OFICIAIS MILITARES E DELEGADOS DE POLÍCIA ABREM CAMPANHA DE VALORIZAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO: “Chega de humilhação; temos o pior salário do País”

A Associação dos Oficiais Militares do Estado do Espírito (Assomes) e o Sindicato dos Delegados de Polícia do Restado (Sindepes) uniram forças e deram início a uma campanha de valorização salarial para as duas categorias. A campanha já está nas ruas por meio de outdoors espalhados por diversos pontos da Grande Vitória. Na mensagem, oficiais e delegados pedem um “chega de humilhação” e informam que têm “o pior salário do País”. No entanto, reiteram que “confiamos no governo (do Estado) para reverter esse quadro”.

O vice-presidente da Assomes, o tenente-coronel  PM José Augusto Píccoli de Almeida, informa que nos últimos anos, a categoria dos oficiais da PM e do Corpo de Bombeiros “foi extremamente desprivilegiada em relação aos demais servidores de carreira de Estado”.

O líder da classe acrescenta que, em 2007, com o advento do subsídio, os salários começaram a se encaixar dentro de um patamar razoável, se comparado aos valores praticados nas outras corporações militares do País afora.

“Entretanto, hoje, infelizmente ocupamos as últimas posições no ranking nacional, considerando a remuneração bruta sem acréscimos. O que é pior, nos Estados que fazem divisa com o Espírito Santo há reajustes definidos em Lei programados para os próximos meses”, diz o tenente-coronel Augusto.

Segundo ele, apenas os oficiais capixabas estão sem horizontes positivos definidos. E pondera mais: “E também estamos sem expectativa de ingresso na nossa carreira com o bacharel em Direito nos moldes de grandes e seculares instituições, como a PM de Minas Gerais, Brigada Militar (Rio Grande do Sul), Polícias Militares de Santa Catarina, Hoiás, Mato Grosso e outras”.

De acordo com o tenente-coronel Augusto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado nos últimos 12 meses atingiu 9,49%, “ocasionando uma realidade que já conhecemos: perda gradativa do valor real do salário, endividamento, aumento das doenças ocupacionais e insegurança social daqueles que portam as armas do Estado, cumprindo o juramento legal de arriscar a sua própria vida em defesa da sociedade”.

Polícia reduz índices de violência, mas seu trabalho não é reconhecido pelo governo, dizem oficiais

Paralelamente, ressalta Augusto, os indicadores de mortes violentas no Estado têm diminuído ao longo dos anos. No início deste mês, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) divulgou que em 2015, mesmo em meio a grave crise política e social que atravessa o País, o Espírito Santo mantém o patamar de redução  na ordem de 10% no número de homicídios comparando com o mesmo período do ano anterior.

“Isso (redução da criminalidade) demonstra que a categoria, juntamente com os demais atores do sistema de segurança pública, cumpre fielmente o seu papel. Frustrações a parte, nos questionamos: somos reconhecidos pelo governo e pelos governantes? Pensamos que não, pelo menos em relação à importância dos resultados alcançados”, pondera o vice-presidente da Assomes, tenente-coronel Augusto.

Para ele, a  crise econômica não pode ser alegada como justificativa para a manutenção da longa  precarização das condições de trabalho e de valorização da carreira dos oficiais da PM e do Bombeiro Militar responsáveis pela gestão estratégica e comandamento das ações de segurança pública, defesa civil e, sobretudo, defesa da vida dos quase quatro milhões de capixabas nos 78 municípios do Estado”.

Tenente-coronel Augusto ressalta importância da integração das categorias

O tenente-coronel Augusto frisa ainda que a integração entre membros das carreiras da Segurança Pública é uma iniciativa que visa fortalecer um pacto pela melhoria dos serviços prestados à sociedade, abandonando assim “a histórica e nefasta” posição “de nós contra eles”. O líder classista reconhece “que temos posições divergentes. Isso é natural e principalmente em questões de âmbito nacional que não podem ser ignoradas”.

Em sua mensagem, o tenente-coronel Augusto apresenta “propostas viáveis” e que podem ser construídas ao longo da gestão de governo. Ele lembra ao governo que as Polícias Militar e Civil reduziram  despesa no custeio: “Fizemos cortes na própria carne, mantendo o padrão de serviços que permitem uma contribuição significativa na redução da violência”. E garante:

“Queremos sim servir melhor ao cidadão que recebe nossos serviços. Somos a última instância e retaguarda do Estado nos momentos de crise. Nesse sentido, é importante desmistificar a ideologia impregnada em formadores de opinião de que nossas fardas representam apenas a repressão dos anos de chumbo da ditadura civil militar. Somos filhos da Carta Republicana de 1988, representantes do Estado para defesa da dignidade da pessoa humana atuando de forma ininterrupta. Eis o que somos e como desejamos continuar a nos apresentar.”

Assomes confia na liderança e na credibilidade dos comandantes da PM e do BM como interlocutores junto ao governo

Para o tenente-coronel Augusto, em que pese às dificuldades, “continuamos a confiar no diálogo com o Governo do Estado de forma que nossas propostas sejam analisadas e respostas satisfatórias, possam ser oferecidas à categoria no menor tempo possível. Reduz-se, assim, o grave quadro de instabilidade institucional constatado pelos membros da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar”.

E conclui: “Ressaltamos nossa inabalável confiança na liderança e credibilidade no trabalho dos Comandantes Gerais da Polícia Militar e do Bombeiro Militar, como interlocutores junto ao Governo do Estado acerca das  necessidades e anseios da Carreira dos Oficiais.”

 

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