DELEGADO AÉLISTON DE AZEVEDO EXPLICA COMO A POLÍCIA REDUZIU ATAQUES A CAIXAS ELETRÔNICOS NO ESPÍRITO SANTO: ‘Nossa equipe trabalha com humildade, eficiência e seriedade’

Ele nunca fez o tipo falastrão; é avesso a badalações; atende bem à imprensa, mas não é o queridinho da maioria dos jornalistas porque não é de conceder entrevistas e nem vive rindo para as câmeras e lentes dos fotógrafos. No entanto, na função de delegado de Polícia Civil, é um dos mais eficientes e caprichosos em seu trabalho de investigação. Atualmente, o delegado Aéliston Santos de Azevedo é o titular da Delegacia de Roubos a Banco, uma das unidades da Divisão de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio do Espírito Santo.

Há algum tempo, o delegado Aéliston de Azevedo enfrenta, além dos bandidos comuns, perseguição por parte de alguns poucos de seus superiores. Porém, com sua habitual humildade – sem jamais deixar de lado o trabalho – tira as dificuldades de letra. Ou melhor, com resultados positivos.

Tanto que conseguiu, junto com sua equipe, reduzir drasticamente o número de roubos a caixas eletrônicos no Espírito Santo nos últimos três anos. Se em 2012 foram registrados 14 ataques  a caixas eletrônicos no Estado, este número caiu para sete já em 2014. “Esta redução foi possível graças a toda equipe. Estamos desde 2012 nesta unidade, trabalhando com afinco, humildade, eficiência e seriedade. É isso que a sociedade exige de todos nós, servidores policiais civis”, comentou o delegado.

Outro dado importante: Aéliston de Azevedo e sua equipe de investigadores e agentes de Polícia colocaram na cadeia uma das mais perigosas quadrilhas de assaltantes e saqueadores de caixas eletrônicos do País, que passou a agir também em terras capixabas depois de constatar a fragilidade da segurança das instituições financeiras.

Entre integrantes da gangue, que é do Nordeste e age em todo o País, estão duas capixabas, que usavam seus cargos na Administração Pública para ajudar os demais bandidos nos ataques aos caixas eletrônicos e assaltos a agências dos Correios. Uma delas, Anderlaina Chagas Costa (foto), 24 anos, era funcionária do Judiciário; a outra, Luara Viali Silva trabalhava na Secretaria de Estado da Justiça (Sejus). Na época da prisão, em meados do ano passado, as duas eram estudantes de Direirto.

O delegado Aéliston de Azevedo assumiu a DP de Roubos a Bancos em 2012. Logo em seguida, prendeu seis bandidos, que são do Nordeste, depois de iniciar investigações a roubos a caixas eletrônicos no Espírito Santo. No entanto, a Justiça capixaba, segundo o delegado, acabou soltando os criminosos nordestinos, que retornaram aos seus estados de origem.

“Eles vinham para cá utilizando-se de identidade falsa. Depois de soltos, passaram a arregimentar criminosos capixabas para trabalhar para eles”, explicou o delegado.

Desta forma, os bandidos nordestinos contrataram um assaltante capixaba, namorado de Luara. A mulher era lotada no setor Jurídico da Secretaria da Justiça e, por conta de sua função, fez amizade com outros funcionários, inclusive os lotados na ‘Inteligência’ do órgão. Tomava conhecimento, assim, previamente de blitz policial que era realizada na Grande Vitória e interior.

“Ela repassava informações para seu namorado e os demais bandidos. Esta mulher, que já está sendo processada pela Justiça e é investigada por outros crimes, fazia a ‘lavagem’ do dinheiro dos roubos aos caixas eletrônicos. Investiu em imóveis”, lembra o delegado Aéliston de Azevedo.

A ex-servidora da Sejus ocupava um cargo comissionado e não era efetiva. Foi demitida depois de presa. Ela também fazia a lavagem do dinheiro roubado, distribuindo certas quantias em contas correntes de “laranjas”.

Segundo a denúncia, ela também fazia o papel de “fiscal” dos caixas eletrônicos. Passava boa parte do dia em agências bancárias para acompanhar o abastecimento dos caixas eletrônicos por meio dos carros-fortes que transportam valores. Imediatamente, avisava aos criminosos, que iniciavam os ataques.

“Esta moça também alugava casas para os bandidos ficarem na Grande Vitória. Era uma forma de legalizar a presença deles no Estado”, disse o delegado Aéliston de Azevedo. Os chefões da quadrilha também cooptaram dois irmãos da ex-servidora da Sejus.

Anderlaina Chagas Costa, que trabalhava no Fórum de Cariacica, foi presa no dia 6 de junho de 2014. Ela foi localizada na Bahia.  No dia 26 de maio de 2014, a equipe do delegado Aéliston de Azevedo havia prendido Luara Viali o namorado dela, Anderlan Michel Chagas Costa e Andreivid Chagas Costa. Os três estavam em uma casa no bairro São Geraldo, em Cariacica.

Desses quatro capixabas, apenas Luara (foto) foi solta. O juiz Marcelo Soares Cunha, da 2ª Vara Criminal de Cariacica, determinou a soltura da moça no dia 25 de março deste ano. Segundo os autos de número 0018162-84.2014.8.08.0024, o magistrado impôs à acusada as seguintes medidas cautalares: A) Comparecimento mensal do acusado neste juízo para justificar suas atividades, o qual deverá ser rigorosamente fiscalizado por este juízo; B) Proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução, não podendo mudar de endereço residencial nem se ausentar do município onde vive sem prévia autorização deste Juízo; C) Recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga, não podendo ingerir bebida alcoólica em público ou publicamente se apresentar embriagada e, também, não frequentar bares, boates, forrós, bailes "funk", casas de jogos, prostíbulos, ou semelhantes; D) Monitoramento eletrônico através de programação e instalação de tornozeleira eletrônica de geomonitoramento, que deverá ser fornecida pela Diretoria de Movimentação Carcerária e Monitoração Eletrônica - DIMCME, da SEJUS, e instalada após entrevista de Equipe Multidisciplinar, ocasião em que será traçado o mapa de monitoramento, de acordo com os limites impostos nesta decisão.

De acordo com o delegado Aéliston Azevedo, o grupo é responsável por pelo menos 13 roubos a caixas eletrônicos desde 2012. Segundo as investigações, as ações da quadrilha provocaram um prejuízo que ultrapassa R$ 2 milhões.

Mesmo depois que a Justiça soltou os seis bandidos, que retornaram para o Nordeste, o delegado Aéliston de Azevedo conseguiu autorização judicial para monitorar os suspeitos que permaneciam no Espírito Santo. Foi assim que ele e sua equipe chegaram à Luara e à Anderlaina.

Grupo chegou ao Estado em comboio de 13 bandidos

Em março deste ano, os policiais da Delegacia de Roubos a Banco da Polícia Civil capixaba
identificaram a chegada de mais um grupo de assaltantes ao Estado:

“Detectamos a chegada de um comboio de 13 homens, que vieram ao Espírito Santo com o objetivo de realizar ataques em série. Vieram do Norte e do Nordeste do Brasil. Entretanto, descobrimos o paradeiro de alguns deles e prendemos oito. São bandidos de alta periculosidade, que praticam até roubo de aviões. Prendemos oito, mas cinco fugiram”, comentou o delegado Aéliston de Azevedo, acrescentando que os bandidos também atacam nas chamadas “saidinhas” de banco.

“Por conta desse trabalho de investigação e de monitoramento, estamos sem crimes contra instituições bancárias nos últimos meses. A última ocorrência foi em 14 de abril deste ano e teve como alvo o Banco do Brasil de Itapoã (Vila Velha), completou o delegado.

"Polícia se faz com profissional compromissado com a causa, hierarquia, autoridade e ética”, diz Aéliston Azevedo

Capixaba de Vila Velha, o delegado Aéliston Santos de Azevedo está na Polícia Civil há 23 anos – é da turma de delegados de 1992. É considerado um dos mais eficientes na operacionalidade. Já trabalhou em várias unidades da Grande Vitória, como a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (Deten), Grupo de Repressão ao Crime Organizado (GRCO). Também atuou no interior do Estado, como Alfredo Chaves e Pedro Canário.

Aéliston de Azevedo mantém a ética e a serenidade quando o assunto é de ordem interna na Polícia Civil. Não cita nomes, mas diz que foi é vítima de perseguição no “passado e presente”. O delegado, porém, dá mais uma lição de humildade e ensina:

“Não se faz polícia com falácias e nem menos com mais e sim com mais e mais em todos os bons sentidos, para se buscar resultados positivos para a população e, sobretudo, para aquelas pessoas que as demais políticas públicas não alcançam. Só conseguiremos encontrar esse caminho com profissionais abnegados, desprendidos de questiúnculas, da vaidade e do que convém ao seu ego”.

Aéliston de Azevedo afirma ainda que uma boa polícia se faz com profissional compromissado com a causa, hierarquia, autoridade e ética: “Assim, teremos uma polícia mais confiável, sadia, aprazível,  com melhor resultado e uma administração de todos  e de boa vontade.”

O delegado encerra o raciocínio: “A porta de entrada será de uma polícia com mais justeza e finalmente um lugar em que todos queiram estar, a bem de uma instituição que seja equânime no trato com os seus e, por conseguinte, na qualidade dos resultados há que se propõe que é uma prestação de serviços com excelência, a todos e tão somente há todos, pois sem segurança perdemos todos.”

 

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