Paulo Hartung deixa de ir à cerimônia de formatura dos novos soldados da Polícia Militar e seu vice, César Colgnago, é vaiado por mais de 5 mil pessoas

Nunca na história do Espírito Santo um governador de Estado deixou de comparecer a uma cerimônia de formatura de novos soldados da Polícia Militar – Paulo Hartung (PMDB) não foi à formatura dos 965 alunos-soldados, na noite de quinta-feira (05/11), no Ginásio do Álvares Cabral, em Vitória. Nunca na história do Espírito Santo o representante do governador do Estado tão vaiado numa cerimônia de formatura de novos soldados da PM – César Colgnago (PSDB), o vice-governador, recebeu a maior vaia de sua vida, ao representar Hartung na solenidade de formatura dos 965 novos soldados da Polícia Militar, na noite de quinta-feira, no Álvares Cabral. Mais de 5 mil pessoas estavam nas arquibancadas do ginásio.

Oficialmente, o  governador Paulo Hartung não foi à solenidade porque, no final da tarde de quinta-feira, teve de fazer uma “viagem inesperada” para fora do Estado. Pelo menos foi o que disseram seus assessores para as autoridades que estavam no palanque.

Extraoficialmente, no entanto, Hartung foi alertado pelos gestores da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e da Secretaria da  Casa Militar a não ir ao evento por conta do clima de revolta que já havia contagiado os familiares dos 965 novos soldados por causa do atraso da formatura, que estava marcada para julho deste ano.

Por contenção de despesas, o governador Hartung mandou adiar a formatura para este mês de novembro. Assim, os novos soldados ficaram recebendo vencimentos de estagiários e não como profissionais, apesar de já terem concluído o curso. Por isso, centenas de alunos passaram necessidade em casa e tiveram que contar com ajuda dos colegas de farda para levar alimentos e remédios para esposas e filhos.

Os gestores da Sesp e da Casa Militar também alertaram Hartung sobre o clima de insatisfação no Alto Comando da Polícia Militar – conforme este blog divulgou em primeira mão –, por conta da decisão do governador de ter nomeado um tenente-coronel para ser o novo chefe da Casa Militar, com a saída do coronel da reserva José Nivaldo Campos Vieira.

As vaias ao vice-governador César Colgnago – que seriam para o governador, caso ele tivesse ido à cerimônia – começaram no momento em que seu nome foi anunciado pelo mestre de cerimônia. Demoraram 20 segundos. Só acabaram porque o locutor anunciou em seguida o nome do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marcos Antônio Souza do Nascimento. O comandante foi aplaudido com bastante entusiasmo pelas mais de 5 mil pessoas presentes dentro do ginásio. Os aplausos demoraram cerca de 15 segundos.

Diante do clima pesado, o vice-governador César Colgnago, que deveria fazer um discurso em nome do Governo do Estado do Espírito Santo para saudar os novos soldados, os novos combatentes da PMES, e seus familiares, optou pelo silêncio para não passar por mais constrangimento.

Paulo Hartung está mesmo calejado quando o assunto é a sua popularidade. Na noite de 6 de abril deste ano, ele foi alvo de um protesto silencioso por parte de oficiais e praças da Polícia Militar dentro do Quartel do Comando Geral da corporação, em Maruípe, Vitória. Ao pedir um “Viva à Polícia Militar do Espírito Santo”, o governador Paulo Hartung  por duas vezes teve de encarar o silêncio de toda a tropa que estava em forma, durante a principal solenidade em comemoração aos 180 anos da PM.

Fora as vaias ao vice-governador César Colgnago, a cerimônia militar de formatura dos novos soldados foi brilhante. A formação dos novos soldados teve início no mês de novembro de 2014 e, durante o curso, os alunos receberam conhecimentos específicos sobre Segurança Pública e aprenderam disciplinas como Polícia Comunitária Interativa, Técnicas Policiais, Armamento, Defesa Pessoal, Tiro Policial, entre outras.

Já o comandante-geral da PM, coronel Marcos do Nascimento, foi mais uma vez brilhante em sua fala, ao destacar o empenho e dedicação dos novos soldados, diante da árdua missão da formação.

“Através de diversas instruções, oficinas e palestras, vocês tiveram a possibilidade de fortalecer os conhecimentos práticos e teóricos adquiridos durante o curso, sendo dessa forma possível afirmar que mais um obstáculo foi transformado em oportunidade muito bem aproveitada por todos vocês. Tal dificuldade, somada a tantas outras vividas durante o curso, também serve como preparação para os grandes desafios que estão vindo pela frente, durante a carreira que escolheram trilhar. Espero que cada um de vocês mantenha a mesma garra, vontade e a capacidade no decorrer da nova etapa que a partir de hoje se inicia. Essas características foram postas à prova em vários momentos e serão postas novamente no decorrer das suas vidas profissionais”, disse o comandante.

Entretanto, o coronel Marcos do Nascimento tomou uma sonora vaia ao citar o nome do governador Paulo Hartung, quando tentou justificar o motivo que levou o governo a adiar a formatura dos novos soldados. Aliás, todos os políticos citados pelo mestre de cerimônia foram vaiados.

Em seu breve discurso,  o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, André Garcia, salientou que a vitória era não somente dos formandos, “mas também dos familiares que com certeza não mediram forças para que seus parentes vestissem a farda de uma instituição que tem mais de 180 anos de história.”

Os 965 soldados que se formaram nesta quinta-feira iniciaram o curso em 24 de novembro de 2014. Eles são da turma do mesmo edital lançado pelo então governador Renato Casagrande, cujos primeiros 1.040 soldados se formaram no dia 10 de setembro do ano passado. De uma só vez, Casagrande abriu 2 mil vagas para soldados na PM.


 

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