O SISTEMA DE SEGURANÇA BRASILEIRO ESTÁ FALIDO FAZ ALGUNS ANOS, AFIRMA PRESIDENTE DO FBSP: Rio já tem um policial morto a cada dois dias em 2017

O Rio de Janeiro registrou, até esta quinta-feira (06/04), uma estatística assustadora: pelo menos 50 policiais foram assassinados neste ano de 2017. Isso significa que a polícia fluminense tem perdido, em média, um homem a cada dois dias. Para o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), professor Renato Sérgio de Lima, a estatística deixa claro que o sistema de segurança pública no País está falido.

Desde o início de janeiro deste ano, 108 policiais foram  baleados – 50 deles morreram. Do total, 104 eram policiais militares, quatro policiais civis e um era policial rodoviário federal (baleado em 2016). Destes, 54 estavam de serviço, 41 estavam de folga, 13 eram reformados e um era aposentado (da reserva). Deles, 28 foram atingidos em comunidades pacificadas do Rio.

“Infelizmente nosso sistema de segurança está falido faz alguns anos e os dados sobre mortes, de ambos os lados, sejam os policiais ou não, mostram que não há mais saída se continuarmos a sermos lenientes com a violência e aceitá-la como danos colaterais da nossa histórica incapacidade de modernização do sistema de Justiça criminal e Segurança Pública”, disse o professor Renato Sérgio de Lima, em entrevista ao Blog do Elimar Côrtes, nesta quinta-feira (06/04).

Segundo ele, os governantes brasileiros continuam “a fazer mais do mesmo daquilo que sabemos que não deu certo, talvez cegos nas nossas disputas corporativistas”. O professor ressalta, todavia, que “enquanto isso a população em geral e policiais vão sendo mortos”.

Enquanto há perdas dos dois lados – policiais e população, aí incluindo os criminosos –, a sociedade, na avaliação do diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, professor Renato Sérgio de Lima, só lembra de discutir o tema segurança quando explode uma crise vivenciada no Espírito Santo, no mês de fevereiro, quando policiais militares promoveram uma “greve” por 22 dias.

“Só lembramos da área (segurança pública) quando das crises que eclodem esporadicamente, à semelhança do que ocorreu nas prisões no Norte e Nordeste do Brasil e do e no Espírito Santo. As polícias estão sobrecarregada e ao mesmo tempo não conseguem superar seus próprios antagonismos”, frisou o professor.

Renato Sérgio de Lima falou também da decisão Supremo Tribunal Federal (STF), que, na quarta-feira (05/04), declarou inconstitucional o direito de greve de qualquer policial no Brasil. O STF decidiu que policiais civis, federais, militares, bombeiros militares e rodoviários federais e ferroviários não podem fazer greve.

“A decisão do STF que as proíbe de fazer greve, por exemplo, deveria mobilizar os policiais para que um projeto de instituição fosse pensado, pelo qual articulação, coordenação e inteligência fosse os fios condutores. Na prática, a decisão do STF abriu margem para uma reforma de cima para baixo e faz-se necessário e urgente unirmos esforços para pensarmos a polícia que queremos, mais eficiente, que valorize os policiais e que seja capaz de agir antes do enfrentamento violento que tanta vítimas provoca”, pontua o diretor-presidente do FBSP.

“Enquanto não pensarmos esse projeto (de uma polícia valorizada e eficiente), teremos, tragicamente, muito mais mortes a lamentar. Ou acordamos uma forma de avançarmos, ou as coisas ainda podem piorar mais”, concluiu Renato Sérgio de Lima.

 

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