ESPOSA DE EX-PM E POLICIAL SÃO PRESOS EM OPERAÇÃO QUE INVESTIGA MOTIM DOS MILITARES CAPIXABAS: Assessora parlamentar confessa que escondeu o celular do marido no momento da prisão dele

Em desdobramento da Operação Protocolo Fantasma, realizada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atenção Especial de Combate ao  Crime Organizado (Gaeco) e com apoio da Corregedoria Geral da Polícia Militar, foram cumpridos, na manhã de quinta-feira (23/03), mandados de prisão temporária (com prazo de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco) em face de Izabella Renata Andrade Costa e do policial militar João Marcos Malta de Aguiar, expedidos pelo Juízo da 4ª Vara Criminal de Vitória.

Izabela é esposa do ex-PM Walter Matias Lopes e assessora parlamentar do deputado federal Carlos Manatto (SD/ES). Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências de Izabela e de João Marcos, bem como em outros endereços. Izabela e João Marcos são acusados de atrapalhar os trabalhos da administração da Justiça, prejudicando a colheita de provas que seriam essenciais ao êxito de investigação do MPES.

Na segunda-feira (20/03), em cumprimento à decisão da juíza  Gisele Souza de Oliveira, da 4ª Vara Criminal de Vitória, o MPES, com apoio da Corregedoria da PM e da Força Nacional de Segurança, realizou a primeira etapa da Operação Protocolo Fantasma, em que foram presos Ângela Souza Santos, o ex-cabo PM Walter Matias, o cabo PM Leonardo Fernandes Nascimento e Cláudia Gonçalves Bispo. Ângela é esposa de um PM e Cláudia, mãe de um soldado.

De acordo com o Ministério Público, pelo que se apurou, “o soldado JOÃO MARCOS, na noite do último domingo (19/03), véspera da deflagração da operação, transmitiu, em grupos de trocas de mensagens eletrônicas que reúnem militares, informações detalhadas sobre o cumprimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão que ocorreria na segunda-feira (20/03), permitindo que vários dos investigados ocultassem provas que seriam importantes ao êxito da investigação”.

Além disso, na data da operação (20/03), foi registrado, com autorização judicial, diálogo telefônico em que “IZABELA, esposa do ex-policial WALTER MATIAS LOPES, já detido, informa a um policial militar que conseguiu ocultar o celular de seu marido e que estava apagando os dados armazenados”.

Assim, completa o Ministério Público, “por ter ficado demonstrado que ambos agiram de forma atentatória à administração da Justiça, prejudicando a colheita de provas que seriam essenciais ao êxito de investigação tão importante à manutenção da paz social, foi decretada a prisão temporária de ambos”.

No mesmo dia e que seu marido, o ex-PM Walter Matias, foi preso na Operação Protocolo Fantasma, Izabella Renata Andrade Costa, que é assessora parlamentar do deputado Federal Carlos Manato, telefonou para um policial militar informando sobre a prisão de Matias. O Blog do Elimar Côrtes teve acesso, junto com fontes policiais, ao teor da gravação telefônica, cujo sigilo foi quebrado por ordem judicial.

Ao mesmo tempo, Izabela informa ao policial que conseguiu esconder o telefone celular de seu marido, justamente no momento em que os policiais, junto com o Gaeco, chegaram em sua residência para prender Matias. Ousada, Izabela manteve a conversa com o policial, confessando inclusive o crime que cometera (esconder provas da Justiça), dentro da sede do Gaeco, em Vila Velha.

Abaixo, o trecho do diálogo entre Izabela e o policial militar:

Izabela - Alô?
Policial – Oi
I – Ei, meu amor!
P – Quem fala? 
I – Izabela, você não viu minha mensagem não?
P – Não... Vi agora, acordei agora.
I – Ah, a gente tá aqui na Gaeco.
P- Onde isso?
I - Matias tá preso aqui, em Vila Velha.
P – Ah, tá. Levaram ele pra onde?
I – Não levaram ele ainda não, ele vai prestar esclarecimento ainda. Mas a prisão dele é preventiva. Fizeram busca e apreensão lá em casa e trouxeram ele pra cá. 
P – Mas tinha alguma coisa ou não?
I – Não, tranquilo. Tudo tranquilo.
P – E os advogados já tá aí, como é que tá?
I – Já, (XXXXX) tá aqui e doutor (XXXXX) tá chegando. Daqui a pouco eles tão aqui.
P – Mas já tão tentando ver? Viu, eu falei isso lá no sábado né?
I – Aqui, deixa eu te falar um negócio com você. É... não, tá tranquilo. É porque... pede pra ninguém ligar pro telefone dele não, porque o telefone dele tá escondido, entendeu? As pessoas que, tipo assim, tem contato frequente com ele, dá esse recado pra mim, que depois eu vou limpar tudo e vou guardar, que eu não sei quanto tempo ele vai ficar. 
P – Não, tranquilo. Sem problema.
I – Entendeu? Então tá bom.
P – É porque eu vim pra cá ontem, pra Barra de São Francisco.
I – Mas você falou. Não, mas beleza, tá tranquilo aqui. Qualquer coisa te mantenho informado.
P – Não, qualquer coisa você me liga. 
I – Pode deixar, qualquer coisa te ligo.
P – Então tá. 
I – Então tá, tchau.    


Saiba mais

O MPES investiga os integrantes de uma organização criminosa que, sob pretexto de reivindicar aumento salarial e outros benefícios aos policiais militares, vale-se de atentados contra serviços de utilidade pública, apologia a fatos criminosos, motim/revolta, ameaças a autoridades, dentre outros crimes. Diante dos elementos probatórios colhidos, as medidas cautelares acima descritas se mostraram indispensáveis.

A deflagração da operação não obsta negociações em prol de melhorias reivindicadas pela classe policial, já iniciadas por comissão mista formada perante à 3ª Vara de Fazenda Pública de Vitória. Até porque as condutas criminosas sob apuração são contrárias aos interesses da categoria e atentatórias à sociedade capixaba.

 

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