População protesta quando seus jovens morrem em troca de tiros com a polícia, mas se cala quando são executados pelo próprio tráfico

Dia 11 de setembro de 2016. Geydson Morethzson,  22 anos, morre numa troca de tiros com policiais militares no  Morro dos Alagoanos, em Vitória. Dezenas de moradores ocuparam as principais ruas da Grande Antônio e bloquearam a passagem de carros, em protesto pela morte do jovem, acusando a PM de ter “executado” o sujeito.

Dia 9 de outubro de 2016.  Rafael Moraes da Silva, 21 anos, o "Chuck", é morto em confronto com a Polícia Militar em Andorinhas, Vitória. Por dois dias, moradores da região protestaram, fechando a Ponte da Passagem. Acusaram policiais de terem executado o jovem, que “era trabalhador” – tinha só três pesagens pela Justiça.

Dia 25 de outubro de 2016. Wenderson Souza, 17 anos, é morto depois de uma troca de tiros com policiais militares no Bairro da Penha. Instigados por traficantes da região, moradores ocupam diversas ruas do bairro e a avenida Leitão da Silva, incendeiam pneus e atacam veículos, pedestres e lojas em protesto. Culpam  a PM pelo morte do jovem que “era gente boa”, um estudante que sonhava em ser....Policial militar.

31 de outubro de 2016. Três homens são assassinados a tiros no Morro dos Alagoanos, em Vitória. Marcos Aquino Júnior e Marcelo Rangel Farias morreram no local. O terceiro “indivíduo” chegou a ser socorrido por uma viatura da PM e levado para o Pronto Atendimento de São Pedro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu a caminho da unidade de saúde. Sete homens armados invadiram uma das escadarias, entraram em casa e mataram os rapazes. Crianças brincavam na escadaria; jovens e adultos bebiam em um bar próximo a um dos pontos de vendas de drogas do Morro dos Alagoanos no momento da chacina. Todos assistiram passivamente à matança.

Nos três primeiros casos, como se vê, moradores se revoltaram contra o Estado-Polícia, representado pela Polícia Militar, acusando-a de “matar” os jovens. A própria imprensa deu tratamento favorável aos “jovens” mortos, sem se aprofundar em suas fichas criminais e dando razão somente aos moradores, sempre instigados (ou orientados, ou ordenados) por traficantes para realizar manifestações contra o Estado-Polícia.

No último caso – chacina no Alagoanos –, nenhuma manifestação. Familiares e amigos das vítimas preferiram o silêncio (ou foram forçados ao silêncio). Os três rapazes mortos no Morro dos Alagoanos foram vítimas dos próprios traficantes. É como se os moradores respeitassem a pena de morte imposta pelo tráfico. Quando um dos seus queridos morre em confronto com a polícia, é “execução”; “é covardia” praticada pelos policiais. Quando o sujeito morre pelas mãos dos próprios traficantes, é “algo divino”. Foi o caminho que eles (vítimas) escolheram. Ou, “os meninos vacilaram” e, por isso, morreram, tranquilizam-se os familiares.

 

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