Defasagem salarial na Polícia Civil no atual governo Hartung rompe a barreira dos 20%, diz Sindipol/ES

No dia 28 de janeiro, a secretária de Estado da Fazenda, Ana Paula Vescovi, encheu a boca para anunciar que o Espírito Santo fechou o ano de 2015 com um superávit de R$ 206 milhões. O resultado se deu em virtude da diminuição das despesas com pessoal, de custeio do governo e pela forte redução de investimentos, segundo a secretária. Uma prova de que o ex-governador Renato Casagrande está sempre dizendo a verdade, quando garante ter deixado dinheiro em caixa.

Porém, em contrapartida ao superávit milionário, com o novo índice de reajuste do salário mínimo em torno de 11,6% que foi aplicado a partir de janeiro de 2016, somados com o reajuste salarial de 8,8% concedido em 2015, a defasagem do salário dos policiais civis do Estado do Espirito Santo, no segundo ano do governo Paulo Hartung, gira em torno de 20,4%.

“Só que em 2015 o governo Paulo Hartung não concedeu reajuste para ninguém; deixou de cumprir até mesmo o que determina a Constituição Federal, que é a reposição da inflação do ano anterior. Na prática, isso representa a queda do poder aquisitivo do nosso dinheiro em relação à elevação dos preços de bens, serviços e o endividamento”, afirma o presidente do Sindicato dos Servidores Policiais Civis, Jorge Emílio Leal.

Segundo o líder classista, considerando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), os salários dos policiais civis tiveram uma perda de 81,8 % desde 2002 (número atualizado). Nos últimos 12 meses, a inflação já comeu mais de 6,53% do poder de compra dos trabalhadores, se somada ao congelamento do auxílio alimentação, que desde 1997 não é reajustado (e que mesmo com parecer favorável da Procuradoria Geral do Estado, arbitrariamente, não é concedido aos Policiais Civis), o empobrecimento da categoria no Estado ainda é maior.

“O auxílio alimentação dos servidores estaduais deveria ser no valor de R$ 550,00 para os servidores que atuam por 6 horas e R$ 734,00 para 8 horas diárias, já que a inflação acumulada desde 1997, quando foi estabelecido o benefício, já chega a 317% baseado no Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM)”, explica Jorge Emílio.
“Esses dados são agravados pela falta de uma data base somados aos reajustes abaixo da inflação concedidos pelo governo estadual nos últimos anos, fatores que só comprovam que falta uma política de valorização profissional da categoria”, completou.

Jorge Emílio lembra que todos os profissionais de Polícia Civil – delegados, investigadores, agentes, escrivães, peritos criminais e papiloscopistas, médicos-legistas, auxiliar de perícia e outros – já estão com salário defasado há quase duas décadas.

"O Sindipol, que é o legítimo representante de toda a categoria de Policiais Civis no Espírito Santo, vem lutando junto ao governo para a melhoria salarial de todos os servidores da Polícia Civil capixaba. Hoje, nossos peritos criminais, por exemplo, têm um dos piores salários do País; enquanto os nossos delegados de Polícia têm o terceiro pior salário do Brasil. Uma situação inadmissível para um Estado dono de uma das mais altas taxas do PIB per capita do País e um dos poucos Estados a reduzir o número de assassinatos", disse Jorge Emílio. "Nossa polícia vem reduzindo as taxas de de homicídios há seis anos seguidos".
 

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