CABELEIREIRO ACUSADO DE DAR GOLPES NA GRANDE VITÓRIA VIRA VÍTIMA EM PROCESSO NA JUSTIÇA DO TRABALHO: Pierre Castillo vai ter audiência no dia 31 deste mês no Fórum do Parque Moscoso

Acusado de lesar mais de 50 pessoas na Grande Vitória e ter fugido para outro Estado, o cabeleireiro Cláudio Félix Tavares, conhecido como Pierre Castillo, 37 anos, tem audiência marcada para o dia 31 deste mês, a partir das 14 horas, na 13ª Vara da Justiça do Trabalho. A audiência acontecerá no Fórum do Trabalho, localizado na avenida Cleto Nunes, número 85, no Parque Moscoso, na capital capixaba.

Só que Pierre Castilho, que se intitula cabeleireiro das famosas, é vítima num processo trabalhista que ele moveu contra a empresa em que trabalhava no Shopping Vitória. Ele pediu demissão da empresa e abriu seu próprio estabelecimento de luxo, na Enseada do Suá. Pierre Castillo era foragido da Justiça do Rio Grande do Sul, onde foi condenado por furtos.

Pierre ainda teria invadido o escritório da empresa onde trabalhava no Shopping Vitória e furtado a agenda com contatos de clientes. Sobre este caso, ele responde a um Inquérito Policial instaurado pela Delegacia da Praia do Canto. Tão logo pediu demissão, Pierre Castilho abriu um salão na Enseada do Suá, onde ficou por poucos meses, pois teria fugido e deixado diversas pessoas – entre clientes e funcionários – no prejuízo.

Em janeiro deste ano, o chefe da 1ª Delegacia Regional (Vitória), delegado Lauro Coimbra, enviou à Justiça do Estado do Espírito Santo o  relatório final do Inquérito Policial aberto em desfavor do cabeleireiro Pierre Castillo. No inquérito, o cabeleireiro das famosas foi indiciado pela acusação de praticar três crimes: falsidade ideológica,  uso de documento com dados falsos e estelionato.

Pierre Castillo é também acusado de  ter lesado mais de 50 pessoas na cidade de Cabo Frio, no Rio de Janeiro – de onde teria fugido para Vitória –, causando um prejuízo estimado em quase R$ 500 mil. Vítimas contaram à Polícia Civil de Cabo Frio que ele teria saqueado dois salões de beleza, uma casa noturna no Jardim Esperança, convenceu pessoas a abrirem empresas e emprestarem cheques.

Pierre Castillo chegou a ser preso em Vitória no dia 5 de janeiro deste ano por causa de uma condenação imposta pela Justiça gaúcha pela acusação de furtos. Por conta da acusação e das provas levadas aos autos, o cabeleireiro foi condenado a dois anos e quatro meses de reclusão, em regime inicial aberto, na Penitenciária da cidade de Santana do Livramento, interior do Rio Grande do Sul, de acordo com sentença prolatada pela juíza Tânia da Rosa, daquela Comarca gaúcha. Ele chegou a abrir um salão em Cabo Frio, que acabou sendo fechado depois de sua fuga da cidade.

Consta na denúncia do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, de acordo com o processo número 025/2.03.0001348-2, que, no dia 24 de fevereiro de 2002, por volta das 9 horas, no interior do estabelecimento comercial localizado na Avenida Almirante Tamandaré, nº 1.640/02, em Santana do Livramento, “o denunciado Cláudio Félix, com vontade livre e consciente, motivado por lucros fáceis, subtraiu, para si, duas máquinas de tatuagem, marca ‘Zago-Tatto’, uma amplificador de corrente, quatro patas com máquinas de tatuagem, um aparelho de CD, uma máquina para cortar cabelos, quatro patas com desenhos variados de tatuagens, um secador manual para cabelos, um soldador de estanho, 12 tubos de tinta para tatuagem, 300 agulhas para tatuagens (astes), um par de sandálias, um porta-tintas (marca Botox, avaliado em R$ 1.580,00), além da importância de R$ 700,00, em dinheiro, com abuso de confiança, pertencentes às vítimas Humberto Javier Baraybar Suarez, Carlos André da Silva Ferreira e Maria Catarina Nunes Bisso”.

Na sentença, a juíza Tânia da Rosa informa que o cabeleireiro Pierre Castillo teve sua prisão decretada em 11 de março de 2002, mas o ato foi revogado posteriormente e ele respondeu o processo em liberdade. Depois de condenado, no entanto, Pierre Castillo foi embora do Rio Grande do Sul.

No Pará, onde morou por algum tempo, Pierre Castillo está sendo processado pela acusação de estelionato. O cabeleireiro passou ainda pelo Paraná, onde ficou preso durante um ano; por Sorocaba (São Paulo), onde tem um processo de execução de cobrança; e em Cabo Frio, onde teria furtado documentos de um cidadão identificado como Edivaldo Ferreira Basílio.

De posse da Certidão de Nascimento de Edivaldo (foto ao lado), Pierre veio para Vitória e aqui conseguiu fazer  duas Carteiras de Identidade na Polícia Civil: uma em seu nome verdadeiro (Cláudio Félix Tavares) e outra em nome de Edivaldo Ferreira Basílio. Com a Identidade de Edivaldo, Pierre Castillo abriu contas no Banco do Brasil e no Sicoob.

Embora tenha sido condenado a cumprir a pena em regime aberto no Rio Grande do Sul, Pierre Castillo descumpriu procedimentos impostos pela Justiça gaúcha. Por isso, foi expedido mandado de prisão contra ele. A esta altura, o delegado Lauro Coimbra já havia tomado conhecimento de que o cabeleireiro estava atuando em Vitória com documentos falsos.

De posse do mandado de prisão, Lauro Coimbra e sua equipe prenderam Pierre no dia 5 deste mês. A Polícia Civil do Espírito Santo chegou até o cabeleireiro, que também é designer de sobrancelhas, após receber uma denúncia de que ele havia falsificado documentos de um morador de Cabo Frio (Rio). Pierre Castillo, no entanto, passou apenas uma noite na cadeia: no dia seguinte a Justiça gaúcha revogou o mandado de prisão e ele voltou a trabalhar na capital capixaba.

 

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