmente, só obteremos com União e muita Luta.

Dito isto, conclamo a todos os Policiais: unamo-nos, pois só com Paz e União conseguiremos avançar e tornar realidade o primeiro verso do hino da nossa Honrada Polícia Civil: Vencer, eis a nossa legenda.

Celso Felipe Ferrari
Sócio do SINDIPOL

 

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