Capitão dá ordem de prisão a subcomandante de Batalhão no Espírito Santo, mas é ele que é preso e autuado em Flagrante Criminal por desacato

O comandante da 5ª Companhia (Jaguaré) do 13º Batalhão da Militar de Jaguaré, capitão Herivélton Amaral Rodrigues, está sendo autuado em flagrante pela Corregedoria Geral da PM, em Vitória, pela acusação de desacato a uma oficial superior. Ele teria tentado descumprir a ordem da subcomandante do 13º BPM, major Marinete Félix Cordeiro. O capitão chegou a dar voz de prisão à major Félix, mas quem acabou preso foi ele, por ordem da própria oficial.

O capitão Herivélton foi conduzido por dois militares numa viatura  para a sede do 13º BPM, no centro de São Mateus. O fato aconteceu na tarde de quinta-feira (17/12) na sede da Companhia de Jaguaré. Na manhã desta sexta-feira, o capitão Herivélton começou a ser ouvido na Corregedoria, em Vitória, para onde foi transferido. O capitão foi autuado em Flagrante Criminal e não Disciplinar. Neste caso, o delito atribuído a ele foi considerado grave pelo corregedor-geral da PM, coronel Hilton Borges.

A major Félix e o capitão Herivélton são da mesma forma de aspirantes: ambos formaram-se em 1997. Por se tratar de uma turma grande, somente os melhores classificados vão sendo promovidos. A confusão aconteceu durante uma inspeção administrativa que a major Félix iria realizar, na tarde de quinta-feira, na sede da Companhia de Jaguaré.  Trata-se de uma atividade programável e de rotina nas unidades militares, em que um oficial superior fiscaliza patrimônio mobiliário, viaturas, escalas, abastecimentos de combustíveis e outras demandas.

A major Félix mostrou-se totalmente tranquila e firme em sua posição. Na confusão, ela chegou a ouvir da boca do capitão que estaria presa. A oficial, no entanto, reagiu e determinou: “Você é que está sendo preso”.

Em mensagens captadas pelo Copom do 13º Batalhão via rádio, tanto a major quanto o capitão comunicam a prisão de uma e de outro. Primeiro, por ordem de Herivélton, o integrante de uma guarnição informa que a major estava sendo “presa por tentar danificar os computadores da Companhia e por atrapalhar os trabalhos do chefe de uma seção". O militar diz mais: "Ela (major) estava muito alterada e precisei dar voz de prisão (para a major Félix). Por ordem do comandante da unidade (capitão Herivélton), estou indo em minha viatura para o Batalhão (São Mateus) e a major está indo no carro dela”.

Logo em seguida, a major Félix entra no rádio e diz que, na verdade, quem está sendo preso é o “capitão Herivélton por desacato a um superior hierárquico”. Ela comunica que deu ordem para dois militares conduzirem o capitão ao quartel do 13º BPM e que seguiria em sua viatura. De seu carro, a major Félix usou o rádio de comunicação para informar ao Copom do 13º BPM sobre a prisão do capitão, detalhando que Herivélton estava sendo levado ao Cartório da unidade, em São Mateus.

Depois de chegar a São Mateus, o capitão Herivélton foi comunicado que estava preso por desacato. Ainda na noite de sexta-feiram ele foi transferido para Vitória, onde,antes de ser levado para uma sala especial do Presídio Militar, localizado no Quartel do Comando Geral da PM, em Maruípe, foi ouvido na Corregedoria da PM.

O Auto de Prisão em Flagrante vai ser comunicado a qualquer momento à Vara da Auditoria da Justiça Militar, que poderá ou não relaxar a prisão do capitão Herivélton.
 

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