GOVERNO SUSPENDEU PAGAMENTO E REALIZAÇÃO DE CURSOS DE FORMAÇÃO PARA NOVOS POLICIAIS: Governo do Espírito Santo deixa de pagar 800 mil reais a instrutores da Acadepol

Profissionais docentes ligados à área de segurança pública e do sistema de Justiça Criminal de outros estados brasileiros estão boicotando o Espírito Santo e evitando dar cursos de formação, aprimoramento e reciclagem para a Academia de Polícia Civil (Acadepol). Motivo: calote de mais de R$ 800 mil dado pelo governo do Estado. Em 2014, pelo menos 170 profissionais – instrutores e professores – deram curso na Acadepol. Teriam que receber pelos serviços no ano seguinte, mas não pintou grana para eles.

Além da falta de dinheiro, a Acadepol vive outro drama: o governador Paulo Hartung, ao assumir o poder pela terceira vez, em janeiro de 2015, foi logo anunciando cortes em vários setores do governo como forme de “enfrentar a crise”. A Segurança Pública foi uma delas. E um dos cortes foi a imediata suspensão de qualquer tipo de curso de aperfeiçoamento para os profissionais das polícias Civil e Militar.

O corte atingiu, sobretudo, a Acadepol. Mesmo assim, a Academia conseguiu formar um grupo de guardas municipais de Vila Velha, por meio de convênio, porque seus docentes (da Acadepol) decidiram dar o curso de graça. Ainda em 2015, 25 delegados de Polícia, que haviam sido nomeados no ano anterior, também fizeram o curso de formação, mas sem ônus para o Estado. Um grupo de docentes ligados à segurança pública e ao Direito Penal aceitou dar o curso para ajudar a Polícia Civil a contar logo com mais delegados no seu dia a dia.

Já os novos escrivães, que começaram a trabalhar, tiveram apenas uma semana de aula de tiro, para que pudessem receber a pistola. O curso somente pôde ser realizado porque acontece na sede campestre do Sindicato dos Servidores Policiais Civis do Estado do Espírito Santo (Sindipol), que nada cobra do governo. O Sindipol cede o espaço para a utilização das armas e munição nos cursos de armamentos e tiros dos futuros policiais.

Agora em 2016, pelo menos 60 investigadores recém-convocados deveriam iniciar o curso de formação na Acadepol logo que sejam aprovados na Investigação Social. Deveriam. O curso dificilmente será realizado, pois nenhum professor contatado pela Administração da Polícia Civil capixaba aceitou se deslocar para Vitória para dar instruções teóricas e práticas aos futuros policiais. Assim, os novos investigadores correm o risco de ir para as ruas  investigar diversos tipos de crimes, sem nenhuma experiência. Eles são os remanescentes da turma do concurso de 1993.

A situação mereceu, por parte do ex-governador Renato Casagrande, um comentário crítico em sua página no facebook. E, ao mesmo tempo, uma cobrança. Com o título “Polícia sem treinamento”,  Casagrande afirma que o  atual governo (Paulo Hartung) “continua desmontando o sistema de segurança pública que trabalhamos tanto para construir.”

A má notícia, diz Renato Casagrande, vem da Acadepol. Ele lembra que, em seus quatro anos de gestão, a Acadepol ministrou cursos de formação e reciclagem para mais de 2.400 servidores entre delegados, investigadores, agentes de polícia, escrivães e peritos, contra 1.799 treinamentos realizados nos oito anos anteriores – quando o Estado foi governador por Paulo Hartung.

Sobre o calote dado pelo Estado aos docentes que deram cursos no último ano de sua gestão, Renato Casagrande afirma que, “no final de 2014, deixamos todas as despesas com os cursos realizados empenhados e dinheiro em caixa para remunerar os profissionais contratados, mas até hoje o atual governo não fez os pagamentos devidos, assim como não contratou novos treinamentos em todo o ano passado.”

Leia a íntegra do comentário do ex-governador Renato Casagrande em sua página no facebook

POLÍCIA SEM TREINAMENTO

“O atual governo do Espírito Santo continua desmontando o sistema de segurança pública que trabalhamos tanto para construir. A má notícia agora vem da Academia de Polícia Civil. Em nossos quatro anos de gestão, a Acadepol ministrou cursos de formação e reciclagem para mais de 2.400 servidores entre delegados, investigadores, agentes de polícia, escrivães e peritos, contra 1.799 treinamentos realizados nos oito anos anteriores.

No final de 2014, deixamos todas as despesas com os cursos realizados empenhados e dinheiro em caixa para remunerar os profissionais contratados, mas até hoje o atual governo não fez os pagamentos devidos, assim como não contratou novos treinamentos em todo o ano passado.

 É a velha política mostrando sua cara mais uma vez. Só por picuinha e vaidade, estão comprometendo um trabalho fundamental para a
qualidade e eficiência da polícia, enquanto repetem a promessa marqueteira de uma tal Ocupação Social’ que ninguém vê.”

 

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