Polícia Civil fecha restaurante que atendia policiais com preço abaixo do mercado e causa demissão de trabalhadores no Espírito Santo

Chegou ao fim, nesta quinta-feira (22/12), a Cantina que o Sindicato dos Servidores Policiais Civis do Estado do Espírito Santo (Sindipol/ES) mantinha há mais de 30 anos no pátio da Chefatura de Polícia, na Reta da Penha, em Vitória. Foi uma despedida emocionante que contou com a presença de dirigentes do Sindipol e dos funcionários da cantina, que agora passam a engrossar as fileiras dos desempregados no Estado.

A cantina funcionava há muitos anos sob a gerência do Sindipol, oferecendo uma alimentação de qualidade com um grupo de profissionais capacitados e praticando preços abaixo do mercado para todos os servidores policiais civis. O preço também era diferenciado para os sindicalizados.

Foi o próprio comando da Polícia Civil que, após vários questionamentos da cessão de uso para o Sindipol, deu início a um processo administrativo junto à Procuradoria Geral do Estado e ao Ministério Público Contas para a desativação da cantina.

A Polícia Civil alegou que a ocupação do imóvel pelo Sindicato era ilegal e, por isso, pediu a desocupação do prédio. A Administração da Polícia disse que o espaço localizado em um prédio público não pode ser ocupado por uma entidade particular sem licitação. Entretanto, a Polícia Civil irá abrir um processo licitatório para contratar uma empresa privada para administrar o local.

“Este argumento não convenceu o Sindicato e os policiais civis capixabas. Muitos policiais não gostaram e demonstraram indignação pelas redes sociais”, disse o presidente do Sindipol, Jorge Emílio Leal.

“Esclarecemos que o Sindipol não foi responsável e lutou até os últimos dias para evitar o fechamento da cantina, entendendo que o seu funcionamento tem um caráter social e econômico que é interessante para os policiais. Porém, o Sindicato vai respeitar a determinação”, afirmou Jorge Emílio.

Segundo ele, o Sindipol lamenta que o espaço que sempre trouxe benefícios aos profissionais da Polícia Civil seja fechado sem justificativa plausível. Oito profissionais, entre atendentes, cozinheiros, nutricionista, ajudantes e caixas que trabalham na cantina ficarão desempregados em plena crise financeira, o que trará grandes prejuízos aos seus familiares. Alguns funcionários dependem exclusivamente desta fonte de renda.

“Não gostaríamos de encerrar o ano com essa notícia tão triste. É uma pena que a Administração da Polícia Civil tenha dado esse presente de grego de Natal para a categoria”, pontuou Jorge Emílio Leal. “Além dos oito funcionários que estão sendo demitidos, o comércio em geral também perde, pois os fornecedores que nos atendiam agora ficam sem um importante cliente”, completou o dirigente.

O atual chefe de Polícia Civil, delegado Guilherme Daré de Lima, também se despediu da cantina, almoçando no local na última quarta-feira (21/12). Nesta quinta-feira (2/12) outros delegados da cúpula da instituição, que sempre respeitaram e defenderam a existência da cantina, também almoçaram no espaço e se despediram dos funcionários, como o superintendente de Polícia Prisional (SPP), delegado Júlio César de Oliveria.

A responsabilidade pelo fechamento do espaço é da Administração anterior, quando a Polícia era comandada pela delegada Gracimeri Soeiro Gaviorno. Ela deu atenção aos seus assessores – como, por exemplo, o delegado Paulo César Ferreira – e nada fez para evitar o fechamento da cantina.

“Tivemos conquistas importantes este ano, mas o fechamento da cantina é uma perda muito grande. Vamos continuar brigando pelo espaço, nem que seja por meio de medida judicial”, disse Jorge Emílio. Segundo ele, o delegado Guilherme Daré se comprometeu estudar meios administrativos junto ao Governo do Estado para a reabertura da cantina, tendo como responsável o próprio Sindipol.

 

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