ENTRE OS DENUNCIADOS ESTÃO POLICIAIS MILITARES E SEUS FAMILIARES: Ministério Público Estadual denuncia 22 pessoas acusadas de liderar greve na Polícia Militar do Espírito Santo

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) ofereceu denúncia contra 22 pessoas, dentre policiais e familiares, pela participação no movimento que paralisou as atividades da Polícia Militar, no mês de fevereiro. Esta Ação Penal tem o número 0016850-68.2017.8.08.0024 e tramita
Na 4ª Vara Criminal de Vitória, onde foi protocolada na quarta-feira (21/06). Ainda estão sendo apurados procedimentos que, posteriormente, vão culminar em denúncias a serem feitas à Justiça Militar.

De acordo com o Gaeco, os crimes atribuídos aos acusados são o de formação de organização criminosa, atentado à segurança e ao funcionamento de serviços de utilidade pública, incitação pública à prática de crime, promoção de fuga de pessoa legalmente presa e desacato a funcionário público no exercício da função.

Ainda segundo o Gaeco, a deflagração e a manutenção por 22 dias “do ilegal movimento grevista da Polícia Militar apenas foi possível em razão da atuação coordenada de policiais militares (planejamento, incitação e segurança das manifestantes), representantes de algumas associações classistas (apoio jurídico e material, além da incitação à adesão ao movimento) e familiares de policiais (atuação articulada para promover e manter o bloqueio das unidades, sendo constituída, inclusive, uma comissão com representantes dos batalhões da Grande Vitória, que funcionava como um órgão gestor)”.

As investigações, realizadas com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar, utilizaram materiais publicados nas redes sociais, interceptações das comunicações telefônicas e telemáticas, dados extraídos dos celulares apreendidos, redes de relacionamentos e contatos, fotografias e filmagens dos protestos e manifestações realizados, além de documentos apreendidos nos endereços residenciais dos investigados.

Em março, na primeira fase da operação "Protocolo Fantasma", foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, 23 mandados de busca e apreensão e expedidas 17 notificações para depoimento. Foram presos preventivamente um policial militar, um ex-policial e duas mulheres.

Posteriormente, foram presos temporariamente um policial militar e a esposa de um ex-policial militar. O policial repassou informações do cumprimento dos mandados de busca e apreensão, permitindo que investigados ocultassem provas, enquanto a esposa do ex-policial ocultou o celular do cônjuge para apagar dados armazenados.

Para o presidente da Associação dos Oficiais Militares Estaduais do Espírito Santo (Assomes/Clube dos Oficiais), tenente-coronel Rogério Fernandes Lima, a denúncia apresentada pelo Ministério Público só confirma o que a entidade informou durante todo o mês de fevereiro, de que as associações de classe da PM – ASSOMES, ASSES, ACS/ES e ABMES - não participaram do movimento de aquartelamento dos militares, “apesar de terem sido injustamente processadas pelo governo do Estado” na ocasião.

"Deixamos sempre claro que as entidades de classe nunca fomentou o movimento paredista. Procuramos mediar o conflito e ajudar na resolução do problema. As associações não tiveram nenhuma participação no evento que aconteceu em fevereiro. A denúncia corrobora o que falávamos, que não tínhamos nada a ver. Entendíamos que o pedido dos policiais era legítimo, mas não era o aquartelamento não era e nunca será a forma de reivindicação. O pedido de melhores salários é extremamente justo, tanto que estamos com campanha nas ruas por valorização salarial. Mas o movimento paredista não foi a forma adequada nem legal, segundo o que prevê a Constituição Federal", pondera o tenente-coronel Rogério.

Os denunciados são:

Lucínio Castelo Assumção, conhecido como “Capitão Assumção”;

Walter Matias Lopes, conhecido como “Matias”;

Aurélio Robson Fonseca da silva, conhecido como “Robinho”;

Marco Aurélio Gonçalves Batista;

Nero Walker da Silva Soares;

José Ricardo de Oliveira Silva;

Leonardo Fernandes Nascimento;

João Marcos Malta de Aguiar;

Angela Souza Santos;

Claudia Gonçalves Bispo;

Flavia Roberta Arvellos Aguiar Pontes;

Clayde Berger de Oliveira;

Larissa Assunção da Silva;

Jocilene Moreira Andrade;

Bruna Santos Brioschi;

Gilmara Silveira Rodrigues Vazzoler;

Laís Soares Fernandes;

Bianca da Cruz e Silva;

Raquel Fernandes Soares Nunes;

Tamires Severina da Silva;

Débora Caroline Will;

Izabella Renata Andrade Da Costa;


 

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