Coronéis querem se reunir com Hartung para demonstrar insatisfação com a nomeação de tenente-coronel para chefiar a Casa Militar

Os coronéis do Alto Comando da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo se reúnem nesta sexta-feira (06/11) com o secretário de estado da Segurança Pública e Defesa Social, André Garcia, para solicitar uma reunião de emergência com o governador Paulo Hartung. Os coronéis querem mostrar ao governador suposto  risco de uma crise institucional que ele (Hartung) poderá provocar ao nomear para o cargo de secretário-chefe da Casa Militar um tenente-coronel, que é  Daltro Antônio Ferrari Júnior.

Ferrari entra no lugar do coronel da reserva José Nivaldo Campos Vieira, que pediu demissão do cargo no último final de semana. Para aumentar a insatisfação, o Diário Oficial do Estado traz nesta quinta-feira (05/11) a nomeação de um major – Márcio Franco Borges – para assumir a Subsecretaria da Casa Militar,  antes ocupada pelo próprio tenente-coronel Ferrari.

“Somos, hoje, um total de 25 coronéis, sendo 20 do QOC (Quadro de Oficiais Combatentes) e cinco da Diretoria de Saúde. Será que não há sequer capaz de dirigir a Casa Militar do Governo do Estado?”, questiona um coronel.

Os coronéis reconhecem que o cargo pode ser ocupado por qualquer oficial superior – coronel, tenente-coronel e major –, mas afirmam que a tradição, sobretudo no Espírito Santo, tem ensinado que sempre é nomeado um oficial da mais alta parente para exercer a função de chefe da Casa Militar do Governo do Estado.

Entendem que Paulo Hartung está cometendo, assim, um ato de desprestígio com o Alto Comando da Polícia Militar. Por isso, na tarde da última terça-feira (03/11), coronéis do Alto Comando se reuniram com o comandante-geral da PM, coronel Marcos Antônio Souza do Nascimento, a quem demonstraram sua insatisfação e solicitaram que agendasse a reunião com André Garcia.

Os oficiais ao Alto Comando preferiram seguir o que reza a cartilha da disciplina, ordem e hierarquia militar. Por isso, em vez de procurar diretamente o governador, preferem-se encontrar primeiro com o secretário da Segurança Pública. No entanto, vão mostrar a André Garcia que, se o Paulo Hartung não recebê-los, a crise institucional poderá aumentar.

É a primeira vez que um governador nomeia um tenente-coronel para ser o chefe da Casa Militar, cargo ocupado, pela tradição, sempre por um coronel (da ativa ou da reserva). Por outro lado, há quem veja na reação dos coronéis uma preocupação desnecessária, levando em conta que o chefe da Casa Militar é uma espécie de “rainha da Inglaterra” dentro da estrutura e que não tem qualquer influência dentro da cúpula da segurança pública.

O chefe da Casa Militar tem de ser um oficial de extrema confiança do governador do Estado – independente de quem esteja ocupando o cargo. No caso do tenente-coronel Ferrari, ele foi de confiança também do ex-governador Renato Casagrande, quando atuava como subsecretário da Pasta.

Ferrari acompanhava Casagrande pessoalmente em eventos públicos, quando o então titular da Casa Militar, o hoje coronel da reserva Hélvio Andrade, estava em outra agenda – aliás, Andrade já havia sido também o  chefe da Casa Militar no segundo mandato de Paulo Hartung. Andrade e Ferrari, portanto, têm essa singularidade: ambos trabalharam para os mesmos governadores (Paulo Hartung e Renato Casagrande) quando estes eram aliados e também adversários.

O secretário da Casa Militar tem a tarefa de cuidar da segurança pessoal do governador do Estado e de sua família (esposa e filhos).

 

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