Paulo Asafe critica divisão da categoria de Policiais Civis, diz que criação de novas entidades sindicais serve para quem quer fugir do trabalho e teme que Sindipol/ES seja usado novamente para interesses políticos-partidários

Candidato à Presidência do Sindicato dos Servidores Policiais Civis do Estado do Espírito Santo (Sindipol) nas eleições marcadas para os dias 14 e 15 de julho deste ano, o investigador de Polícia Paulo Asafe dos Santos critica a divisão que atinge a categoria de policiais civis provocada por dirigentes de algumas associações. No entender de Paulo Asafe, a divisão beneficia somente o governo, que “joga” com os conflitos para deixar de atender os pleitos de toda a classe:

“A política de divisão só favorece o governo do Estado. Ele (governo) não concede benefícios para profissionais de um determinado cargo usando como justificativa a negativa que deu para outros cargos. Somos todos profissionais (investigadores, agentes, delegados, escrivães, peritos criminais e papiloscopistas e médicos-legistas) de uma única categoria: a de Policiais Civis”, garantiu Paulo Asafe.

Ele disse que um dos objetivos de sua chapa é, primeiramente, pacificar todos os cargos e depois lutar pela fusão das várias funções: “Temos que serenar os espíritos, serenar os ânimos. É preciso que todos entendam que dentro da Polícia Civil não pode haver adversários; somos todos colegas. Pacificando as pessoas, lutaremos para a unificação e fusão de cargos. Hoje, na Polícia, há 12 funções diferentes e, às vezes, muitos dos cargos fazem as mesmas atividades”, declarou Paulo Asafe.

Ele criticou também a decisão do coordenador-geral de Registro Sindical do Ministério do Trabalho e Emprego, Raimundo Nonato Teixeira Xavier, que, atendendo pleito da Associação dos Investigadores do Estado do Espírito Santo (Assinpol), determinou a exclusão de todos os Investigadores de Polícia Civil do Sindipol.

“O Ministério do Trabalho agiu ilegalmente. A Constituição Federal é clara ao não permitir a existência, nos Estados, de dois sindicatos para uma mesma categoria. A categoria é de Policiais Civis e os Investigadores são Policiais Civis. Logo, têm de pertencer aos quadros do Sindipol”, disse Paulo Asafe.

Ao mesmo tempo, ele elogiou a decisão do ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que concedeu liminar suspendendo os efeitos da determinação do Ministério do Trabalho e Emprego.

“Ao atender a reivindicação do Sindipol/ES, o ministro do TST fez cumprir a Constituição” resumiu Paulo Asafe.

Ele mostrou qual é o interesse de quem provoca a divisão da categoria, com a criação de mais entidades sindicais: “O interesse de alguns é fugir do trabalho; querem se encostar em pequenas associações para não trabalhar. Esta divisão não beneficia a categoria; beneficia apenas alguns diretores de algumas entidades que querem criar novos sindicatos. Eles confundem atividades de associações com o sindicalismo. As atividades são distintas. Assim como não podemos admitir desvio de função na Polícia Civil, não podemos aceitar desvio de finalidade das entidades que nos representam”, pondera Paulo Asafe.

Quanto ao trabalho do Sindipol, Paulo Asafe considera que por inexperiência na área sindical por parte de alguns integrantes da atual Diretoria alguns avanços não aconteceram: “Tínhamos um governador (Renato Casagrande) mais sensível às causas da segurança pública. Hoje, temos um governador (Paulo Hartung) radical.”

Paulo Asafe, no entanto, disse que faz questão de agradecer publicamente o presidente do Sindipol, Jorge Emílio Leal, e outros integrantes da atual Diretoria pelo convite que lhe foi feito para integrar a Chapa 01:

“Fiquei lisonjeado, mas não foi possível em razão de divergências com alguns integrantes de minha chapa, que entendem que temos um projeto mais ousado para ser colocado em prática.”

Paulo Asafe, que concedeu a entrevista ao lado do também investigador Ricardo Mendonça, candidato a um cargo no Conselho Fiscal, lamentou “a politização partidária de algumas pessoas que tentam assumir o comando” do Sindipol:

“Meu temor é que o Sindipol volte a ser utilizado exclusivamente para fins políticos-partidários e pessoais como ocorreu em alguns momentos do passado. Quando vemos apoio de um determinado deputado estadual a uma das chapas, a situação se torna preocupante. Se essa chapa, que tem o apoio do parlamentar, ganhar, será a volta da submissão do sindicato aos interesses políticos-partidários”, finalizou Paulo Asafe, que foi diretor do Sindipol entre 2003 e 2006.

 

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