Coronel Rogério fala da estratégia montada que reduziu a violência no Sul do Espírito Santo

Desde fevereiro deste ano, o coronel Rogério Maciel Barcellos está à frente do Comando de Polícia Ostensiva–Sul (CPO-Sul) da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo. Implantou uma dinâmica de trabalho que vem se tornando responsável pela queda da violência na região. Um excelente exemplo é que a redução no número de roubos a ônibus, na Região Sul, chegou a 81,3% no primeiro semestre deste ano em relação a 2015: “A diminuição acentuada destes números confirma a estratégia acertada que nós adotamos no nosso plano de comando”, comenta o coronel Rogério.


Blog do Elimar Côrtes – Quando o senhor assumiu o Comando do CPO-Sul?
Coronel Rogério Maciel Barcellos – Assumi o Comando de Polícia Ostensiva–Sul no dia 15 de Fevereiro de 2016, em substituição ao coronel Leonardo Marchesi dos Reis.

– O CPO-Sul é responsável por um contingente de quantos militares?
– Responsável pelo exercício dos atos de Polícia Ostensiva nos 34 municípios que compõem a Região Sul. Para o desenvolvimento destas atividades, contamos com o efetivo de quase 1.500 militares estaduais divididos pelos 3 Batalhões, 4 Companhias Independentes e pelo Centro de Operações da Policia Militar do CPO-Sul.

– Como são as reuniões com comandantes de unidades e onde elas ocorrem?
– As reuniões ocorrem, via de regra, quinzenalmente, alternando os locais entre o CPO-Sul e a sede das unidades que o compõem. Essa dinâmica colabora para que, tanto o Comandante do CPO-Sul quanto os demais comandantes de Unidade, tenham contato com outras realidades deste Comando Regional.

– O que o senhor poderia destacar do Planejamento de Ações do CPO-Sul para sua gestão?
– Além de nortear as Ações Operacionais na área do CPO-Sul em sintonia com os programas de Estado e da Corporação, e desenvolver ações conjuntas com os diversos órgãos que militam na área de segurança publica e defesa social, ao CPO Sul cabe fornecer suporte Operacional as Unidades e Subunidades Independentes a fim de que elas possam atingir as metas estabelecidas.

– Que ações vêm sendo realizadas desde a sua posse visando o bem estar de seus comandados e da melhoria da segurança pública no Sul do Estado?
– Além da promoção das formaturas que premiam os destaques operacionais, a realização de competições esportivas dentre as atividades desenvolvidas nas comemorações de aniversário das Unidades e do CPO-Sul. Esses eventos servem para promover o congraçamento entre os policiais militares que servem nas nossas unidades. Também é uma excelente oportunidade para a integração entre os militares ativos e inativos. Os inativos merecem um destaque especial, pois tem prestigiado os nossos eventos, comparecendo em grande número em todas as etapas dos nossos eventos.

– É sabido que no Sul do Espírito Santo há várias portas de entrada de drogas e marginais vindos, principalmente, do Estado do Rio. Como é feito o serviço de patrulhamento nas estradas vicinais que ligam nosso Estado ao Rio de Janeiro?
– Em razão da posição geográfica da Região Sul capixaba, as operações nas divisas do Espírito Santo com o Estado do Rio e de Minas Gerais fazem parte da rotina operacional deste Comando, a ponto de constarem, desde a instalação, em todos os Planos Diretores do CPO-Sul. Com frequência nós temos planejado, e as nossas Unidades têm desenvolvido operações em vários pontos, se concentrando nos principais (BASE I - Posto Fiscal Hugo Talon – Praia das Neves – Presidente Kennedy; BASE II - Posto Fiscal Santa Cruz – BR 101 – Mimoso do Sul; BASE III - Posto Fiscal Ponte do Itabapoana – Mimoso do Sul; BASE IV - Posto Fiscal De Lajinha – Ibatiba; BASE V - Posto Fiscal Malvino Turra - Bom Jesus do Norte; BASE VI - Posto Fiscal de Dores do Rio Preto – Dores do Rio Preto; BASE VII – Posto Fiscal de Pequiá – Iúna).

Com vistas a ampliar ainda mais a nossa presença, e a qualidade do serviço prestado pela Polícia Militar, estamos desenvolvendo um projeto, que a princípio, será chamado de Pelotão de Operações de Divisa. Seria um efetivo oriundo das nossas Unidades, que passaria a executar um policiamento especializado nas nossas divisas, focando na busca por armas, drogas, fugitivos e toda sorte de prática delituosa que, por ventura, vier adentrar o território do nosso Estado.

– As abordagens policiais ocorrem também em zonas urbanas e rurais dos municípios do Sul capixaba?
– Temos em vários municípios a realização do Policiamento Rural. No período da “panha do café” (coleta do  café), este modelo de policiamento é muito importante para levar tranquilidade a população que vive nestas regiões de Ibatiba, Iúna,  Irupi, Brejetuba, Afonso Cláudio, pois a necessidade de contratação de mão de obra faz aumentar a circulação de pessoas e de bens por toda essa região. Isso colabora para o aumento da demanda da Polícia Militar, justificando, assim, o deslocamento de efetivo para esses locais, a elevação no número de ações na zona rural e a ampliação da presença da PMES nestes locais.

Nas zonas de características urbanas, buscamos amparar as nossas ações nos conhecimentos obtidos com a análise das nossas estatísticas criminais. De acordo com a informação que a leitura dos dados nos oferece nos desenvolvemos a estratégia adequada para cada tipo de demanda. Isso pode resultar em operações “Para Pedro” (com foco em táxi e transportes coletivos), ou em operações “Cavalos de Aço” (visa motocicletas se na prática do delito este tipo de veiculo é empregado) e uma infinidade de outras ações, que resultaram na diminuição, por exemplo, dos roubos a pessoa em via pública.

– Quais as metas a serem cumpridas (e em que prazo?) pelo seu Comando?
– Como já foi dito, em sintonia com os programas de Estado e da Corporação, trabalhamos para alcançar redução de homicídios. Isso, claro, sem poder nos descuidarmos dos outros delitos. Apesar de alguns números de melhora serem aparentemente modestos, outros são comemorados com entusiasmo, pois revertem um tendência de crescimento que vinha ocorrendo desde 2012. Foram mais de 12.000 (12.936) operações policiais nos 34 municípios alcançados pelo CPO-Sul, com um tempo de duração que, em média, aumentou, nestes primeiros seis meses. Esse detalhe, associado ao emprego racional dos meios a disposição das unidades, colaborou para a diminuição drástica, em toda Região Sul, dos crimes contra o patrimônio. Uma de nossas prioridades é manter essa redução.

– Como tem sido o trabalho de Inteligência das Unidades Militares no Sul? Que tipos de delitos a Inteligência tem conseguido detectar com prazo razoável para se iniciar uma intervenção?
O desenvolvimento das atividades de Inteligência na Polícia Militar tem como alvo, subsidiar o gestor, o Comandante, na tomada de decisão. Nossas agências têm trabalhado para buscar informações e transformá-las em conhecimento, seja através da consulta aos diversos portais públicos de informações, seja pela análise criminal dos números produzidos pela Unidade, ou ainda pela participação da população através de canais de denúncia. Com esse conhecimento, podemos empregar nosso efetivo de forma racional, por exemplo, saturando determinadas áreas onde a ocorrência de um determinado delito tem se destacado. Em algumas Unidades, as agências também têm atuado em apoio ao Ministério Público, auxiliando o ‘Parquet’ naquilo que lhe cabe investigar.

– Como é o trabalho de integração com outras forças de segurança pública, como as Polícias Civil e Rodoviária Federal e Guardas Municipais?
– Temos no CPO-SUL o CIODES-SUL. Ali, no Centro Integrado com sede em Cachoeiro, trabalham juntas a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Guarda Municipal. A divisão do mesmo espaço físico por estas instituições facilita bastante o emprego racional dos nossos recursos, e diminui a possibilidade das instituições atuarem fora de suas atribuições.

Outra vantagem notada é a velocidade na troca de informações. A proximidade ajuda na criação de elos de confiança e na troca de informações. Quem ganha com isso é o destinatário final do serviço: a sociedade.

– Além do policiamento ostensivo, a PM atua também na prevenção. Neste sentido, podemos destacar projetos como o Proerd. Como é a atuação do Proerd ou outras ações sociais da PM no Sul do Estado?
– Há na região do CPO-Sul uma presença bastante significativa do Programa (Proerd), que é oferecido em quase todos os 34 municípios do Sul. São formaturas que contam com a presença de mais de 2.000 pessoas, onde estão incluídos pais, professores e alunos, sua grande maioria.

As unidades do Comando de Polícia Ostensiva Sul possuem tradição na aplicação do Proerd. Só para se ter uma ideia, em Conceição de Castelo e Venda Nova do Imigrante, foram formados no primeiro semestre deste ano, 2.464  alunos, sendo 1.142 em Conceição e 1.322 em Venda Nova. Se levarmos em conta que a população de Conceição de Castelo é de 11.447 habitantes, segundo o IBGE 2016, podemos afirmar que 10% da população de Conceição de Castelo foi beneficiada pelo Proerd. Isso só no primeiro semestre de 2016!

– Como andam os índices de violência na região? Que tipos de crimes mais têm sido reduzido no Sul?
– “Operações Saturação”, “Cavalo de Aço” , “Cerco Tático”, “Força Total”, “Para-Pedro”, “Fecha-Batalhão” e outras ações resultaram na diminuição dos roubos a pessoa em via pública, roubo em estabelecimento comercial, roubo em residência/condomínio, roubos de veículo e roubo em transporte coletivo.

No primeiro semestre de 2015, foram 611 roubos a pessoa em via pública; 157 veículos roubados; 333 roubos em estabelecimento comercial; 58 em residências/condomínios; e 16 em transportes coletivos. Já em 2016 foram 596 a pessoa em via pública (queda de 2,5%); 119 roubos a veículos (-24,2%); 221 em estabelecimento comercial (-33,6%); 53 a residência/condomínio (-8,6%).

Apesar da queda de todos estes indicadores, nenhuma delas (quedas) foi tão significativa quanto a dos roubos em transporte coletivo, que atingem a população de baixa renda, principais usuários deste serviço. Se no 1º semestre de 2015 foram 16, este ano foram apenas três, o que representou uma redução de 81,3%. A diminuição acentuada destes números confirma a estratégia acertada que nós adotamos no nosso plano de comando.

–  Há cidades onde o número de homicídios é zero. Como é trabalhar numa lugar assim, coronel?
– Certamente, os números positivos são motivo de otimismo, de satisfação, mas não podem ser causa-motivo de distração, ou que nos afastem do nosso objetivo que é estabelecer esta tendência de queda. Por isso buscamos sempre examinar as razões dos bons números e se necessário reavaliar a nossa atuação nesses municípios.

 

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