Um dos heróis da Turma de Investigadores de 1993, Átila Mendes explica porque aceitou convite da Chapa 01 e faz apelo: “Não podemos aceitar retrocesso no Sindipol”

Luta. Garra. Determinação. Três palavras que são destaques no dicionário do investigador de Polícia Civil Átila Vieira Mendes. Também pudera: ele esperou 19 anos para ser nomeado. É da turma do concurso de 1993, que ficou parado por quase 20 anos. Conseguiu ser nomeado em 2012. Hoje, Átila exerce a profissão que sempre sonhou, a de policial civil. Por isso, se sente apto a continuar a luta em favor dos colegas policiais. Aceitou convite do presidente do Sindicato dos Servidores Policiais Civis do Estado do Espírito Santo (Sindipol), Jorge Emílio Leal, para compor a Chapa 01, uma das três  que disputam a eleição para o Conselho Executivo da entidade, no pleito marcado para os dias 14 e 15 deste mês.

Nesta entrevista exclusiva ao Blog do Elimar Côrtes, Átila Mendes, um dos heróis do Concurso para Investigadores de Polícia Civil da Turma de 1993, fala de suas expectativas para a eleição no Sindipol – ele integra a Chapa 01, encabeçada pelo atual presidente, Jorge Emílio Leal – e alerta para a importância da categoria se manter unida e evitar que certas “lideranças, que tentam retomar à direção do Sindipol, façam o desmembramento e a divisão do Sindicato.”
Eleições de 2012

Nas últimas eleições para Diretoria Executiva do Sindipol, em 2012, cinco chapas se inscreveram. E nós, que tínhamos apenas seis meses de Polícia, conquistamos o terceiro lugar. Pensamos em registrar chapa nas eleições deste ano, mas achamos por bem recuar e dar apoio à Chapa 01, encabeçada pelo Jorge Emílio.

Nossa turma faz questão de participar da luta sindical. Precisamos ter representante no Sindipol porque temos nossas particularidades. O Emílio nos convidou para integrar a chapa dele e aceitamos. É a chance que temos de correr atrás de algumas pendências.

Nomeação dos investigadores

Fizemos parte de um grupo que lutou, por quase 20 anos, para que os investigadores do concurso de 1993 fossem nomeados. Uma comissão, liderada pelo nosso parceiro e amigo Alessandro Da Vitória, ainda em 2010, foi a Brasília e se reuniu com o então senador Renato Casagrande, que já estava em campanha para o governo do Estado. Ele nos assegurou que, se fosse eleito, iria encontrar amparo legal para a nossa nomeação. Renato Casagrande honrou o compromisso feito conosco e nomeou mais de 500 investigadores. Ainda restam 85 para serem nomeados. Esta nomeação pode sair a qualquer momento. Temos o seguinte lema: “Não podemos deixar nenhum soldado ferido para trás.” Por isso, nosso grupo somente vai sossegar quando todos forem nomeados.

Heróis da luta

Podemos nos considerar heróis dessa luta. Tivemos um professor de Direito na Acadepol que nos disse certa vez que, quando contava a nossa história de 18 anos de luta para colegas de outros estados, as pessoas não acreditavam. O próprio professor respondia que só acreditava porque estava dando aula para nós. Muitos políticos quiseram pegar carona em nossa luta, mas devemos a nomeação à nossa disposição de brigar até o fim e o compromisso honrado pelo ex-governador Casagrande.

Em defesa do diálogo

Entendo que o atual governador, Paulo Hartung, quando governou o Estado nas duas vezes anteriores, tenha tido uma certa picuinha para conosco. Isso porque alguns dirigentes do passado do Sindipol, antes da gestão do Jorge Emílio (que assumiu a direção do sindicato em agosto de 2012), faziam um sindicato de uma forma que funcionava na época, tanto que conseguiram diversas conquistas, mas hoje isso não funciona mais. Estamos na era do diálogo. Alguns xingavam o governador e demais autoridades. Era o meio que aquelas lideranças antigas do sindicato encontraram para demarcar território. Eles iam para as ruas ofender autoridades. Pior que esse grupo agora quer retornar ao Sindipol. Não podemos aceitar retrocesso no Sindipol. Estamos na época do diálogo. Se houver necessidade, temos que brigar, mas dentro dos meios legais e com respeito às pessoas.

Convite para compor Chapa 01

Fui convidado pela Chapa 03 para integrar o grupo deles, mas recusei o convite. O perfil deles não bate com o meu. Alguns (membros da Chapa 03) lutaram pela divisão e desmembramento da categoria. Se os investigadores tivessem saído do Sindipol, como queriam alguns integrantes da Chapa 03, hoje o Sindipol não existiria mais. Veja que, atendendo pedido deles, o Ministério do Trabalho determinou excluir os investigadores do Sindipol. Graças  Deus, Jorge Emílio e sua Diretoria procuraram a Justiça e o Superior Tribunal do Trabalho suspendeu a decisão. A  exclusão dos investigadores iria acabar com o Sindicato. Fico a pensar: se alguns (integrantes da Chapa 03) queriam acabar com o Sindicato, porque agora querem disputar eleição para dirigir a entidade?

A concorrência em uma disputa é sadia, mas a pessoa que está na cabeça da Chapa 03 quer o desmembramento  da categoria. Ele ajudou a criar uma associação só para investigadores, o que enfraquece o a categoria.

Sindicato único

Defendo a existência de um sindicato único para a categoria Policial Civil. Desta forma, ganhamos mais força para negociação com o governo e mobilização. Importante é ter um sindicato sem fragmentação.

Atual Diretoria do Sindipol

A Diretoria, liderada pelo Jorge Emílio, está realizando um trabalho muito interessante, que tem como foco o diálogo. Com diálogo, ele (Jorge Emílio) conseguiu conquistas importantes para a categoria de forma em geral. Creio que um dos marcos da atual gestão do Sindipol tenha sido a Lei de Promoção. Antes, o policial civil para ser promovido, tinha que esperar pela morte ou aposentadoria do colega. Graças à luta do Sindipol, por meio da atual Diretoria, o governo do Estado aprovou lei que estabelece promoção para todos os policiais civis, em todos os cargos, a cada cinco anos.

A atual Diretoria obteve essa conquista sem precisar xingar autoridades; sem precisar fazer paralisações. Aliás, por causa da ação de alguns membros da Chapa 03, que xingaram o então governador Renato Casagrande durante a discussão para a Lei de Promoção, o governo quase recuou. Os atuais dirigentes do Sindipol tiveram que provar que não foram eles que faltaram com respeito com as autoridades. A ação irresponsável não foi orquestrada pelo Sindipol e sim por alguns membros que estão na Chapa 03, em nome de uma das associações.

A atual Diretoria do Sindipol também conseguiu aprovar a incorporação da escala especial na aposentadoria dos policiais civis.

 

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