O HPM está sendo fechado pelo descaso dos poderes públicos, denuncia coronel-médico da Polícia Militar do Espírito Santo

Em artigo enviado ao Blog do Elimar Côrtes, o coronel-médico da Reserva Remunerada da Polícia Militar do Espírito Santo Antonio Francisco Louzada Gomes relata a atual situação do Hospital da Polícia Militar (HPM), localizado em Bento Ferreira, Vitória. O HPM está fazendo aniversário neste mês de setembro – foi fundado há 23 anos.

“A sociedade capixaba precisa saber que este hospital está sendo desativado lentamente pelo Governo do Espírito Santo...Já temos leitos sendo desativados; faltam médicos para realização de procedimentos, por ausência de concurso público há mais de 20 anos; serviços antes realizados estão sendo suspensos. Não dá para entender o porquê de tanta negligência do Governo com a saúde dos militares. Será que o que se quer é entregar esta estrutura, construída em parte com dinheiro dos militares e também com verba federal, para a Secretaria de Saúde ou alguma organização social civil? Caso o HPM venha a ser extinto, a responsabilidade será de vários órgãos públicos que não se manifestam no sentido de preservar este Hospital, inclusive, alguns Comandantes Militares também deverão ser responsabilizados pelos militares e suas famílias que, sem planos de saúde, restarão obrigados a enfrentar as dificuldades dos Hospitais da Secretaria de Saúde do Estado do Espírito Santo (SESA), e talvez jogados em macas ou nos chãos, dividindo espaços até com criminosos”, salienta o coronel-médico Louzada.

O artigo

“Neste mês de setembro de 2015 comemora-se o pior aniversário do Hospital da Polícia Militar, e a sociedade capixaba precisa saber que este hospital está sendo desativado lentamente pelo Governo do Espírito Santo.

A atual realidade do HPM é bastante triste. Já temos leitos sendo desativados; faltam médicos para realização de procedimentos, por ausência de concurso público há mais de 20 anos; serviços antes realizados estão sendo suspensos e até mesmo a Fundação de Apoio à Diretoria de Saúde e a Associação de Militares Estaduais da Diretoria de Saúde também estão sendo enfraquecidas em razão desse progressivo fim do Hospital da Polícia Militar; reformas estruturais, elétricas e hidráulicas são necessárias urgentemente, pois, como está, leva riscos à saúde dos funcionários e dos próprios pacientes.

Não dá para entender o porquê de tanta negligência do Governo com a saúde dos militares. Parece que a intenção é acabar com o hospital destinado aos militares e suas famílias. Será que o que se quer é entregar esta estrutura, construída em parte com dinheiro dos militares e também com verba federal, para a Secretaria de Saúde ou alguma organização social civil?

Caso o HPM venha a ser extinto, a responsabilidade será de vários órgãos públicos que não se manifestam no sentido de preservar este Hospital, inclusive, alguns Comandantes Militares também deverão ser responsabilizados pelos militares e suas famílias que, sem planos de saúde, restarão obrigados a enfrentar as dificuldades dos Hospitais da Secretaria de Saúde do Estado do Espírito Santo (SESA), e talvez jogados em macas ou nos chãos, dividindo espaços até com criminosos.

Não se está aqui defendendo que os militares devem ter condições de saúde melhores que a sociedade civil. O que se pretende é continuar com um Serviço Público que serve de retaguarda para os militares, eis que estes são os prestadores da segurança pública. Ora, se já existe uma estrutura para a proteção da saúde dos militares, porque não mantê-la e melhorá-la, ao invés de acabar com um direito dos militares?

Então, ressalto o aviso: Você, militar, que não tem plano de saúde, se prepare para ficar nas macas e chãos dos hospitais da Secretaria de Saúde, caso o HPM venha a ser extinto definitivamente.

Por isso, os militares do Estado e a sociedade em geral devem se unir em favor do HPM, ainda mais agora, com a formatura de militares prevista para novembro de 2015, que somará mais 9.000 pessoas, dentre soldados e dependentes, como beneficiários dos serviços deste hospital. É o que o governo divulga por ocasião de concurso que o militar terá direito à assistência médica e odontológica, além do salário previsto para a categoria.

Um pequeno exemplo, a título de ilustração, é a questão do auditório do HPM, que hoje é referência para eventos de vários órgãos públicos e civis do Estado. A reforma do auditório do HPM é resultado da criação da Fundação de Apoio à Diretoria de Saúde e Associação dos Militares da Diretoria de Saúde, haja vista que foram essas instituições que procederam com os melhoramentos no referido auditório, que inclusive é muito utilizado pelos militares combatentes, pois o auditório do Quartel Central Geral (QCG) está sucateado. Dessa forma, existe a perspectiva dos militares do Estado solicitarem, num futuro próximo, tanto à SESA ou a qualquer Organização Social Civil, para utilizarem o seu próprio auditório, que não mais lhes pertencerão.

Assim, se o HPM for extinto, a Fundação e a Associação dos Militares da Diretoria de Saúde também o serão.

Ademais, estamos aguardando, ainda, por investimentos no HPM para que o CTI seja reaberto (está fechado há mais de um ano) e que outros serviços permaneçam em funcionamento, a exemplo do PA Militar, das perícias médicas, do centro cirúrgico, dos ambulatórios, do banco de leite, das vacinações, da odontologia, da farmácia, do laboratório e etc.

Recentemente, maio/2015, o Governo do Estado, por meio do secretário de Segurança Pública e do secretário da Casa Militar, nomeou uma comissão para apresentar projeto de reestruturação da saúde pública dos miliares na Grande Vitória e no interior do Estado. O projeto feito por essa comissão já foi encaminhado às instituições competentes e estamos aguardando uma real atuação do Governo do Estado para que a formação dessa nova comissão, com apresentação de projetos, não seja mais uma promessa não realizada pelo Governo do Estado.

É uma verdadeira ‘’sofrência’’. Principalmente porque parece que estamos lutando sozinhos, eis que não se vislumbra atuação efetiva do sistema de Justiça, da Assembleia Legislativa, da SESA, da SESP e de outros órgãos interessados batalhando por melhorias no HPM - sequer discutem pela reabertura dos 10 leitos do CTI do HPM (bem no coração de Vitória) que está fechado há mais de 01 ano. Em vez  disso a SESA vem comprando esses leitos de hospitais privados a um custo superior para tentar suprir a necessidade da população capixaba.

Assim, temos poucos motivos para comemorar o aniversário do Hospital da Polícia Militar. O descaso do Estado com esta instituição está acabando com uma estrutura que beneficia a toda sociedade, portanto, ao invés de celebrarmos esta data à moda antiga, devemos empenhar nossos esforços no sentido de sensibilizar nosso governo da importância do HPM sobreviver, e continuar promovendo saúde pública descente como sempre o fez. Aplicar verbas públicas na saúde e na segurança pública é dever e obrigação dos governantes e com certeza um investimento com retorno certo para o cidadão capixaba.”

Autor: Antonio Francisco Louzada Gomes é coronel-médico da Reserva Remunerada da PMES. 

 

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