ATUALIZADO: Ministro da Justiça não pode e nem vai interferir em investigações da Polícia Federal, afirma presidente da Associação Nacional dos Delegados Federais

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Marcos Leôncio Ribeiro, garantiu, em nota enviada ao Blog do Elimar Côrtes, que a PF continuará exercendo sua autonomia investigativa  independente de quaisquer pressões externas, sobretudo as que vêm de partidos políticos.

A reação do líder nacional dos delegados federais se deve ao fato de que, há uma semana, dirigentes do Partido dos Trabalhadores terem cobrado do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (que é membro do PT), a dar explicações sobre as últimas ações da Polícia Federal, principalmente a respeito da Operação Lava Jato, que tem apontado a participação de políticos petistas e empresários ligados ao partido no esquema de corrupção instalado na Petrobras. Na última quinta-feira (02/07), o ministro Cardozo chegou a falar em deixar o cargo:

“Quando algum partido ou algum grupo econômico-empresarial faz uma reclamação ao ministro da Justiça, eles estão o colocando em uma situação de constrangimento, justamente por ele (ministro) não poder intervir no que estabelece a lei, que é a autonomia da Polícia Federal para investigar”, disse o presidente da ADPF, Marcos Leôncio, que completou:

"No caso da Operação Lava Jato, a atividade dos inquéritos da operação em Curitiba presta contas ao juiz federal Sérgio Moro. Nos inquéritos do Supremo Tribunal Federal há o ministro relator Teori Zavascki. O ministro da Justiça e o diretor-geral da Polícia Federal fazem a gestão administrativa da Polícia Federal, eles não fazem a gestão da investigação da PF”.

Marcos Leôncio disse mais: “Aqueles que estão insatisfeitos com as investigações devem reclamar ao juiz Sérgio Moro, ou ao ministro Teori Zavascki ou ao Poder Judiciário."

Na noite desta sexta-feira (03/07), horas depois de o Blog do Elimar Côrtes divulgar a manifestação do presidente da ADPF, Marcos Leôncio, contra políticos e empresários que vêm criticando a atuação da Polícia Federal em investigações contra a corrupção, a entidade divulgou nota (veja nesta postagem) aos demais órgãos de imprensa em que garante seu apoio a todos os policiais federais que trabalham na Operação Lava Jato. 

Na semana passada, a Executiva Nacional do PT se reuniu para avaliar os danos causados ao partido por conta das operações Lava Jato e Acrônimo. Duas importantes decisões foram tomadas na reunião: a primeira foi a aprovação de uma resolução política em que o PT defende as empreiteiras suspeitas de desviar recursos da Petrobras; a segunda foi convidar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a dar explicações ao partido sobre as últimas ações da Polícia Federal.

De acordo com o presidente do PT, Rui Falcão, o partido quer apenas ouvir o ministro, mas integrantes da cúpula afirmam que a intenção é enquadrar Cardozo. Militante do PT há mais de 30 anos e homem de confiança de Dilma Rousseff, o ministro é responsabilizado por manter em prisão temporária o ex-tesoureiro João Vaccari Neto, detido desde 15 de abril.

De acordo com o Estadão, as recentes buscas no escritório político do governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), e na agência Pepper, que presta serviços à sigla, também teriam sido ordenadas por Cardozo.

ADPF manifesta seu apoio a todos os Policiais Federais que atuam na Operação Lava Jato

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal - ADPF vem a público manifestar apoio a todos os Policiais Federais que atuam na “Operação Lava Jato”, citados ontem durante sessão da CPI que investiga a Petrobras, na Câmara dos Deputados. Em especial, o Superintende da Polícia Federal no Paraná, Rosalvo Ferreira Franco e os Delegados Igor Romário de Paula e Márcio Anselmo.

A ADPF confia na qualidade e eficiência dos trabalhos desenvolvidos, bem como na atuação ética e isenta dos policiais citados que exercem suas funções constitucionais com estrito respeito à Legislação Penal Brasileira e ao Estado de Direito.  A operação Lava Jato vem sendo conduzida pela Polícia Federal com rigor na apuração dos fatos, mas sempre de forma equilibrada e justa.

Infelizmente, diante dos fatos recentes, os Delegados Federais, perceberam a ação de representantes dos poderes econômico e político, agindo para desqualificar os investigadores, com objetivo claro de desviar o foco das investigações da operação Lava Jato. São grupos que praticam tráfico de influência e agem nas sombras para tentar gerar nulidades na operação, em benefício de pessoas investigadas.

A ADPF não vai admitir ataques de qualquer tipo, principalmente declarações genéricas que possam colocar em dúvida a lisura e independência dos dedicados e sérios profissionais que apuram os desvios de recursos públicos e lutam pelo fim da impunidade de corruptos e corruptores.

Vale destacar que no exercício de suas atribuições constitucionais a Polícia Federal, enquanto órgão de Estado, não persegue, não intimida, mas também não se deixa intimidar, principalmente por pessoas que se imaginam intocáveis e inatingíveis.


 

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