Agência americana vai combater tráfico de armas no Rio

O Espírito Santo que se cuide e trate de reforçar ainda mais suas divisas com o Estado do Rio de Janeiro. É que a Agência Drug Enforcement Administration (DEA), de combate ao narcotráfico dos Estados Unidos, vai abrir um escritório no Rio, atendendo a um pedido do sempre proativo secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que esteve na sede do departamento americano há dois meses, conforme informações da revista Isto É.

“Dois agentes da DEA já estão na cidade providenciando isso”, disse o secretário à revista. O objetivo, segundo ele, é fazer um levantamento das rotas pelas quais armas estrangeiras entram no Brasil e chegam às mãos dos traficantes.

“O nome DEA abre portas no mundo inteiro, teremos as informações com mais rapidez e, conhecendo os itinerários, vamos poder agir”, afirmou Beltrame.

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio, mostram que foi apreendido, em média, um fuzil por dia de janeiro a agosto deste ano no Rio. Os agentes dos EUA também colaborarão no esquema de segurança dos Jogos Olímpicos 2016, que contará com 85 mil homens.

“Os americanos têm expertise com o terror, além de capilaridade mundial. Vão nos ajudar”, disse Beltrame à Isto É. O DEA ficou mais conhecido no Brasil a partir de agosto, com a estréia da série Narcos, sobre a vida do traficante colombiano Pablo Escobar, narrada por um agente do grupo.

Muitas das armas já apreendidas têm origem nos Estados Unidos, como o fuzil Barret ponto 50 que é capaz de destruir carros blindados, encontrado pela Polícia Militar há dois meses com traficantes do Comando Vermelho em uma favela carioca . “Esta é uma arma criada para guerra. Como estava aqui?”, questiona o secretário José Mariano Beltrame.

Segundo ele, a arma foi comprada legalmente por um cidadão americano em uma loja no Arizona, em 2006. Mas a trajetória desta arma até o bandido carioca é totalmente desconhecida. “Os agentes da DEA terão assento no nosso centro de comando, tudo terá mão dupla.”

A agência atua no Brasil há muitos anos, mas sempre com o governo federal e por meio das embaixadas. Beltrame furou a fila – essa será a primeira vez que os americanos irão trabalhar diretamente com uma polícia estadual.

À revista Isto É, o  jurista e professor Walter Maierovitch lembra que uma alternativa para controle de armas foi dada pela ONU em 2013, quando a entidade determinou que todo país fabricante precisaria emitir um certificado de destinação final em suas vendas. “Porém, não existe órgão para verificar se a arma chega mesmo ao destino registrado. Então, isso não funciona.”

Segundo o especialista, “o Paraguai é entreposto de venda de armamentos” para o crime organizado brasileiro. Maierovitch lembra que a DEA já enfrenta um problema similar ao nosso. “O país deles faz fronteira com o México, cujos cartéis compram armas nos Estados Unidos e, assim, ‘enfiam’ a droga no território americano.” No Brasil, igualmente, as armas abrem caminho para as drogas.

E quem sofre é o cidadão comum. Estima-se que, nos primeiros quatro meses deste ano, morreu uma pessoa a cada dois dias vítima de bala perdida no Rio, a maioria atingida por estilhaços do fuzil. O secretário Beltrame explica que os fuzis têm alcance de até três quilômetros e seu estilhaço pode atingir alguém a até 10 metros de distância.

“Agora, estamos apreendendo muito fuzil AK 47, de origem russa, na versão mais moderna, sem cabo de madeira e, sim, de polímero (produto sintético formado de macromoléculas muito fortes e resistentes), e pistolas com adaptadores que aumentam o cabo, prolongam o cano e permitem usar um pente de 90 balas, praticamente transformando-as em um fuzil.”

A PM não tem autorização para comprar esses instrumentos, porque são de uso restrito do exército. O secretário pede que não se afrouxe o Estatuto do Desarmamento e, ao contrário, que se aumente a pena para quem portar armas restritas a militares. “Dez anos de cadeia serviriam para desencorajar os comparsas.” O rastreamento desse arsenal, com a rapidez para obtenção de informações internacionais via DEA, completa, segundo ele, as ações que podem vir a salvar muitas vidas.

As autoridades da área segurança pública vão ficar atentas ainda mais porque sempre que se aumenta a repressão no Estado do Rio, narcotraficantes cariocas encontram espaço para agir em solo capixaba. Como senão bastasse, ano passado a Polícia Civil prendeu uma quadrilha que comprava armas no Paraguai e vendia na Grande Vitória. Integrantes dessa quadrilha – formada por inspetores penitenciários – foram condenados, em setembro deste ano, pela Justiça Federal. Saiba mais no link http://www.elimarcortes.com.br/2015/09/justica-federal-condena-inspetores.html

(Com informações também da revista Isto É)

 

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