Cabeleireiro de luxo, Pierre Castillo ficou preso um ano no Paraná; responde a processo por estelionato no Pará; é acusado de dar golpe de R$ 500 mil no Rio; e é indiciado pela acusação de três crimes em Vitória

O chefe da 1ª Delegacia Regional (Vitória) e superintendente em exercício de Polícia Metropolitana, delegado Lauro Coimbra, enviou à Justiça do Estado do Espírito Santo o  relatório final do Inquérito Policial aberto em desfavor do cabeleireiro Cláudio Félix Tavares, conhecido como Pierre Castillo, 37 anos (foto). No inquérito, o cabeleireiro das famosas foi indiciado pela acusação de praticar três crimes: falsidade ideológica,  uso de documento com dados falsos e estelionato.

Pierre Castillo é também acusado de  ter lesado mais de 50 pessoas na cidade de Cabo Frio, no Rio de Janeiro – de onde teria fugido para Vitória –, causando um prejuízo estimado em quase R$ 500 mil. Vítimas contaram à Polícia Civil de Cabo Frio que ele teria saqueado dois salões de beleza, uma casa noturna no Jardim Esperança, convenceu pessoas a abrirem empresas e emprestarem cheques.


Pierre Castillo chegou a ser preso em Vitória no dia 5 deste mês por causa de uma condenação imposta pela Justiça gaúcha pela acusação de furtos. Por conta da acusação e das provas levadas aos autos, o cabeleireiro foi condenado a dois anos e quatro meses de reclusão, em regime inicial aberto, na Penitenciária da cidade de Santana do Livramento, interior do Rio Grande do Sul, de acordo com sentença prolatada pela juíza Tânia da Rosa, daquela Comarca gaúcha. Ele chegou a abrir um salão em Cabo Frio, que acabou sendo fechado depois de sua fuga da cidade.

Consta na denúncia do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, de acordo com o processo número 025/2.03.0001348-2, que, no dia 24 de fevereiro de 2002, por volta das 9 horas, no interior do estabelecimento comercial localizado na Avenida Almirante Tamandaré, nº 1.640/02, em Santana do Livramento, “o denunciado Cláudio Félix, com vontade livre e consciente, motivado por lucros fáceis, subtraiu, para si, duas máquinas de tatuagem, marca ‘Zago-Tatto’, uma amplificador de corrente, quatro patas com máquinas de tatuagem, um aparelho de CD, uma máquina para cortar cabelos, quatro patas com desenhos variados de tatuagens, um secador manual para cabelos, um soldador de estanho, 12 tubos de tinta para tatuagem, 300 agulhas para tatuagens (astes), um par de sandálias, um porta-tintas (marca Botox, avaliado em R$ 1.580,00), além da importância de R$ 700,00, em dinheiro, com abuso de confiança, pertencentes às vítimas Humberto Javier Baraybar Suarez, Carlos André da Silva Ferreira e Maria Catarina Nunes Bisso”.

Na sentença, a juíza Tânia da Rosa informa que o cabeleireiro Pierre Castillo teve sua prisão decretada em 11 de março de 2002, mas o ato foi revogado posteriormente e ele respondeu o processo em liberdade. Depois de condenado, no entanto, Pierre Castillo foi embora do Rio Grande do Sul.

Pierre Castillo responde a processo pela acusação de estelionato no Pará

O cabeleireiro Pierre Castillo tem deixado rastros nada positivos por onde passa pelo Brasil afora. No Pará, onde morou por algum tempo, ele está sendo processado pela acusação de estelionato.

O processo n. 0017983-66.2006.814.0401 tramita na 4ª Vara Criminal de Belém, mas encontra-se suspenso desde o dia 18 de junho de 2013 por decisão do juiz Altemar da Silva Paes, que aguarda que Cláudio Félix Tavares apresente advogado para sua defesa: “Considerando que o processo encontra-se suspenso, nos moldes do art. 366 do CPP (decisão fls. 70) e, segundo o entendimento jurisprudencial no sentido de que o mero decurso do tempo não é fundamento idôneo para a antecipação de provas (súmula 455 do STJ), determino que os autos sejam acautelados, até que o acusado apresente advogado nos autos ou ainda, que decorra o curso do prazo prescricional.”

O cabeleireiro Pierre Castillo passou ainda pelo Paraná, onde ficou preso durante um ano; por Sorocaba (São Paulo), onde tem um processo de execução de cobrança; e em Cabo Frio, onde teria furtado documentos de um cidadão identificado como Edivaldo Ferreira Basílio.

De posse da Certidão de Nascimento de Edivaldo (foto ao lado), Pierre veio para Vitória e aqui conseguiu fazer  duas Carteiras de Identidade na Polícia Civil: uma em seu nome verdadeiro (Cláudio Félix Tavares) e outra em nome de Edivaldo Ferreira Basílio. Com a Identidade de Edivaldo, Pierre Castillo abriu contas no Banco do Brasil e no Sicoob.

Embora tenha sido condenado a cumprir a pena em regime aberto no Rio Grande do Sul, Pierre Castillo descumpriu procedimentos impostos pela Justiça gaúcha. Por isso, foi expedido mandado de prisão contra ele. A esta altura, o delegado Lauro Coimbra já havia tomado conhecimento de que o cabeleireiro estava atuando em Vitória com documentos falsos.

De posse do mandado de prisão, Lauro Coimbra e sua equipe prenderam Pierre no dia 5 deste mês. A Polícia Civil do Espírito Santo chegou até o cabeleireiro, que também é designer de sobrancelhas, após receber uma denúncia de que ele havia falsificado documentos de um morador de Cabo Frio (Rio). Pierre Castillo, no entanto, passou apenas uma noite na cadeia: no dia seguinte a Justiça gaúcha revogou o mandado de prisão e ele voltou a trabalhar na capital capixaba.

Pierre Castillo ficou preso durante um ano no Paraná

O cabelereiro Cláudio Félix Tavares, o Pierre Castillo, prestou depoimento ao delegado Lauro Coimbra no Inquérito Policial aberto para investigar o uso de documento falso.  Ele disse que trabalha no ramo de salão de beleza há 20 anos, que começou a atuar em São Paulo, onde morava. Lembrou que em 2000 residiu em Santana do Livramento, saiu de lá e veio para Vitória (pela primeira vez), onde ficou um ano e aqui fez uma Carteira de Identidade e trabalhou em um salão famoso.

Revelou que, após cinco anos, quando já estava residindo no Paraná, tomou conhecimento de que havia um mandado de prisão em aberto, expedido pela Comarca de Santana do Livramento. Ficou preso no Paraná durante um ano em regime fechado. Após esse período, foi transferido para Santana do Livramento. Lá, foi apresentado ao Juízo e colocado em liberdade.

Diante das provas materiais e da confissão do próprio investigado, o delegado Lauro Coimbra encerrou o inquérito e preparou o indiciamento. No relatório encaminhado à Justiça, o delegado informa  que o Inquérito Policial teve início por “força de investigação tomando-se como base uma denúncia anônima entregue nesta 1ª Delegacia Regional informando que o indivíduo conhecido pelo nome fantasia ‘Pierre Castillo’ é estelionatário e se utiliza de duas identidades: uma em seu nome verdadeiro (Cláudio Félix Tavares) e uma outra em nome de Edivaldo Ferreira Basílio, esta última tirada na Polícia Civil do Estado do Espírito Santo, utilizando-se de documentos roubados”.

O delegado ressalta que, em pesquisa realizada junto ao cadastro da Polícia Civil, constatou a existência de uma Carteira de Identidade em nome de Edivaldo Ferreira Basílio, sob o número 3887966, cadastrada em 15 de dezembro de 2014, e outra em nome de Cláudio Félix Tavares, cadastrada sob o nº 1749159, “ambas com a mesma fotografia, mas com dados pessoais diversos.”

Ainda no relatório de indiciamento, o delegado Lauro Coimbra informa ter constatado a existência de “procedimento criminal contra a pessoa de Cláudio Félix Tavares em alguns estados: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.”

Acrescenta o delegado que, em pesquisa na ocorrência do Rio, verificou a existência de investigação de crime de estelionato, com base no registro nº 126-07012/2015, onde o verdadeiro Edivaldo Ferreira Basílio registrou que teve seus documentos roubados e contas abertas em seu nome no Banco do Brasil, agência Shopping Vitória (onde Pierre Castillo trabalhava num famoso salão), de onde teve cheques devolvidos sem fundos, negativando o seu nome.”

De acordo com Lauro Coimbra, Pierre Castillo confessou em depoimento a autoria de ter feito uma Carteira de Identidade em nome de Edivaldo, utilizando seus documentos e a abertura de contas no Banco do Brasil e no Sicoob, “tendo utilizado destas contas na emissão de cheques sem provisão de fundos.”

O delegado anexou aos autos reportagem coletada da internet, em que um jornal de Cabo Frio publicou, em 12 de março de 2014, denúncia contra Cláudio Félix, informando que ele teria lesado mais de 50 pessoas, causando um prejuízo de meio milhão de reais.

Diante do que expôs, o delegado Lauro Coimbra indiciou o cabeleireiro Pierre Castilho por falsidade ideológica (artigo 299 do Código Penal Brasileiro), “em razão de ter inserido em documento de identidade Oficial do Estado do Espírito Santo (carteira feita em nome de Edivaldo) dados de terceiros sabendo não serem verdadeiros”; Uso de documentos dom dados falso (artigo 304), “em razão de ter utilizado do documento acima citado para inscrição junto à empresa Claro (comprovante de residência) e utilizar tais documentos para abertura de contas em agência bancária”; e Estelionato (artigo 171), “por ter se utilizado dos documentos alterados, aberto conta em banco e emitido cheques sem provisão de fundos em nome de Edivaldo Ferreira Basílio”.

Leia aqui a reportagem que o Portal de Notícias RC 24 horas fez sobre Pierre Castillho: http://rc24h.com.br/noticias/ver/9741/bicha-ma-felix-e-acusado-de-aplicar-golpes-e-causar-meio-milhao-de-prejuizos-em-cabo-frio

 

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